Estou tão, tão cansade de pessoas elogiando "guias de linguagem neutra" que colocam toda forma de neolinguagem como "neutra" e intercambiável, além de incentivar pessoas a colocar pronomes como deterministas do gênero gramatical inteiro.

Eu já uso o pronome eld faz cerca de dez anos, além de elx. Também uso outros neopronomes, como ael e éli, faz menos anos. Eu não aceito os pronomes elu ou ile ou os artigos ê ou le não por não saber que tais elementos existem, mas sim por suas associações com neutralidade e por não soarem interessantes para mim.

Esses "guias" não só são excludentes, como também tendem a prejudicar ativamente usuáries de conjuntos de linguagem mais específicos, porque aí a gente precisa desfazer uma série de preconceitos para daí ensinar tudo do zero. Eles "simplificam a vida" especialmente para pessoas que se importam menos com como são tratadas ou com como respeitar tratamentos alheios.

O bordão "nem toda pessoa não-binária quer expressar neutralidade/androginia" também deveria valer para outras expressões além da feminilidade e masculinidade, né. (Não que elementos linguísticos determinem feminilidade/masculinidade/etc., mas eles podem ser uma forma de expressão aporina, xenina ou afins.)

#neolinguagem #LinguagemNeutra

10 itens publicados em 2025

No ano de 2025, além de ter acompanhado termos cunhados neste ano, acumulei links para outras publicações, cumprindo minha meta estipulada em 2024 de destacar outros trabalhos produzidos pela comunidade.

A ideia é não limitar a determinado formato, com livros de ficção, músicas, podcasts e artigos científicos serem formas de publicação válidas. Porém, meu alcance pessoal é limitado, e poucas pessoas à minha volta têm o hábito de sugerir publicações num geral (muito menos que seriam relevantes pra esta lista), então admito que esta retrospectiva poderá não ser tão interessante quanto eu gostaria.

Interessades em chamar atenção para determinado trabalho, para que este possa entrar em algum tipo de retrospectiva, podem fazer divulgação dele no nosso fórum, entrar em contato comigo via fediverso (@Aster) ou mesmo comentar sobre o próprio trabalho na rede qósmiques. Embora eu acompanhe certos blogs, certos subreddits e certas contas no fediverso, YouTube e Instagram, eu não tenho como garantir que vou ter visto ou arquivado tudo o que aparece nas minhas linhas do tempo. O fórum do Orientando é uma ótima maneira de chamar atenção para uma publicação interessante, já que ele está disposto de uma forma organizada e desincentiva publicações superficiais, além da maioria de seus subfóruns estarem disponíveis em resultados de sites e aplicativos de busca.

Pensando Fora do Binário – até no mundo árabe / Thinking Outside The Binary – even in the Arab world / التفكير خارج الإطار الثنائي

O primeiro texto a ser destacado, em ordem cronológica, foi publicado no dia 15 de janeiro por auxiliaryfrfr em pronouns.page, e é sobre a importância de não se silenciar e promover a neolinguagem mesmo em uma língua sem gêneros gramaticais não associados ao binário de gênero.

A tradução na língua portuguesa foi feita e publicada por mim no subreddit r/neolinguagem, com base na versão de língua inglesa do texto. Quem quiser ler tal tradução sem visitar o Reddit pode ler uma versão arquivada aqui.

+ Para quem se interessa na pauta da liberdade de tratamento e quer se aprofundar mais, também publiquei o texto Por um movimento explicitamente pró-neolinguagem neste ano, o qual conceitualiza diferentes formas de discriminação contra estar fora das normas de linguagem e aponta o quanto a pauta não pode depender de movimentos cisdissidentes, trans ou não-binários para ser defendida ou ensinada.

