Uma crônica de dia dos namorados
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Uma crônica de dia dos namorados
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E o meu coração é o mesmo que foi, um céu e um deserto
Certas preferências que trago comigo até hoje surgiram na infância. Pensei que algumas mudariam à medida que o tempo passasse, mas aconteceu algo estranho. Certos doces perderam o sabor. Passaram a ter um “não-gosto” quando levados à boca, como se a receita estivesse errada, feita com algum ingrediente diferente.
Felizmente, isso não aconteceu com todos os pratos que eu gostava. Continuo apreciando um bom caldo de massa, que combina perfeitamente com as noites de sexta-feira. Aceito tomá-lo em outros momentos, mas o sabor realça quando ele é servido no dia certo.
Lá em casa, os bolos eram feitos nas noites de quinta e nas tardes de domingo. Se mudo o dia, o bolo fica insosso, como se o calendário interferisse no resultado. Ao fazê-lo dentro dos dias estabelecidos por mio babo, eles ficam perfeitos. Crescem e adquirem o sabor desejado.
Ainda aprecio um bom tiramisu — minha sobremesa preferida. Uma coisa, no entanto, dificulta o processo. A vasilha da nonna era vermelha, feita de cerâmica, e a que eu tenho em casa é de vidro transparente. Uma parte de mim dá de ombros e manda ignorar esse pequeno detalhe. Outra parte alerta que o sabor não será o mesmo. Como detesto ouvir de mim mesma o famoso “eu te avisei”, refugo. Deixo para fazer depois, quando comprar o bendito vasilhame vermelho.
Mas há um sabor, em especial, que nunca mais reencontrei: os maravilhosos biscoitos de nata feitos pela nonna. Durante as férias, nós nos deparávamos com os potes na parte mais alta do armário. A altura nunca foi um obstáculo para nós. Saboreávamos biscoito por biscoito, tomando o devido cuidado de deixar o último para ela.
Essa travessura virou história contada nas reuniões de família, arrancando risos de todos nós e alimentando o sabor-futuro também.
#crônica #receitasDaInfânciaNa rua cheia de sol, há casas paradas e gente que anda…
Ao cair da tarde de ontem, saí para passear com o cão. Ele parece (re)conhecer os caminhos, mesmo quando eu não os repito. Seguimos em frente: ele farejando o chão, as árvores e os jardins mal cortados… enquanto eu observo as anatomias irregulares do lugar.
Ao virar uma esquina, fotografei uma janela. O detalhe é que eu não tinha comigo uma câmera, nem mesmo a do celular. Algo muito raro para mim. Desde a infância, tenho o hábito de carregar uma câmera como se fosse uma extensão do meu próprio corpo. Nunca quis ser fotógrafa por profissão. Eu apenas gostava dos cenários e dos cliques congelados, que me permitiam olhar centenas de vezes para o mesmo lugar, descobrindo cada pequeno detalhe. Talvez por isso eu tenha decidido fotografar a mesmíssima janela da casa vizinha durante trinta dias — repetindo o ritual do personagem de Paul Auster em um de seus contos.
Tenho para mim que foi exatamente esse hábito que me fez escrever. Comecei a descrever os lugares e as pessoas que eu não conseguia capturar com um clique. Escrever virou o meu jeito de revelar fotos em folhas de papel.
A janela de ontem ficava nos fundos de uma casa imensa. Cenário perfeito para uma história que ainda não escrevi. A veneziana aberta e o vidro apoiado em borboletas prateadas mostravam um fundo fosco. Uma senhora apareceu. Cabelos de cinza, pele de leite, olhar opaco de quem chora uma perda recente. O que ela perdeu? Não sei. O mistério permaneceu ali.
Fiquei por lá apenas o tempo que o cão levou para cheirar o rastro de outros bichos. Guardei o negativo na mente. Na volta para casa, cruzei com dezenas de outras janelas e lembrei dos meus tempos de escola, quando eu traduzia o caminho em sentimentos — um exercício despreocupado que buscava o equilibrio entre o real e o imaginário.
