Nenhuma mulher precisa de validação masculina.
Para existir, para ser bonita, para ter molho.
A Sofia Bianco nĂŁo perdeu nada. Apenas mudou.
E os homens, coitados, perderam a capacidade de opinar.

💬💔💖🐎
#SofiaBianco #Molho #Validação #PittycoModeOn #Oxe

IA ainda precisa de especialistas

❓ A IA já pode substituir um especialista em segurança?

Principais pontos:
‱ 🔍 O que foi dito: “não tem ainda um nível de maturidade suficiente que elimine a necessidade de um expert.”
‱ ⚠ Implicação: mesmo com ferramentas automĂĄticas, ainda hĂĄ risco — contaminação de dataset, reproduzibilidade de exploits e disputas sobre severidade.
‱ ✅ ConclusĂŁo: IA Ă© Ăștil, mas precisa de...

#IA #segurança #validação #cibersegurança #especialista #MorningCrypto

O bug do TXID e como resolvemos na Original My

Já ficou esperando uma transação que simplesmente nunca aparecia na blockchain? 😓

- 🔍 O problema: a gente monitorava apenas o TXID e, muitas vezes, alguĂ©m na rede alterava a transação — outro TX era minerado e o TXID original nunca “entrava” no bloco. Resultado: o usuĂĄrio ficava esperando confirmação que nunca vinha.
- đŸ› ïž A solução: tivemos que parar de depender sĂł...

#blockchain #TXID #segurança #validacao #OriginalMy #transaçÔes #MorningCrypto

Abuso na validação do Bitcoin — o que isso causa?

VocĂȘ sabia que Ă© possĂ­vel sobrecarregar o Bitcoin explorando o prĂłprio sistema de validação? 😳

‱ O que está acontecendo:
- EstĂŁo abusando do sistema de validação do Bitcoin para forçar atrasos e alto processamento ⛓⚠

‱ Por que isso importa:
- Satoshi optou por validar e auditar tudo sempre por questĂŁo de segurança — mas isso tem custo computacional e energĂ©tico đŸ’»đŸ”„

‱...

#Bitcoin #Segurança #Validação #Cripto #RaspberryPi #MorningCrypto

A constante do triĂąngulo (Universal)

O texto explora a ideia de uma constante matemĂĄtica que conecta triĂąngulos a conceitos universais, como harmonia e eternidade. O autor propĂ”e que o triĂąngulo, presente em diversas culturas e ciĂȘncias, reflete uma ordem cĂłsmica. Ele discute relaçÔes geomĂ©tricas e simbĂłlicas, sugerindo que o triĂąngulo Ă© uma chave para compreender a realidade...

#Constante,#Triùngulos,#Fórmula,#Validação

https://eternidade1.blogspot.com/2025/08/a-constante-do-triangulo-universal_99.html

Uma retrospectiva de 2014

Aqui no Orientando, as pĂĄginas para cada identidade sĂŁo, em geral, separadas: cada uma vai relatar a histĂłria de uma Ășnica identidade, e poucas mencionam detalhes sobre o contexto onde cada identidade surgiu para alĂ©m de alguĂ©m especĂ­fique apresentando um termo e definindo-o com suas palavras.

PorĂ©m, identidades LGBTQIAPN+ nĂŁo surgem espontaneamente: cada uma Ă© construĂ­da com base em concepçÔes jĂĄ existentes. Um termo como neuorientade, por exemplo, nĂŁo pode existir sem o conceito de inexistĂȘncia de gĂȘnero, que como parte de uma identidade precisa ser uma oposição a existĂȘncia de gĂȘneros, mesmo em uma sociedade onde sĂł se conhecem os gĂȘneros homem e mulher.

Estes são exemplos mais óbvios. Nesta postagem, porém, eu não tenho como dizer com certeza o quanto dos desenvolvimentos elaborados aqui são espontùneos ou partem de contextos diferentes, e o quanto se devem a interaçÔes entre as mesmas comunidades. Eu conheço parte da história por ter participado de grupos com pessoas que fizeram parte delas, ou por ler blogs onde partes dessas histórias ocorreram, mas não consigo conectar todas as pessoas que cunharam termos importantes em 2014 entre si de forma concreta. Mesmo assim, houveram e haverão pessoas colocando todas essas figuras relevantes de 2014 como parte de um mesmo movimento. Esta postagem é sobre isso.

 

Termos descrevendo cisdissidĂȘncia e heterodissidĂȘncia antes de 2014

BiĂąngulos, sĂ­mbolo bissexual proposto em 1997 por Liz Nania.

