O COLONIALISMO CIENTIFICO
O que vivemos hoje no Brasil é uma forma insidiosa de colonialidade do saber. O sistema de avaliação do MEC (CAPES/Qualis) opera como um mecanismo de transferência de riqueza intelectual e financeira para o Norte Global.
A ENGRENAGEM É PERVERSA:
Para que uma revista tenha visibilidade, ela precisa de bons trabalhos. Para que um pesquisador tenha "pontos", ele precisa publicar em revistas de alta visibilidade. Ao pontuar mais o que vem de fora, o MEC força nossos melhores cientistas a enviarem seus achados para o estrangeiro.
É a "profecia autorrealizável" em sua face mais cruel: desvaloriza-se a revista nacional porque ela "não tem visibilidade", mas retira-se dela o único meio de obtê-la: o manuscrito de qualidade.
O RESULTADO É A AUTOFAGIA:
1. Produzimos ciência de ponta com fomento público (nosso suor e impostos).
2. Entregamos o ouro para editoras bilionárias estrangeiras (Elsevier, Springer, etc.).
3. O conhecimento é trancado por paywalls. O próprio Estado precisa pagar fortunas para que possamos ler o que nós mesmos produzimos.
Ao asfixiar as revistas nacionais e latinas, o sistema planeja o apagamento da ciência das midias cientificas locais. Isso é o oposto da soberania tecnológica e da colaboração multilateral que a internet original prometia.
Como professor e pesquisador, me revolto com o papel de eterno fornecedor de matéria-prima intelectual. Precisamos de uma ciência federada, soberana e descolonizada.
A ciência não é um ranking de prestígio colonial: é uma ferramenta de libertação. 🇧🇷✊
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