How to Make Your Own Binder that Fits Well and Looks Good

Também no dia 15 de janeiro, kiwisoap no Tumblr publicou um guia passo-a-passo de como fazer um binder no estilo dos da loja gc2b. Eu já costurei meu próprio binder no estilo dos da loja Shapeshifters, mas tive bastante dificuldade de achar o tecido certo para a malha de trama aberta, que precisa ser elástico mas relativamente firme; enquanto isso, o estilo deste molde permite a confecção apenas com tecidos mais comuns (entretelas, algo firme como sarja ou algodão para camisas e tecido para legging). Meus binders da gc2b também usam tecidos mais finos do que os da Shapeshifters, então binders feitos com o molde da publicação podem até ser uma opção melhor para climas mais quentes.

Até o momento da escrita, não testei o guia, mas ele parece ser razoável. Pessoalmente, eu usaria algum ponto próprio para tecidos elásticos (os que geralmente aparecem pontilhados na máquina de costura) ao invés de um ponto zigue-zague comum, mas acredito que este possa funcionar também.

Gatekeeping gender-affirming care is detrimental to detrans people (versão em áudio aqui)

Este artigo, publicado no International Journal of Transgender Health – mas que encontrei pelo site de Florence Ashley – foi publicado online no dia 12 de fevereiro. Seu nome traduzido seria algo como “restringir cuidados afirmativos de gênero prejudica pessoas detrans”, e ele se trata de demonstrar o quanto os modelos utilizados por váries profissionais da saúde para determinar acesso a formas de transição corporal são danosos tanto para pessoas trans quanto para pessoas que acabam destransicionando.

Para muites profissionais, sues pacientes ou precisam ter completa certeza de que passar por processos de transição física é a única forma de diminuir a disforia de gênero que sentem, ou são pessoas que não merecem acesso a quaisquer formas de transição física. Segundo es autóries, isso acaba incentivando pacientes a não ser honestes com suas inseguranças ou seus desejos, especialmente quando podem estar buscando transição física como uma forma de experimentação de gênero similar a quando alguém adota termos de identidades de gênero, conjuntos de linguagem pessoais, maquiagem e/ou roupas de formas que podem ou não ser temporáries quando não têm certeza absoluta sobre suas identidades.

Héteros e dissidentes

Esta publicação di Oltiel, do dia 21 de junho, fala sobre as pessoas hétero dentro da comunidade LGBTQIAPN+, que acabam sendo apagadas ou mesmo antagonizadas em discursos que ignoram a existência de pessoas trans, intersexo e a-espectrais que são mulheres e sentem atração apenas por homens (ou vice-versa). Ilo também oferece alternativas para pessoas que sentem tal atração e preferem se afastar do termo hétero por sua conotação comum de cisgeneridade, periorientação e alossexualidade.

+ Também recomendo um texto anterior dilo (de 2020) que argumenta contra a inclusão da não-binaridade em definições e usos de hétero. Alternativamente, também publiquei Pessoas não-binárias e a alienação da diamoricidade em 2025, um texto questionando o impulso não-binário de usar termos com conotações binárias para suas orientações.

Dossiê Matria: O lobby antitrans disfarçado de defesa das mulheres e crianças

Em 9 de outubro, o site da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) publicou Pesquisa inédita explora lobby antitrans da Matria com apoio de universidades e entidades de direitos humanos, texto que chama a atenção para um dossiê sobre o grupo antitrans Matria, expondo suas conexões com grupos de extrema direita que informa suas investidas contra direitos trans. O corpo do texto em si (sem contar capa, sumário, etc.) tem 48 páginas.

From definitions to motivations

Este artigo do Siggy publicado em 21 de outubro critica a apresentação da assexualidade como uma série de termos e definições, ao invés de levar em consideração o contexto que motivou a existência de tais termos e o quanto cada um dos termos apresentados é amplamente utilizado. Ele aponta que, para muitas pessoas, suas orientações do espectro assexual são termos que fazem sentido nos contextos onde estão inseridas, mesmo que pareçam especificações “excessivas” sob perspectivas alossexuais (de fora do espectro assexual), entre outras questões.