Embora seja possĂ­vel afirmar com segurança que a maior parte dos termos cunhados hoje em dia possuem suas origens na Ășltima dĂ©cada, isso nĂŁo significa que antes dela nĂŁo havia nenhuma diversidade de termos. Por exemplo:

Estes são alguns exemplos dos termos que existiam/estavam em circulação antes de 2014. Hå outros que não foram mencionados aqui, mas, essencialmente, temos:

  • Cis e trans como modalidades de gĂȘnero;
  • Algumas identidades fora do binĂĄrio homem/mulher, assim como discussĂŁo sobre elas, mas poucas especificaçÔes de como alguĂ©m pode ter gĂȘneros diferentes de homem e de mulher, e experiĂȘncias poligĂȘnero ou centrigĂȘnero com tendĂȘncia de serem pensadas apenas de formas que contĂ©m ambos os gĂȘneros binĂĄrios;
  • Alguma especificação de atração de/por pessoas nĂŁo-binĂĄrias, mas nĂŁo muita (por exemplo, alguĂ©m que quer um termo que define sua atração por um gĂȘnero binĂĄrio e gĂȘneros nĂŁo-binĂĄrios teria que usar ou pĂŽli ou alguma combinação de skolio com outra orientação, e nĂŁo hĂĄ termos que permitem a especificação de por quais identidades nĂŁo-binĂĄrias alguĂ©m Ă© capaz de sentir atração);
  • Pouca variedade de termos para descrever atração fluida ou indefinida;
  • Alguns termos a-espectrais surgindo, geralmente em publicaçÔes detalhadas em blogs ou discussĂ”es de fĂłruns, mas eles tendem a ter propĂłsitos bem separados entre si.

Obviamente, termos que descrevem identidades nĂŁo sĂŁo indicativos de quantas experiĂȘncias existem ou podem existir. O que acontece Ă© que, quando divisĂ”es sĂŁo formadas (heterossexual/homossexual, mulher/homem), isso abre espaço para que cada pessoa possa questionar o quanto se encaixa em cada um desses termos, e para discussĂ”es onde mais palavras precisam surgir para explicar similaridades ou diferenças entre experiĂȘncias. Portanto, faz sentido que, com o passar do tempo, mais termos venham surgindo.

 

MOGAI (Marginalized Orientations, Gender Alignments and Intersex)

Bandeira MOGAI mais conhecida, provavelmente escolhida em discussÔes em Pride Flags For Us

Esta sigla foi desenvolvida em discussÔes no Tumblr, como esta, esta e esta. Como é possível perceber pelas datas, sua formação é datada do início de 2014, ainda que a pessoa creditada com a sigla exata não tenha certeza de onde estå sua postagem original acerca disso.

A razĂŁo principal da sigla ter sido formada Ă© se afastar de siglas formadas por listas de identidades (como LGBTQIAPN+) e da sigla GSM ou GSRM, pelo M significar “minorias” ao invĂ©s de grupos marginalizados/minorizados e por alegaçÔes da pessoa que cunhou tal sigla tambĂ©m querer incluir parafilias como “minorias sexuais” (e romĂąnticas, na versĂŁo com R).

A sigla MOGII tambĂ©m ficou em circulação por um tempo, mas a questĂŁo Ă© que os “alinhamentos de gĂȘnero” (Gender Alignments) os quais foram inclusos em MOGAI nĂŁo se tratavam do que conhecemos como alinhamento de gĂȘnero hoje, e sim de uma tentativa de definir modalidade de gĂȘnero (um termo que sĂł foi cunhado 5 anos depois). “GI” (Gender Identities) foi um termo rejeitado porque, enquanto homem Ă© uma identidade de gĂȘnero e existem homens trans, mulher tambĂ©m Ă© uma identidade de gĂȘnero e existem mulheres cis; em questĂŁo de identidade de gĂȘnero por si sĂł, mulheres sĂŁo um grupo marginalizado, mas homens nĂŁo.

É interessante notar que, mesmo que MOGAI tenha ficado com a reputação de ser sĂł para identidades “nĂŁo consagradas” – isto Ă©, termos mais novos, termos que rejeitam tanto a cisgeneridade quanto a transgeneridade, identidades nĂŁo-binĂĄrias mais especĂ­ficas usadas por pouques, orientaçÔes que sĂŁo consideradas impossĂ­veis por quem sĂł acredita em atração por homens, por mulheres ou por ambos estes gĂȘneros, e por assim vai – nĂŁo existiam tantos desses termos na Ă©poca que a sigla foi cunhada. Era comum colocar toda a a-espectralidade “dentro do guarda-chuva assexual”, toda atração por mĂșltiplos gĂȘneros “dentro do guarda-chuva bissexual” e toda cisdissidĂȘncia “dentro do guarda-chuva trans”: portanto, LGBTQIA+ nĂŁo estaria longe de ser uma sigla completa, faltando apenas algumas pessoas com orientaçÔes indefinidas, fluidas ou definidas por atração de e/ou por pessoas nĂŁo-binĂĄrias.

