‘Marias do Maranhão’: animação revive duas grandes lutas
‘Marias do Maranhão’: animação revive duas grandes lutas
Alma por assinatura? Peça maranhense questiona futuro
Alma por assinatura? Peça maranhense questiona futuro
Um poeta maranhense desperta de um coma e descobre que sua alma corre o risco de ser aprisionada em um plano de pós-vida por assinatura. Esse é o enredo de Astolfo Estrela, o Poeta que Escapou do Futuro, uma peça teatral que integra o novo projeto do dramaturgo Igor Nascimento.
O público poderá ter o primeiro contato presencial com a obra nesta quarta-feira, 22 de outubro, durante a primeira leitura dramática do texto, às 19h30, na Academia de Letras da Área Itaqui-Bacanga (Aleart), localizada na rua Camboja, n. 11, Fumacê, em São Luís. Também nesta semana, o público poderá acompanhar a leitura radiofônica, no sábado, 25 de outubro, às 17h, com transmissão ao vivo pela rádio Bacanga FM (106,3).
https://mauricioaraya.com/agenda/
Na peça, o protagonista Astolfo Estrela, acorda de um coma e se vê diante de um novo modelo de pós-vida criado pela empresa fictícia Life Plus, onde é possível continuar existindo por meio de um aparelho chamado Soul Projector, uma TV de tubo de 14 polegadas que projeta almas em planos virtuais de transcendência. A obra apresenta um universo que traz elementos da ficção científica e da comédia, com sotaque maranhense que se mistura às encantarias locais.
O projeto marca uma nova etapa na trajetória artística de Igor Nascimento, que desde 2015 vem explorando os limites da dramaturgia e suas traduções entre o teatro, o rádio e o cinema. Entre seus trabalhos anteriores estão o livro Fôlego Curto, o projeto radiofônico Dramas para Ouvir (beneficiado pelo Rumos Itaú) e o curta-metragem Fora do Ar.
Já há alguns anos venho experimentando diferentes linguagens e formas de apresentar os textos que produzo de forma que possam ser acessados em diferentes formatos, como livros, teatro, peças radiofônicas e cinema. Esse projeto é mais amplo, ele é um roteiro cinematográfico construído em camadas, começando com texto teatral e radiofônico, passando pela abertura de processo de criação por meio de oficinas de escrita criativa para comunidade, para chegar, enfim, ao roteiro de cinema e ao projeto de linguagem do filme
O projeto é uma realização da Versobaiô, com apoio da Aleart e da rádio Bacanga FM, e conta com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do edital nº 9/2024 – UGCADC/Secma – Mais Produção Audiovisual – Desenvolvimento de Roteiro. De acordo com Igor Nascimento, a criação do roteiro é feita também de forma colaborativa, com a participação ativa do elenco, que além de atuar, também desempenha outras funções.
Igor Nascimento autor da peça Astolfo Estrela, o Poeta que Escapou do FuturoO ator Urias de Oliveira integra o processo criativo com sua experiência em corporeidade e danças populares. Walter Cunha assina a arte gráfica, explorando máscaras, rostos e texturas inspiradas nas manifestações culturais locais. Lauande Aires, Dênia Correia, Renata Figueiredo e Manu Balata colaboram com o texto ao lado do próprio autor, que também atua na peça como narrador, como ‘didascália viva’.
Quem é Astolfo Estrela?
Astolfo Estrela é um poeta maranhense que, para escapar de um destino tecnológico — o de continuar existindo após a morte através de um objeto semelhante a uma TV —, precisará acionar as forças ancestrais e entidades do imaginário popular do Maranhão, como cazumbas, serpentes lendárias, Catirina e Dom Sebastião. São essas presenças que o ajudarão a reativar as tecnologias do corpo: o canto, a dança e os ritos como forma de libertação.
Inspirado em nomes da literatura maranhense como Nauro Machado, Gonçalves Dias, Maria Firmina dos Reis e Celso Borges, o personagem Astolfo Estrela encarna a luta do poeta que escreve com o corpo e com a voz, resistindo à automatização da vida e à mercantilização dos afetos. O texto, com humor e lirismo, contrapõe o universo das telas e algoritmos ao das rezas, danças e tradições populares, propondo uma reflexão sobre o que resta de humano quando até a alma vira produto.
Em Astolfo Estrela, Igor reúne dez anos de experimentações cênicas e sonoras em um processo de criação que se desdobra também em oficinas de Escrita Criativa e Ator-Brincante, abertas à comunidade da Área Itaqui-Bacanga, no bairro Anjo da Guarda, território de forte tradição no teatro popular maranhense.
