Desta forma, mesmo que o saber útil e necessário para o enfrentamento dos problemas que a prática coloca seja o saber do operário, este jamais pode desempenhar funções que cabem ao engenheiro; assim, mesmo que as decisões sejam na realidade definidas a partir do seu conhecimento, elas devem ser "tomadas" pelo engenheiro; ou ainda, não é permitido ao operário questionar ou controlar as inovações feitas ao nível do produto ou do processo produtivo, mesmo que para isto ele seja competente. Há que seguir, pelo menos na aparência, a estrutura formal de decisões e respeitar o local determinado para a concepção, mesmo considerando que a racionalidade do real ultrapassa a irracionalidade do burocrático; ou seja, mesmo que as decisões e inovações sejam determinadas em grande parte pelo conhecimento socialmente considerado incompetente, mas útil, do operário, em relação à posse do saber socialmente considerado competente mas muitas vezes inútil do engenheiro, e que no entanto lhe assegura superioridade hierárquica.
Pedagogia da Fábrica - Acácia Kuenzer