Mesmo assim, acredito que a criação da sigla MOGAI tenha aberto novas possibilidades: as pessoas nĂŁo precisavam mais justificar conexĂ”es com termos existentes para descrever suas experiĂȘncias. Por exemplo, alguĂ©m com atração fluida nĂŁo precisaria justificar seu lugar na comunidade por meio de estar “dentro do guarda-chuva bi” ou “dentro do guarda-chuva assexual”: ter uma orientação heterodissidente por si sĂł seria justificativa suficiente para inclusĂŁo.

Esta pode parecer uma questĂŁo superficial ou pedante, mas a questĂŁo Ă© que invalidação de experiĂȘncias incomuns ou pouco representadas Ă© algo muito comum tanto dentro quanto fora de comunidades LGBTQIAPN+. Portanto, nĂŁo Ă© inconcebĂ­vel que pessoas mais inseguras sĂł tenham conseguido falar sobre suas experiĂȘncias a partir do ponto em que haviam mais sinais de que elas seriam aceitas.

 

Blogs de cunhagem/arquivamento

Captura de tela da pĂĄgina /genders em MOGAI Archive em 12/12/2014. Fonte.

Embora pessoas LGBTQIAPN+ jĂĄ se reunissem em fĂłruns e outras redes sociais, Tumblr facilitou bastante o compartilhamento de novos termos, tanto em comunicação direta com blogs que servem ou serviam para centralizar conhecimento sobre termos quanto pelo meio de “reblogar” postagens jĂĄ feitas por outres. TambĂ©m surgiram alguns blogs especĂ­ficos para resolver dĂșvidas ou oferecer apoio sobre identidades especĂ­ficas.

O blog Non-Binary Noise, que repostou vĂĄrios termos relacionados com nĂŁo-binaridade, começou em janeiro de 2013. Em tal ano, houveram postagens definindo os termos gĂȘnero-fluido, androginia, agĂȘnero, neutrois, bigĂȘnero, hijra, dois espĂ­ritos, gĂȘneros nĂŁo-binĂĄrios e genderqueer, em termos de identidades de gĂȘnero ou questĂ”es similares.

NĂŁo houveram muitas postagens em 2014, mas, em 2015, mais de 40 novos termos foram definidos, incluindo muitos cunhados em 2014, como alexigĂȘnero, juxera, gĂȘnero-cinza, aporagĂȘnero, intergĂȘnero (com a definição de 2014 por actuallyintersex) e apogĂȘnero. Mesmo com a inatividade no ano de 2014, Ă© possĂ­vel perceber um aumento significativo na gama de identidades nĂŁo-binĂĄrias disponĂ­veis.

O Tumblr Pride Flags For Us foi capturado pela primeira vez na Wayback Machine por uma postagem feita em 13 de junho de 2014 sobre uma bandeira de orgulho hĂ©tero. Embora tenha sido refeito e depois deletado de vez posteriormente, foi neste blog que originaram vĂĄrios termos e bandeiras, como poligĂȘnero-fluxo (20/06/2014), novi (06/07/2014), amicussexual (ao menos a bandeira Ă© de 05/10/2014), anogĂȘnero (bandeiras publicadas em 28/10/2014) e demirromĂąntique (bandeira publicada 30/09/2014).

O blog MOGAI Archive Ă©, ou ao menos foi, um dos exemplos mais famosos de blogs que arquivaram termos. Embora sĂł tenha funcionado por, no mĂĄximo, um ano, Ă© por lĂĄ que foram divulgados termos como ambonec, duragĂȘnero, biexgĂȘnero, autigĂȘnero, cĂĄli, vĂĄcuo (como orientação) e cas. Um documento contendo todas as identidades nĂŁo-binĂĄrias listadas em MOGAI Archive em 23 de agosto de 2014 pode ser encontrado aqui.

Curiosamente, o Tumblr Pride Archive sĂł esteve ativo durante os meses de julho e agosto de 2014, mas ele ajudou a divulgar dezenas de termos e bandeiras. Algumas das bandeiras feitas por Lyric, que administrava o blog, foram GĂȘnero-LeĂŁo (Lyric tambĂ©m cunhou o termo em questĂŁo), leukogĂȘnero, inersgĂȘnero (termo mais conhecido como apagĂȘnero), paragĂȘnero, hemigĂȘnero e ignota/fray.

É possĂ­vel que hajam outros exemplos, mas acredito que estes tenham sido os mais influentes. O Tumblr Heterosexual is not a default, por exemplo, tem vĂĄrios termos arquivados, mas ele sĂł começou a ser mais ativo a partir de janeiro de 2015 e nĂŁo consigo lembrar de nenhum termo que tenha sido cunhado a partir de tal blog. Purrloin sucks arquivou vĂĄrias identidades nĂŁo-binĂĄrias publicadas em MOGAI Archive, mas o blog nĂŁo tem muito alĂ©m disso.