As próximas etapas do projeto acontecem a partir de novembro, com a realização de oficinas de Escrita Criativa e Ator-Brincante, abertas à comunidade da Área Itaqui-Bacanga.
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‘Dama do Reggae’ leva sua força ao Psica 2025
A artista que cantou Mama África e subiu ao palco do The Town 2025 ao lado da cantora Iza, é frequentemente chamada de a ‘Dama do Reggae’ brasileiro. Nascida em São Luís em 1964, Célia Sampaio é uma cantora, compositora e ativista cultural reconhecida como uma das maiores referências femininas do gênero no país. Ao longo da carreira fez parcerias com nomes importantes da música popular brasileira como Alcione, Chico César, Zeca Baleiro e Leci Brandão, e mantém atuação forte em movimentos culturais negros no Maranhão, motivos esses mais do que suficientes para torná-la uma das principais atrações do Festival Psica 2025, que ocorre nos dias 12, 13 e 14 de dezembro no Estádio do Mangueirão em Belém, no Pará, com ingressos à venda pela internet.
Célia foi a primeira mulher a gravar um álbum de reggae no país, e além da música, mantém práticas artísticas/craft (costura ligada a elementos africanos) junto de rituais de matriz africana em suas apresentações, carregando em sua obra a força da resistência negra. Um dos maiores marcos de sua carreira é o álbum Diferente (2000), onde consolidou sua carreira solo e apresentou a faixa Black Power, uma canção que a tornou um fenômeno musical.
https://open.spotify.com/intl-pt/album/77yr3JrOy5WKDFQfeLWGls?si=uSxHDpQVRW2aVu4zAgTihw
Esse ano, a artista lançou o EP Eparrey (2025), em homenagem à orixá Iansã, simbolizando ancestralidade, feminino, espiritualidade, e resistência por meio da mistura de reggae com influências afro-brasileiras.
Carreira e trajetória
Iniciou sua carreira musical na Década de 1980, integrando a banda Guethos, uma das pioneiras do reggae nacional e conquistou o título de ‘Dama do Reggae’ por sua significativa contribuição ao gênero, trajetória essa que foi representada no documentário Ginga Reggae na Jamaica Brasileira (2024), dirigido por Naýra Albuquerque, onde reforça o seu papel de pesquisadora e guardiã da história do reggae no Maranhão, não só como cantora, mas como memória viva.
Sua trajetória musical é carregada pelos movimentos afro/carnavalescos locais (exemplo disso, é sua participação no primeiro bloco afro do estado, Akomabu). Formada também em enfermagem e atuante direta como artesã, em 2020 foi indicada ao Prêmio Grão de Música e segue influenciando a cena musical com sua voz marcante e o compromisso com a valorização da cultura afro-brasileira, mantendo-se ativa em apresentações e na produção de novos trabalhos.
Para aquecer os ouvidos
Além das clássicas Black Power e Ayabá Rainha, entre os vários destaques da sua carreira, em 2021, lançou uma parceria com Luiz Fernando Linhares, denominada Pegada Negra, onde mostra seu reggae mais contemporâneo e com uma produção mais atual.
Azul Beleza e Dama Black são músicas bastante representativas de Célia, fazendo parte da sua seleção musical mais conhecida. Seu primeiro álbum solo, Diferente, inclui composições de renomados artistas maranhenses como Zé Lopes, Paulinho Akomabu, Alê Muniz e Mano Borges. O disco lhe rendeu o Prêmio Universidade FM, um dos mais importantes da música maranhense.
https://open.spotify.com/intl-pt/artist/3kV5DGv0TUs30pTs38GQ0z?si=vkPc2L0FRMusjlHrd2xXaw
Recentemente, Célia Sampaio tem se dedicado a projetos que celebram o feminino e a cultura afro-brasileira. Em março de 2023, apresentou o show Ela no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), interpretando a canção homônima baseada em poema de Maria Firmina dos Reis, musicado por Socorro Lira. Em novembro do mesmo ano, realizou um espetáculo no Reviver Hostel ao lado de Flávia Bittencourt e Socorro Lira, promovendo um encontro musical feminino único.
Com presença de palco magnética e interpretação intensa, Célia emociona e mobiliza plateias ao lado de sua banda. Seu show combina força e delicadeza, apresentando uma artista que traduz em música a potência da mulher negra no Brasil. No Psica, Célia Sampaio entrega um espetáculo de energia e mensagem, conectando o público a uma experiência de raiz, afeto e resistência e trazendo ao palco seu EP Eparrey.