Cada artista usa a sua ferramenta. O pintor recorre ao pincel. O desenhista, ao carvão. O fotógrafo, à câmera. Eu uso a palavra. Mas a arte que criamos busca exatamente o mesmo destino.
#caminhandaPeloBaiirro #crônica #CronicasDeVida #FotografiaEPoesia #janelas #MulheresQueEscrevem #PaulAuster #reflexões𝑬𝑭𝑬𝑴𝑬́𝑹𝑰𝑫𝑬𝑺
E os pensamentos em dominó, igual contra igual
Sou o tipo de pessoa que gosta imenso de guardar as palavras dos outros para compreendê-las depois. Ontem à noite, enquanto tomava um delicioso caldo de massa — uma velha tradição da minha família —, pesquei algumas palavras soltas no ar. Soaram interessantes.
Acho peculiar como as pessoas gostam de falar de seus sonhos. Essa coisa etérea que, às vezes, parece impossível de realizar. São apenas sonhos, justificam-se. Como se não houvesse muito o que fazer por eles. Eu não sou uma pessoa de sonhos. Sou de projetos, propostas e planos. Tudo o que faço é amparado nas minhas vontades e desejos. Preciso de paixão para investir o melhor de mim em algo. Preciso das minhas emoções mais sinceras para viabilizar qualquosa — seja este texto ou o preparo de uma simples panzanella. Sem paixão, não reúno meia dúzia de palavras ou de ingredientes.
E foi no meio dos sonhos de outra pessoa que nasceu a Scenarium, esse projeto a quatro mãos que hoje vive seu momento mais delicado. A maioria das pessoas pensa que a editora é uma invenção minha. Estão enganadas. Quem engendrou tudo foi o Marco Antônio. Ele viu potencial na ideia que criei, no início, apenas para os meus livros.
Foi através dele que a Scenarium virou multidão. Ele cuidou de tudo: a escolha do papel para o miolo, a capa, o tipo de agulha e a furação. Reuniu um bando de doidos. Foi divertido acompanhar os processos de um homem dos engenhos. Tudo nele passava por gabaritos, milimetricamente planejado, cheio de cálculos. A arte dele era exata; a minha, bem diferente.
As coisas aconteceram a partir da belíssima combinação entre o real e o imaginário. Eu pensava algo. Ele tornava possível.
Fui convencida durante diálogos à mesa de um café, entre as esquinas da cidade, sobre a maravilha de um projeto artesanal. Ele nem precisou de esforço para me ganhar. Eu selecionaria os textos e prepararia o material. Ele faria a impressão, as dobras e os furos. Depois, eu costuraria. Para mim, era puro experimento. Para ele, o oposto.
Treze anos se passaram. Ele tinha calculado que seriam necessários dez anos para a Scenarium se estabelecer como uma nova via no mundo literário. O que ele deixou de calcular foram os imprevistos da realidade. Passei um bom tempo pensando no que fazer com a editora agora. Não tenho problemas em desistir ou abandonar projetos. São verbos que gosto de conjugar. Mudei de profissão, de país, de roupas e de opinião.
Ainda não sei se sou capaz de continuar com a Scenarium sozinha. É algo que preciso descobrir no tempo certo do mio cuore. Enquanto isso, sigo fazendo o que sei fazer de melhor: experimentar.
#crônica #escolhas #experimentar #Reflexão #sonhosManuel Gamio
Por: Thelma Morales García
Hace años en los recorridos que realizaba en el territorio del Estado de México, tuve la fortuna de conocer gente de la que aprendí mucho, muchas de esas visitas fue a la zona de Teotihuacán y San Martín de las Pirámides, sobre todo a los talleres de artesanos que trabajan la obsidiana realizando piezas para los turistas que visitan la zona.
En alguna ocasión me acompañó la Maestra Teresa Pomar, una de las más reconocidas investigadoras del arte popular en México, que inauguró uno de esos espacios donde los artesanos comercializarían sus piezas, en dicha inauguración nos obsequiaron un pequeño volante que traía un pensamiento de Manuel Gamio. Recuerdo que la maestra Pomar me dijo que se había publicado un libro titulado “Manuel Gamio una lucha sin final”, escrito por su nieta Ángeles González Gamio en el año de 2003.