Em 2015, surgiram MOGAI Lexicon (que não existe mais) e Pride-Flags (que posteriormente também passou a responder perguntas no Tumblr via Ask Pride Color Schemes). Outros arquivos e blogs similares também foram surgindo nos anos seguintes, mas é interessante notar que não existiam muitos antes de 2014.

 

O efeito dominĂł

Tabela feita por Cor, epochryphal, explicando o motivo do termo ilyagĂȘnero ser diferente de outros que vieram anteriormente.

Ok, foi feita uma sigla que encorajou expressão pessoal ao descrever identidades LGBTQIAPN+ e haviam blogs dispostos a arquivar e espalhar esse vocabulårio que foi surgindo. Porém, ainda não foi dado muito foco em relação a qual foi a progressão dos termos foram surgindo durante o ano de 2014.

Primeiramente, quero falar sobre o termo aliagĂȘnero, originalmente proposto em 20 de janeiro de 2014. A ideia era de descrever um gĂȘnero cuja sensação era de estar alĂ©m dos conceitos de homem, mulher, andrĂłgine ou gĂȘnero neutro.

Pelo termo ter sido mal interpretado como apropriativo, o termo aporagĂȘnero foi cunhado como uma forma supostamente mais Ă©tica de se ver como um gĂȘnero diferente de homem e mulher. PorĂ©m, foi espalhada a ideia de que “aporagĂȘnero Ă© um termo baseado em aliagĂȘnero”, e, assim, tal termo tambĂ©m foi colocado como igualmente apropriativo, e, portanto, inapropriado.

O termo maverique (31/05/2014), que tambĂ©m descreve um gĂȘnero separado de homem, mulher, gĂȘnero neutro ou qualquer combinação entre tais gĂȘneros foi cunhado pela mesma Ă©poca que aporagĂȘnero, embora isso aparentemente tenha sido coincidĂȘncia. O termo gĂȘnero-inconformista (16/06/2014) foi cunhado com base em maverique, com a diferença principal sendo que pessoas gĂȘnero-inconformista desafiam intencionalmente as normas de gĂȘnero.

Outro termo derivado da mesma ĂĄrvore foi ilyagĂȘnero (30/12/2014), termo cunhado com a intenção de ser mais especĂ­fico do que aporagĂȘnero ou maverique.

Voltando para o inĂ­cio do ano, temos gĂȘnero-estrela: um termo cunhado em 27 de janeiro de 2014 para descrever uma experiĂȘncia de gĂȘnero tĂŁo desconhecida que seria alienĂ­gena ou nĂŁo-humana, talvez como de uma estrela, por ser um gĂȘnero completamente distante dos gĂȘneros binĂĄrios e que ao mesmo tempo tambĂ©m parece poder ser uma neutralidade que abrange tanto feminilidade quanto masculinidade. Embora gĂȘnero-estrela tenha se tornado um exemplo de “identidade ridĂ­cula para odiar” na anglosfera (assim como a presença de gĂȘnero-fofo no Orientando incitou Ăłdio e chacota contra esta identidade especĂ­fica na lusosfera), e tenha tido popularidade suficiente para ter alguns blogs dedicados Ă  identidade (como stargender support), nĂŁo Ă© um termo que parece ter sido muito citado como influĂȘncia para a cunhagem de outras identidades nĂŁo-binĂĄrias.

Dito isso, caelgĂȘnero (julho de 2014; bandeira de 2015) e gĂȘnero-astral (09/06/2016) sĂŁo exemplos de identidades onde ao menos suas bandeiras provavelmente foram influenciadas por esta bandeira gĂȘnero-estrela publicada em Pride Flags For Us em 16 de abril de 2014, a qual foi posteriormente republicada em qualidade melhor em Pride-Flags.

Os termos colocados dentro do guarda-chuva chamado gĂȘneros do zodĂ­aco tambĂ©m começaram a ser cunhados em 2014, com gĂȘnero-Libra. Pride Archive, apĂłs publicar tal termo, chegou a fazer postagens sobre gĂȘnero-Áries, gĂȘnero-Virgem, gĂȘnero-LeĂŁo, gĂȘnero-AquĂĄrio, gĂȘnero-CĂąncer e gĂȘnero-Touro, o que coloca estes termos em 2014, mesmo que algumas das postagens originais cunhando tais termos tenham sido perdidas.