Eu mesme tento contextualizar cada termo apresentado no Orientando em sua página específica (e/ou com links externos). Entendo o valor de uma lista rápida para entender o que determinado termo significa, mas a compreensão de dinâmicas comunitárias em torno de cada termo, ou mesmo das definições base de alguns termos, requer ir além de ler uma definição resumida. Ainda mais se a pessoa lendo não é familiar com conceitos como gênero ou orientação de forma mais profunda do que o assunto tende a ser tratado em espaços cis e hétero.

+ O texto The Ace Community and Folk Epistemology, publicado por RED em resposta ao Siggy no dia seguinte, se trata de explicar o fenômeno da epistemologia folk, onde são as próprias comunidades queer que cunham as próprias terminologias para se comunicar sem a necessidade de imposições de autoridades ou de hierarquias onde certos termos são obrigatoriamente diferentes ou mais abrangentes do que outros.

Translation: “The Quoiromantic Manifesto” by Nakamura Kasumi

No dia 25 de outubro, aceadmiral no WordPress publicou uma tradução de um manifesto quoiromântico originalmente publicado em 2021 neste livro (se eu não me engano) por Nakamura Kasumi. Como esta compilação de publicações não existia em 2021 e eu só soube do manifesto por conta desta tradução, estou contando como um “texto de 2025”.

O manifesto começa definindo orientações sexuais e românticas e contando a história do termo quoi. Depois, descreve o conceito de relacionamentos puros, os quais são definidos por comprometimento e pela escolha livre em torno do relacionamento (ao contrário de laços formados por deveres sociais, por exemplo). Finalmente, fala sobre pensar em cada relacionamento como diferente e em flutuação, sem dividir pessoas entre relacionamentos amorosos ou de amizade.

+ As conclusões de Nakamura Kasumi são similares às de proponentes da anarquia relacional, embora o conceito não tenha sido mencionado. O livro de 2020 (com publicação revisada em 2022) Anarquia relacional: A revolução a partir dos vínculos por Juan Carlos Pérez Cortés é uma leitura interessante para quem quer saber mais sobre o assunto. Sua versão escrita na língua inglesa está disponível gratuitamente em The Anarchist Library, mas existe versão na língua portuguesa à venda.

O desafio da população trans de envelhecer com plenitude

O texto em questão foi publicado em 24 de novembro por Priscilla Machado. Foca em mostrar dados e depoimentos acerca de envelhecer sendo trans, tanto em questão de como é difícil sobreviver tantas décadas quanto em questão de como estas pessoas acabam passando por dificuldades como isolamento, desemprego e despreparo de profissionais da saúde.

+ Outro texto publicado em 2025 sobre exclusão de um grupo cisdissidente do mercado de trabalho é Pessoas não binárias enfrentam dificuldades e exclusão no mercado de trabalho, texto por Diego Facuntini publicado no site do Ministério Público do Mato Grosso.

A vida como um ato político

A ideia de existir como trans ser uma resistência por si só é uma que muitas vezes é repetida sem ser explicada. Esta coluna, publicada pela Úrsula Brevilheri no dia 28 de novembro, exemplifica a dor e a importância de existir publicamente fora da cisnorma.

+ No dia 20 de outubro de 2025, o texto A trans de barba e o LGB sem o T foi publicado pela Sara York no portal de notícia Brasil 247. Também é um texto que trata de criticar a cisnormatividade, inclusive em espaços heterodissidentes.

How pinkwashing weaponizes LGBTQ+ rights

Neste vídeo, publicado em 23 de dezembro, revolutionaryth0t explica como países mais ricos usam a desculpa de que países menos poderosos não respeitam direitos LGBTQIAPN+ para invadi-los ou prejudicá-los de outras formas, e como, em troca, países menos poderosos acabam por perceber direitos LGBTQIAPN+ como uma ameaça. Elu usa Palestina e Burkina Faso como exemplos destes posicionamentos.