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“Foi um grande momento de troca. Uma experiência muito impactante. Saí muito transformada com essa troca nas comunidades e aprendi muito com as mulheres quilombolas, principalmente em relação à técnica delas de cerâmica e conhecer seus quintais, seus cotidianos. Muito importante a experiência com essas mulheres, em poder ouvir, escutar sobre suas vidas e suas tradições”, destaca a artista goiana Sophia Pinheiro, uma das residentes do projeto Pular N’Água, sobre sua experiência no município de Alcântara, com a realização de oficinas e residência artística.
O projeto, que propõe um mergulho e um trânsito artístico entre artistas nacionais e maranhenses, e é realizado em São Luís e Alcântara ao longo deste mês de outubro, tem patrocínio do Banco do Nordeste Cultural, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Com produção geral do Chão SLZ e da Organik Produções, conta com concepção e curadoria de Paula Signorelli e Samantha Moreira, além de produção executiva da Mariana Cronemberger e apoio da Casa do Sereio, Centro de Produção Cerâmica de Itamatatiua e Museu de Alcântara.
A estreia do projeto no Maranhão ocorreu na capital maranhense no último dia 19 de outubro, com a realização de uma oficina gratuita de Escrita Criativa com Geovani Martins, do Rio de Janeiro, no Chão SLZ – a segunda etapa da ação ocorre no dia 26 de outubro, das 15h às 17h (inscrições já encerradas).
A partir de alguns contos do livro O Sol na Cabeça, de Geovani Martins, a oficina propôs ao público um espaço dedicado à escrita criativa, com foco em destacar os principais fundamentos do texto literário: o argumento, a estrutura e a linguagem – além de investigar os caminhos possíveis para escrever uma história.
Em Alcântara, a artista goiana Sophia Pinheiro apresentou uma oficina artística com ênfase na troca de práticas artísticas, pedagógicas e saberes ancestrais junto às ceramistas da comunidade de Itamatatiua, entre os dias 21 e 22 de outubro.
“Foi minha primeira vez no Maranhão, e minha primeira vez no Quilombo aqui no Maranhão. De cara, pude ouvir e participar dessas trocas para compreender o que estas mulheres quilombolas, de povos indígenas, fazem de diferente, para ver e aprender suas técnicas, e também ver algumas coisas que elas não sabiam. Ofereci uma oficina de pigmentos naturais, de como pintar a cerâmica, com reaproveitamento do próprio barro que elas têm lá. (…) E baseado também no meu trabalho, na minha investigação artística com as máscaras, eu propus para elas pensar máscaras que tenham a ver com elas e se tornou um lugar de força, de autocuidado e de proteção também. Foi uma experiência muito linda e única”, comemorou Sophia Pinheiro sobre o sucesso da oficina.
Êxito também registrado na oficina de Poesia/Escrever a Paisagem, também ofertada para os moradores de Alcântara – desta vez, pelo escritor maranhense Josoaldo Lima Rêgo, no dia 23.
A oficina visou a construção de um espaço de criação baseado na escrita e na observação dos lugares e da paisagem de Alcântara. Durante as quatro horas de encontro, que realizado no Museu de Alcântara e em caminhadas no seu entorno, os poemas de Maria Firmina dos Reis (Itaculumim) e Manuel Bandeira (A Onda) se tornaram os guias – e o elo – entre Josoaldo Lima Rêgo e o público para pensar o poema e a cidade.
Curadora e coordenadora geral do projeto, Paula Signorelli avalia que as oficinas e experiências artísticas oferecidas em São Luís e Alcântara foram muito importantes para o fortalecimento da troca de saberes e para a construção de novos ambientes artísticos.
“A troca não se dá de forma única, mas é construída ao longo do tempo, que também nos aguçou a pensar nesse projeto enquanto residência artística. E junto às artes visuais, temos também a poesia, com escritores do Maranhão e do Rio de Janeiro, para justamente pensar a partir das palavras e no âmbito poético para pensar o lugar que se habita e o lugar que se está, que se circula”, ressaltou Paula Signorelli.
Exposição
Além da residência artística e das oficinas, o Pular N’Água também contará com uma exposição inédita em sua programação. A ação, no caso, é resultado do processo artístico proposto na residência em São Luís e Alcântara, um mergulho nas vivências artísticas dos encontros realizados por meio das demais ações.
A exposição estreia neste sábado, 26 de outubro, a partir das 19h, no Chão SLZ, com uma roda de conversa entre os artistas participantes, curadoria e produção – a visitação poderá ser feita no período de 28 de outubro a 30 de novembro. Produções de Sophia Pinheiro (GO), Romildo Rocha (MA), Josoaldo Lima Rêgo (MA) e Geovani Martins (RJ) estarão em destaque na exposição.
Durante a cerimônia de abertura, será realizada, também, uma roda de conversa com todos os residentes, além da presença da curadoria e da equipe de produção do projeto. As atividades são gratuitas e contarão com intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
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