Algumas pessoas tambĂ©m começaram a publicar listas com cunhagens de identidades nĂŁo-binĂĄrias, ao invĂ©s de se limitarem a uma identidade de cada vez. Curiosityismysin cunhou estetigĂȘnero e fisgĂȘnero em uma lista contendo outras 4 identidades. Os termos apogĂȘnero, egogĂȘnero, histrigĂȘnero e paragĂȘnero foram cunhados juntos. O termo xenogĂȘnero, que possivelmente se tornou o maior guarda-chuva de identidades nĂŁo-binĂĄrias alĂ©m de termos como nĂŁo-binĂĄrie ou genderqueer, foi cunhado em uma lista com vĂĄrias outras identidades, incluindo gĂȘnero-vĂĄcuo.

Os termos feminine in nature e masculine in nature tambĂ©m vieram de uma sugestĂŁo ao Pride Flags For Us publicada em 20 de julho de 2014. Estes conceitos geraram um modelo repetido para muitas outras qualidades, como autonomia de gĂȘnero e aporinidade, de formas que sĂŁo tanto usadas como partes de orientaçÔes quanto como identidades de gĂȘnero.

Proqua e proquu surgiram como orientaçÔes feitas para pessoas não-binårias femininas e masculinas. São possivelmente alguns dos primeiros exemplos de orientaçÔes feitas para pessoas com identidades não-binårias específicas, e também de orientaçÔes feitas para que pessoas não-binårias usem, em geral: afinal, termos como fin/min e gine/andro eram abertos para pessoas binårias, enquanto cétero/medisso só ganhou a conotação de exclusividade para pessoas não-binårias por conta de preocupaçÔes com fetichização, ao invés de ter sido um termo pensado somente para quem era não-binårie.

Enquanto o termo demigĂȘnero tenha provavelmente surgido antes de 2014, termos como nanogĂȘnero, magigĂȘnero, pixelgĂȘnero, horogĂȘnero e duragĂȘnero provavelmente foram cunhados em 2014. AlĂ©m disso, demigenderpalace e demigenders sĂŁo ambos blogs demigĂȘnero focados em responder dĂșvidas/informar que sĂł ficaram ativos em 2014 e 2015.

Proxvir e juxera (02/07/2014) tambĂ©m sĂŁo outros termos relativamente conhecidos que surgiram em 2014. Assim como os termos do parĂĄgrafo anterior, estes facilitam estabelecer conexĂ”es com outras identidades jĂĄ existentes para especificar experiĂȘncias de gĂȘnero com mais sutileza, embora juxera e proxvir se resumam a estabelecer tais conexĂ”es com mulher e homem.

AutigĂȘnero jĂĄ foi mencionado, mas os termos gĂȘnero-vago, arovague e acevague provavelmente tambĂ©m foram cunhados em 2014, assim como neurogĂȘnero. Estes termos abrem as portas para identidades que tĂȘm neurodivergĂȘncia como prĂ©-requisito. Naquela lista de termos publicados em MOGAI Archive, mĂșltiplos outros neurogĂȘneros aparecem, como corugĂȘnero, fascigĂȘnero, gĂȘnero-neblina, ludogĂȘnero, maestusgĂȘnero, narkissisgĂȘnero e nesciƍgĂȘnero.

Em relação Ă  fluidez de atração: a orientação mud provavelmente foi cunhada atĂ© meados de junho de 2014. HĂĄ este compartilhamento de MOGAI Archive apontando como data mĂĄxima o mĂȘs seguinte para a cunhagem de acefluxo e arofluxo, a qual inclusive referencia gĂȘnero-fluxo, outro termo provavelmente cunhado em 2014. Esta postagem sobre omnigay tambĂ©m aponta que Ă© provĂĄvel que o termo tenha sido cunhado no mesmo ano.

Acredito que isto jĂĄ dĂȘ uma ideia do quanto cada vez mais termos foram cunhados durante este perĂ­odo. AlĂ©m de casos especĂ­ficos, acho que Ă© possĂ­vel perceber os seguintes padrĂ”es:

  • Pessoas tendo ideias para termos a partir de outros que tambĂ©m recĂ©m foram cunhados;
  • Pessoas cunhando termos como forma de resistĂȘncia contra discursos queermĂ­sicos;
  • Pessoas querendo evitar conotaçÔes de termos anteriores, seja por nĂŁo se verem como partes daquelas comunidades, seja por acreditarem que os termos anteriores eram problemĂĄticos a ponto de serem evitados completamente;
  • Socialização a partir da cunhagem de termos, por meio de discussĂ”es intracomunidade, participar de esforços de arquivamento e afins.
  •  

    A comunidade lusĂłfona

    “Bolo colorido dos gĂȘneros”, grĂĄfico de Cari Rez Lobo feito com a ajuda de sues amigues publicado no Tumblr Espectrometria NĂŁo-BinĂĄria em outubro de 2014. Embora seja interessante e tenha valor histĂłrico, Ă© importante ressaltar que grĂĄficos como esse tendem a ser reducionistas e/ou nocivos em certos pontos (como a recomendação do termo “terceiro gĂȘnero”), e que Ă© importante conhecer bem o contexto de cada informação antes de repassar grĂĄficos sem ressalvas sĂł por serem bonitos.