+ Também em 2025, mas no dia 30 de junho, Jorge H. Mendoza publicou O que é pinkwashing? no site da LIT-QI (Liga Internacional Dos Trabalhadores – Quarta Internacional), o qual explica na língua portuguesa o conceito de pinkwashing. Ele também usa a ocupação da Palestina pelo estado israelense como exemplo, mas foca mais no pinkwashing feito por empresas.

Finalmente, também gostaria de destacar o projeto cultura enebê, que (re)publica coisas relacionadas com não-binaridade na língua portuguesa, e o Observatório Queer Global, comunidade de WhatsApp onde pessoas podem trocar notícias sobre a comunidade.

#binder #cissexismo #nãoBinárie #neolinguagem #quoi #quoirromântique #retrospectiva #transgênero

https://orientando.org/2026/01/10-itens-publicados-em-2025/

Para quem sabe o básico de como aplicar conjuntos de linguagem, mas que ainda tem dúvidas sobre como aplicar neolinguagem em casos mais específicos, sugiro muito ler a série neoartigos, neopronomes e neoflexões que publiquei no Orientando.

É um apanhado de ideias que já existiam em outros lugares, em sua maioria, mas é um dos poucos recursos sobre neolinguagem que elabora acerca da gramática da língua padrão e que reconhece a existência de múltiplos conjuntos de linguagem dentro da #neolinguagem.

• não sabem algum termo? Podem fazer contornos na língua padrão, mas mais importante: busquem conteúdos e pessoas que abordem o tema, que possam responder suas dúvidas. Recomendo buscarem pelo termo #neolinguagem (linguagem neutra é vago demais).

• quando usarem linguagem genérica, usem o bom senso. Se estamos propondo uma alternativa gramatical, logicamente ela não será acompanhada de termos como o, um, meu, e etc. De novo, se não sabem um termo, busquem. Ou arrisquem chutar, pois a neolinguagem também é um espaço de invenção.

• o propósito de uma linguagem genérica é ser breve. Não precisam usar a triforma (ex.: bem-vindos/as/es), a proposta da neolinguagem genérica é tomar a função do genérico normativo ("bem-vindos").

• se estiverem em dúvida de como fica ou poderia ficar certa frase, converta ela nos dois gêneros normativos. Isso deixa claro o que flexiona ou não, o que deve ser mudado ou não. E isso não apenas ajuda na concordância, como ajuda a entender que não precisa mudar tudo (como as palavras modelo e artista).

• por fim, vale ressaltar sempre que usuáries de neolinguagem não se limitam só a pronome êlu e final -e. Há outras formas de neolinguagem sendo usadas (mesmo parte da comunidade fingindo que não). Confiram perfis de pessoas e/ou perguntem a elas se estiverem em dúvida em como tratá-las (isso é melhor que presumir que todo mundo usa exatamente a mesma neolinguagem).

Por um movimento explicitamente pró-neolinguagem

Para quem quer ver os pontos principais, eles estão sob "Demandas antiexorlinguistas".

Por um movimento explicitamente pró-neolinguagem

Para quem quer ver os pontos principais, eles estão sob "Demandas antiexorlinguistas".

https://amplifi.casa/~/Asterismos/Por%2520um%2520movimento%2520explicitamente%2520pr%25C3%25B3-neolinguagem/

Por um movimento explicitamente pró-neolinguagem

Para quem quer ver os pontos principais, eles estão sob "Demandas antiexorlinguistas".

Coisinha gramatical sobre neolinguagem. Sou favorável ao uso de -ãe como alternativa de -ão/-ã. Porém, infelizmente, seu plural pode coincidir com um dos três possíveis plurais de -ão.

A desinência -ão pode ser pluralizada em -ãos (mãos), -ões (limões) e -ães (pães). Então, a menos que seja proposto algo assim, o plural de -ãe será -ães mesmo.