En ese entonces solo había escuchado el nombre de Gamio en alguna institución y sabía que había realizado investigaciones en la zona arqueológica de Teotihuacán. Por eso cuando tuve el libro en mis manos, me di a la tarea de leerlo de principio a fin y me causó mucha sorpresa enterarme de todas las aportaciones que hizo a lo largo de su vida realizando estudios sobre temas agrícolas, culturales, sociales, arqueológicos, educativos, indígenas, legislativos, geográficos y de la industria y el comercio. Un libro que hoy conservo con gran cariño porque me fue obsequiado precisamente por doña Tere Pomar
Manuel Gamio nació en la ciudad de México un 2 de marzo de 1883, hijo de don Gabriel Gamio heredero de una de las minas ubicadas en Temascaltepec, y de Marina Martínez hija de un rico comerciante de la ciudad de México, por lo que en su infancia asiste a una de los mejores colegios de la época, el Liceo Fournier, posteriormente ingresaría a la Escuela Nacional Preparatoria de San Ildefonso.
Su madre fallece cuando él es apenas un niño, su padre despilfarra la fortuna familiar y con lo poco que aún conserva decide comprar una finca hulera llamada Santo Domingo, ubicada entre los límites de Veracruz, Puebla y Oaxaca. Manuel Gamio quien había iniciado la carrera de ingeniería decide abandonar sus estudios para ir a trabajar la finca junto con sus cinco hermanos.
A los pocos meses sus hermanos se regresan a la ciudad de México, porque la finca había estado abandonada por años y se encuentran con el terrible panorama de que las plantaciones han sido invadidas por la selva. Manuel es el único que por orgullo y amor propio decide continuar el trabajo, dicha finca sellaría su destino, pues en un artículo escrito en 1956 publicado en el periódico El Nacional recuerda: “Empecé a interesarme en la población indígena, cuando viví cerca de tres años, en un rancho de mi familia… mi hermano Rodrigo y yo éramos dizque los administradores de ese rancho palúdico, incrustado entonces entre salvajes bosque milenarios. Como era natural, dada nuestra falta de experiencia, fracasó a la postre esa explotación agrícola, pero alcancé en cambio, una ventaja y fue la de aprender algo del idioma náhuatl, que hablaban casi todos nuestros trabajadores procedentes de la sierra cercana de Puebla.”
En esta anécdota refiere que conoce a un indígena al que cierto día encontró en el río y al que le pide que se acerque a platicar con él, al ver que no le hace caso, le habla en náhuatl y entonces regresa su canoa y se disculpa con él, pero le dice que ahí no quieren a los que hablan español, porque de ellos ha sufrido maltratos y ofensas cuando trabajó con ellos, pero como él hablaba su idioma se convierte en su amigo y es quien lo introduce a la vida de las familias indígenas. Desde ese momento Manuel Gamio vislumbra las grandes necesidades y aspiraciones de los indígenas de nuestro país.
Ese conocimiento que adquiere, le permite conocer los valores y cualidades que tienen los grupos indígenas, le molesta e indigna la situación de abandono y abuso en que viven; de ahí surge su insistencia de que se conozcan y estudien para ayudarlos racionalmente, respetando sus valores –que tanto admira– que son fuente importante para alcanzar una identidad nacional.
Esto es sólo una parte de todo lo que realizaría durante toda su vida, pues se doctoró en filosofía en la Universidad de Columbia en los Estados Unidos en 1921. Escribió sus reflexiones e investigaciones como un libro que publicó en 1916 que se llama “Forjando la Patria”, regresa a nuestro país a seguir con su labor antropológica y arqueológica, de lo cual decía que era terrible que alabáramos la grandeza de nuestras culturas indígenas prehispánicas y en cambio tuviéramos olvidados a los descendientes de esas culturas, es decir a los indígenas de nuestro tiempo.
Otra aportación que me dio este libro, es el seguimiento a la labor que desde hace décadas realiza su nieta Ángeles a quien admiro por las cónicas tan magníficas que escribe y que podemos leer semanalmente en La Jornada de los domingos.
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