    O Tumblr Espectrometria Não-Binåria só teve atividade em 2014 e 2015. A Wiki Diversidades, originalmente Wiki Identidades, também começou em 2014.

    Em tais espaços, foram promovidas algumas identidades nĂŁo-binĂĄrias, como as presentes nesta revisĂŁo de 18 de dezembro. GrĂĄficos como este de sĂ­mbolos de gĂȘnero e este explicando espectros de gĂȘnero tambĂ©m foram publicados em 2014.

    A publicação Guia para a Linguagem Oral NĂŁo-binĂĄria ou Neutra (PT-BR) nĂŁo oferece alguma forma resumida de explicitar preferĂȘncias da mesma forma que o modelo artigo/pronome/final de palavra, mas demonstra diversas opçÔes de pronomes (el, ilu, elu, ili) e de finais de palavra (e, nada/apĂłstrofo, i), alĂ©m do neoartigo le.

    Sei que também existiam comunidades de Facebook acerca da não-binaridade, que inclusive geraram ou influenciaram tais plataformas e publicaçÔes, mas, como alguém que nunca teve Facebook, nunca tive muito contato com tal parte da comunidade. (Sintam-se livres para preencher esta ou outras lacunas nos comentårios!)

    De qualquer forma, o foco parece ter sido reunir identidades cunhadas na anglosfera, e nĂŁo a cunhagem de termos prĂłprios, com a exceção da questĂŁo da neolinguagem. A quantidade de neutralidade em si como um aspecto de identidades de gĂȘnero, a qual aparece no grĂĄfico acima, parece ser um conceito original, mas nĂŁo parecem haver publicaçÔes mais detalhadas sobre o conceito.

     

    A magia continuou?

    Cunhagem do termo hestiane, em 2021 no Twitter. Captura de tela daqui.

    Como jå mencionei, alguns dos blogs da época ainda estão ativos, e outros espaços também foram surgindo. Alguns exemplos de contas de Tumblr que estão arquivando postagens atualmente são radiomogai e centlpede, mas projetos como LGBTQIA+ Wiki e Gender Wiki facilitam a contribuição comunitåria em comparação com espaços no Tumblr.

    Termos ainda sĂŁo cunhados com muita frequĂȘncia, e nĂŁo sĂł no Tumblr (ainda que seja mais fĂĄcil pesquisar no Tumblr do que no Instagram ou no X). JĂĄ nĂŁo estamos mais numa era onde Ă© fĂĄcil acompanhar todas as cunhagens jĂĄ feitas, porque elas sĂŁo feitas de forma espalhada e independente. Os termos em questĂŁo acabam se perdendo mais facilmente por conta disso (de modo geral), mas tambĂ©m Ă© mais comum ver pessoas nĂŁo se importando com informar outres sobre os termos que usam ou cunham: listas repostando definiçÔes sĂŁo menos comuns, por exemplo.

    Dito isso, nĂŁo acredito que faça sentido chamar os termos cunhados nesta Ă©poca de “mortos”. Embora alguns nunca tenham obtido grande popularidade, muitos dos termos cunhados no meio da dĂ©cada de 10 sĂŁo justamente os que estĂŁo arquivados em mais lugares.

    É possĂ­vel apoiar xe autore desta publicação via Apoia-se, compra de produtos estampados ou outros mĂ©todos.

    #2014 #história #identidadesIncomuns #lesbiTwt #OrientandoOrg #retrospectiva #termosIncomuns #validação

    https://orientando.org/2024/12/uma-retrospectiva-de-2014/

    » Neu

    Quer incluir pessoas nĂŁo-binĂĄrias na lĂ­ngua portuguesa? Priorize o respeito Ă  linguagem pessoal!

    Bandeira neopronominal (de quem usa neopronomes)

    HĂĄ uma certa tendĂȘncia de falar sobre “linguagem neutra” ou “linguagem nĂŁo-binĂĄria” em cĂ­rculos preocupados com questĂ”es de justiça social atualmente. Uso os termos entre aspas porque eles tendem a ser usados mais ou menos como substitutos para neolinguagem: isto Ă©, a existĂȘncia de palavras que se encontram fora dos gĂȘneros gramaticais impostos pela lĂ­ngua padrĂŁo.