Isso nem é lá um grande problema. Só fico pensando em como podemos criar uma alternativa gramatical que seja única e distinguível das formas normativas. E essa coincidência não acontece com a desinência -ane(s).

Felizmente, percebo que -ane tem maior aderência que -ãe por usuáries de neolinguagem - genérica e/ou pessoal. Esse detalhe do plural pode ser um motivo a mais para indicar essa flexão como uma opção mais interessante, se formos evitar que neolinguagem coincida com os gêneros gramaticais normativos.

#neolinguagem

https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-sanciona-lei-que-proibe-uso-de-linguagem-neutra-pelos-governos/

Ou seja: em "textos de órgãos e entidades da administração pública de todos os entes federativos", fica proibido o tratamento correto para se dirigir a pessoas como eu; o único jeito de não nos maldenominar seria pelo meio de contornos, os quais muitas vezes geram linguagem que parece mais forçada do que a marcação correta.

Não só isso, como também incentiva a linguagem mascunormativa como correta, porque "é mais simples" usar linguagem associada a ser homem para se dirigir a todes em comparação com alternativas que questionam tal hegemonia.

#neolinguagem

Lula sanciona lei que proíbe uso de linguagem neutra pelos governos

Medida se aplica à administração pública de todos os entes federativos; dispositivo faz parte da Política Nacional de Linguagem Simples

CNN Brasil

Para quem considera que esta lista tenha links demais para ver, aqui estão alguns destaques:

Para quem prefere vídeos, este aqui explica e exemplifica o modelo artigo/pronome/final de palavra e alguns contextos em torno de tal modelo em menos de 15 minutos.

Para quem prefere textos, esta página é dividida em tópicos e resolve dúvidas comuns sobre neolinguagem e linguagem pessoal.

Para quem prefere algo interativo, estes testes escritos em Twine ajudam a entender na prática como o modelo artigo/pronome/final de palavra funcionam. Um deles deixa escolher um conjunto para testar, o outro é um teste geral envolvendo vários conjuntos.

Para quem já entende o modelo APF e quer se aprofundar mais em detalhes irregulares da neolinguagem ou de ramificações de tal modelo, recomendo ler as páginas neoartigos, neopronomes e neoflexões.

#neolinguagem #recursosDeLinguagem #LinguagemNeutra #NCL

orgulho☆estrelado

Participe de um encontro virtual para usuáries de neolinguagem no dia 05/10/25!

Embora existam vários grupos focados em não-binaridade, transgeneridade ou ser LGBTQIAPN+, há poucos grupos dedicados a usuáries de neolinguagem, a ponto de posições antineolinguagem acontecerem até mesmo dentro de espaços LGBTQIAPN+, trans ou não-binários. Este encontro pretende reunir pessoas que buscam ter os elementos neolinguísticos em suas linguagens pessoais afirmados, e ser um local menos hostil ou ignorante com usuáries de neolinguagem do que outros espaços tendem a ser.

 

Informações sobre hora, local e cadastro

 

Informações sobre o público-alvo

Este encontro é focado em usuáries de neolinguagem, no sentido de serem pessoas que podem ou devem ser tratadas com elementos neolinguísticos. Porém, entendo que esta descrição em si pode ser ambígua, ou ser insuficiente para certas pessoas. Por conta disso, aqui estão alguns exemplos de pessoas que são bem vindas (usando o modelo artigo/pronome/final de palavra):