    Geralmente essas discussĂ”es sĂŁo em torno de usar alguma forma de neolinguagem como linguagem neutra/genĂ©rica, que aqui vou definir como a linguagem que deve ser utilizada para pessoas/seres cujos conjuntos de linguagem pessoal sĂŁo desconhecidos e grupos onde presume-se que membres usem conjuntos de linguagem pessoal diferentes. EntĂŁo, por exemplo, ao invĂ©s de alguĂ©m usar o/ele/o como linguagem neutra/genĂ©rica, como na oração “aqueles alunos chegaram atrasados“, alguĂ©m poderia usar e/elu/e, como em “aquelus alunes chegaram atrasades“, i/il/i, como em “aquils alunis chegaram atrasadis“, ou qualquer outro conjunto envolvendo neolinguagem.

    (Conjunto de linguagem se refere a uma espĂ©cie de gĂȘnero gramatical, mas Ă© um termo mais flexĂ­vel por ser compatĂ­vel com quem quer misturar gĂȘneros gramaticais diferentes. Conjunto de linguagem pessoal Ă© um conjunto de linguagem que deve ser utilizado para se referir a alguĂ©m, e entĂŁo Ă© possĂ­vel dizer que tal alguĂ©m “usa” certo conjunto ou certos conjuntos de linguagem. Mais sobre isso aqui, aqui ou aqui.)

    A utilização de neolinguagem como forma de linguagem neutra/genĂ©rica Ă© bem-vinda por muites, porque esta combate a ideia de que um conjunto de linguagem geralmente associado com masculinidade e/ou com ser homem (o/ele/o) deva ser o padrĂŁo, e tambĂ©m por oferecer uma alternativa mais fĂĄcil Ă  inclusĂŁo de todes sem que tenham que ser feitos contornos para que o uso de a/ela/a ou de o/ele/o seja mais justificado (como em “todas as pessoas“, “minhas amizades” ou “alguĂ©m que trabalha com pintura” ao invĂ©s do uso mais problemĂĄtico de “todos“, “meus amigos” ou “algum pintor“). A integração de um gĂȘnero gramatical que se propĂ”e a ser neutro dentro da lĂ­ngua padrĂŁo serĂĄ um passo Ă  frente tanto em relação a facilitar essa questĂŁo quanto em relação a fornecer um conjunto de linguagem pessoal visto como neutro mas amplamente aceito, o qual pode assim ser usado por pessoas nĂŁo-binĂĄrias que sĂł querem ser referidas de qualquer forma neutra/genĂ©rica ou para se referir a crianças que ainda nĂŁo desenvolveram suas prĂłprias preferĂȘncias de linguagem pessoal de forma que nĂŁo impĂ”e a elas conjuntos de linguagem binĂĄrios de forma geralmente cissexista e diadista.

    PorĂ©m, o foco Ășnico em padronizar um gĂȘnero gramatical neutro muitas vezes deixa de lado a necessidade mais importante de nĂŁo maldenominar pessoas cisdissidentes e/ou inconformistas de linguagem. De fornecer o respeito bĂĄsico do uso de pronomes, artigos e outras partes de um conjunto de linguagem que cada pessoa quer que sejam utilizades para si, assim como quem usa a/ela/a ou o/ele/o e possui certa aparĂȘncia aceitĂĄvel dentro da sociedade cissexista tem seus conjuntos de linguagem respeitados.

    Concordo que o uso de o/ele/o como linguagem neutra/genĂ©rica deva ser evitado. PorĂ©m, tambĂ©m nĂŁo acho que isto seja um problema maior do que outras expressĂ”es problemĂĄticas comuns no dia-a-dia, como o uso constante de xingamentos capacitistas de forma extremamente casual, de termos racistas para descrever pessoas, culturas, grupos Ă©tnicos ou afins, da utilização de termos neutros para descrever grupos marginalizados como gorde ou gay como descriçÔes negativas e por assim vai. Eu defendo o combate a qualquer forma de linguagem opressiva, mas acho ainda mais importante evitar e acabar com formas de violĂȘncia mais diretas contra pessoas marginalizadas.

    SĂł que o que vejo em debates acerca de qual deve ser o novo gĂȘnero gramatical neutro ou se deve existir um novo gĂȘnero gramatical neutro Ă© uma falta de consideração com pessoas que dependem de neolinguagem nĂŁo (sĂł) como uma forma de expressar inclusividade, mas (tambĂ©m) como uma forma de ter conjuntos de linguagem com os quais nĂŁo se sentem maldenominadas; de ter conjuntos de linguagem que sentem que as representam quando os conjuntos dentro da lĂ­ngua padrĂŁo se mostram insuficientes.

    Talvez isso pareça fĂștil para pessoas binĂĄrias – especialmente cis – as quais possuem gamas enormes de formas de encontrar validação interna e externa para suas identidades de gĂȘnero. PorĂ©m, no caso de pessoas nĂŁo-binĂĄrias, muitas vezes a linguagem pessoal Ă© uma das Ășnicas formas que temos para buscar euforia de gĂȘnero ou combater inseguranças em relação a nĂŁo sermos vistes da forma certa. E maldenominação nĂŁo deixa de poder machucar sĂł porque uma pessoa trans estĂĄ deixando de ser referida por um conjunto como ĂȘ/elu/e ou ly/ily/y ao invĂ©s de a/ela/a ou o/ele/o.

    Enfim, quando alguĂ©m diz que deve existir apenas um conjunto de linguagem vĂĄlido que inclui neolinguagem e que o resto das possibilidades nĂŁo presta, isso Ă© um ataque muito mais direto a pessoas inconformistas de linguagem do que o uso de o/ele/o como linguagem neutra/genĂ©rica. Quando alguĂ©m diz que a Ășnica importĂąncia da neolinguagem Ă© a formação de um gĂȘnero gramatical neutro a ser incluso na norma padrĂŁo da lĂ­ngua portuguesa, isso exclui de forma bem mais direta a existĂȘncia de pessoas que usam neolinguagem em seus conjuntos de linguagem pessoais do que o uso de o/ele/o para se referir a grupos com conjuntos de linguagem pessoais diferentes.

    Pessoas nĂŁo-binĂĄrias que nĂŁo usam (apenas) a/ela/a, o/ele/o, -/-/- ou algum conjunto especĂ­fico envolvendo neolinguagem jĂĄ existem. Eu estou entre essas pessoas, assim como outres que conheço. NĂłs nĂŁo vamos deixar de existir quando/se houver um gĂȘnero gramatical neutro incluso na lĂ­ngua padrĂŁo, atĂ© porque jĂĄ nos identificamos usando conjuntos de linguagem pessoais que diferem dos padrĂ”es da lĂ­ngua sem aguardar a permissĂŁo de ninguĂ©m. Nem todo mundo quer expressar neutralidade e/ou indeterminação com a neolinguagem inclusa em seu(s) conjunto(s) de linguagem pessoal(is). Mesmo quem quer expressar tais caracterĂ­sticas pode nĂŁo estar confortĂĄvel com os elementos do conjunto escolhido como neutro por qualquer entidade.

    A diversidade dos conjuntos que contĂ©m neolinguagem nĂŁo Ă© um problema teĂłrico que pode ser resolvido caso seja decidido um gĂȘnero gramatical neutro na lĂ­ngua padrĂŁo o mais rĂĄpido possĂ­vel. É uma realidade que precisa ser considerada em qualquer proposta de reavaliação de como se ensina a lĂ­ngua portuguesa de forma que inclui neolinguagem.

    Antes de querer debater sobre a inclusĂŁo de um gĂȘnero gramatical oficial novo, Ă© importante levar em consideração a questĂŁo de nĂŁo impor qualquer conjunto de linguagem em quem nĂŁo quer ser referide com o uso de tal conjunto, e isso inclui qualquer conjunto de linguagem visto como neutro/genĂ©rico. Se a proposta Ă© incluir melhor pessoas nĂŁo-binĂĄrias na lĂ­ngua, Ă© importante nĂŁo agir como se apenas um dos conjuntos de linguagem usados pelo grupo existisse.

    Entendo querer debater sobre qual conjunto Ă© mais adequado como neutro/genĂ©rico, levando em consideração questĂ”es como a facilidade de ensinar ou de entender o conjunto e o quanto ele parece visualmente ou sonoramente algo “mais masculino” e/ou “mais feminino” do que neutro. Tais discussĂ”es podem ser interessantes e saudĂĄveis. PorĂ©m, a partir do momento onde sĂŁo circulades mentiras sobre o quanto outros conjuntos sĂŁo inacessĂ­veis e/ou ataques/chacota contra elementos neolinguĂ­sticos usados por outras pessoas como parte de seus conjuntos de linguagem pessoal, isso deixa de ser apenas uma discussĂŁo teĂłrica sobre a inclusĂŁo de um gĂȘnero gramatical neutro na lĂ­ngua padrĂŁo para tambĂ©m impor de forma violenta quais tratamentos pessoas nĂŁo-binĂĄrias podem ou nĂŁo podem aceitar para si mesmas. E isso a sociedade cissexista jĂĄ faz; nĂŁo precisamos de “aliades/camaradas bem intencionades” para isso.

    #apagamento #cissexismo #exilinguismo #exorlinguismo #exorsexismo #linguagemPessoal #neolinguagem #recursosDeLinguagem #recursosNCL #validação

    https://orientando.org/2023/07/quer-incluir-pessoas-nao-binarias-na-lingua-portuguesa-priorize-o-respeito-a-linguagem-pessoal/

    neoprontrans: a term for anyone who both identifies as trans (binary or nonbinary) and uses neopronouns

    neopronominal: a term for those who use neopronouns neoprontrans flag was requested by anon! the first flag is five stripes like both the neopronoun user and trans flags, with colors taken from said...

    Tumblr