  • Pessoas que preferem somente o uso de neolinguagem para que se refiram a elas (em relação a marcações de gênero gramatical), com apenas -/-/- sendo uma opção para que neolinguagem não seja utilizada. Por exemplo, uma pessoa que só diz usar ê/elu/e, ou outra pessoa que só pede ser tratada por i/éli/i ou le/ile/e;
  • Pessoas que possuem preferências parciais pelo uso de neolinguagem, mas que também usam outros conjuntos. Por exemplo, uma pessoa que usa tanto -/ilu/e quanto o/ele/o, ou outra pessoa que usa quaisquer conjuntos além de o/ele/o mas que prefere i/ila/i;
  • Pessoas cujos conjuntos contém tanto elementos neolinguísticos quanto elementos existentes na língua padrão. Por exemplo, uma pessoa que usa só e/ele/e, ou outra pessoa que usa tanto a/ila/a quanto -/-/a;
  • Pessoas sem preferência por um ou mais elementos em seus conjuntos, mas que aceitam ser tratadas com o uso de neolinguagem dentro de tal falta de preferência. Por exemplo, alguém que usa qualquer linguagem e que não se importa em ser tratada por -/ily/y ou ê/elu/e ou quaisquer outros conjuntos, ou outra pessoa que pede para que os pronomes e finais de palavra sejam trocados mas para que artigos não sejam usados (-/[r.]/[r.]) e que não se importa com pronomes como ulae, ilã ou elé ou com palavras como pintoroa, alune ou bonitel sendo utilizadas para si;
  • Pessoas que geralmente não exigem tratamento com neolinguagem, mas que estão questionando o próprio tratamento e que, por conta de tal processo de descoberta, querem testar um ou mais conjuntos que contém neolinguagem para se referir a si.

Não há a obrigação de ser não-binárie ou trans para participar; também aceitamos pessoas não-conformistas de linguagem de quaisquer identidades ou modalidades de gênero, desde que priorizem ou aceitem tratamentos com neolinguagem.

Porém, eu peço para que haja ao menos a compreensão do modelo artigo/pronome/final de palavra, o qual é importante não só para aquelus que usam conjuntos não considerados “óbvios” mas também para ser possível a discussão de elementos neolinguísticos. Ninguém será obrigade a demonstrar seu conjunto apenas com tais elementos, e é entendível alguém preferir só escrever “qualquer” ao invés de “[q.]/[q.]/[q.]” ao lado do próprio nome, mas é importante entender que alguém dizendo que usa a/elu/e não está demonstrando que usa os pronomes alu, elu, ale e ele, e sim que elu quer ser tratade com artigo a, pronome elu e final de palavra e.

Para quem não tem prática com tal modelo, é possível treiná-lo em Teste um conjunto (que testa um conjunto específico de cada vez) e Teste sobre conjuntos de linguagem (que testa a compreensão acerca de vários conjuntos). O texto Uma postagem sobre conjuntos e neolinguagem inspirada por respostas erradas também pode ser uma leitura útil por apontar erros comuns, como a troca de artigo por final de palavra, flexões em palavras que não flexionam e a fixação em tentar memorizar um “gênero linguístico que concorda com pronome tal” e tentar aplicá-lo a todes es usuáries daquele pronome.

 

Haverão pautas ou atividades?

A ideia é que seja um espaço de socialização onde usuáries de neolinguagem possam se conhecer e trocar contatos e experiências. Dito isso, para haver algum foco, no início serão definidas pautas para a conversa, com cada pessoa podendo contribuir onde quiser (tanto em relação aos assuntos quanto em relação a falar sobre tais assuntos). Os assuntos podem ser tanto representação da neolinguagem na mídia quanto como é usar neolinguagem no trabalho, ou mesmo questões menos relacionadas com neolinguagem, como quais jogos cada pessoa jogou recentemente. Vai depender muito do que cada pessoa quiser levantar!

No entanto, já aviso que quero levantar as pautas da negatividade acerca da neolinguagem e da falta de prática com neolinguagem até mesmo dentro de espaços não-binários. É provável que ao menos relatos de cissexismo, exorsexismo e outras formas de queermisia sejam levantados, e, assim como qualquer outro evento aberto a diversas falas, não há como fornecer avisos de conteúdo com antecedência.

 

Ajude a divulgar!

#evento #neolinguagem #recursosDeLinguagem

https://orientando.org/2025/08/participe-de-um-encontro-virtual-para-usuaries-de-neolinguagem-no-dia-05-10-25/