
Antropólogo foi o primeiro doutor em sua área na USP
O antropólogo João Baptista Borges Pereira costumava dizer que sua primeira incursão pelos estudos sobre a temática da população negra se deu quando participou, a convite do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, de um projeto de pesquisa que envolvia investigar as relações raciais no sul do país. A empreitada, no início da década de 1960, marcou sua trajetória acadêmica e esse foi um dos temas ao qual se dedicou, ao lado da imigração e da religiosidade. “Ele desempenhou um papel fundamental na área de estudos raciais em nosso campo, em uma época em que esse tema quase não era abordado”, afirma…

João Adolfo Hansen questionou consensos da crítica literária
O crítico literário João Adolfo Hansen costumava se definir como um apaixonado por livros, plantas e animais. A curiosidade pelo mundo vegetal veio desde cedo, a ponto de hesitar entre os cursos de agronomia e letras na hora de escolher a graduação, como contou em entrevista a Pesquisa FAPESP em 2022 (ver Pesquisa FAPESP nº 316). A opção pela literatura, no entanto, acabou prevalecendo e o pesquisador se tornou um dos maiores especialistas do país na produção escrita do período colonial brasileiro. Professor emérito da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ele morreu…

Cientista político buscou entender a relação dos brasileiros com a democracia

Linguista foi uma das primeiras no Brasil a pesquisar a fala das crianças
“Assim como o pintor é aquele que permaneceu criança diante de formas e cores, o poeta também é alguém que permanece criança diante da linguagem.” A frase proferida pelo linguista russo Roman Jakobson (1896-1982) durante seminário realizado na Universidade de São Paulo (USP), em 1968, marcou profundamente a trajetória acadêmica da linguista Cláudia Thereza Guimarães de Lemos e a levou a desenvolver uma escuta atenta da fala das crianças. O encontro com Jakobson nessa ocasião e as repercussões em seu percurso foram descritos pela pesquisadora no artigo “A criança e o linguista”, publicado em 2014 na revista Estudos Linguísticos. Considerada…

Rubens Villela abriu caminho para a pesquisa brasileira na Antártica
O célebre verso de Os Lusíadas, de Luís de Camões (?-1580), sobre mares nunca navegados caberia para descrever a trajetória pessoal do meteorologista Rubens Junqueira Villela, professor e pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Em novembro de 1961, integrando uma expedição de pesquisadores norte-americanos, ele foi o primeiro cientista brasileiro a pisar no polo Sul geográfico, ponto por onde passa o eixo imaginário de rotação da Terra, situado a 90 graus de latitude Sul. Villela morreu em 21 de janeiro, aos 95 anos, vítima de pneumonia. O trabalho do meteorologista…

Sergio Miceli estudou a história dos intelectuais, sem fazer concessões
Reconhecido como um dos principais pensadores do campo da sociologia da cultura no Brasil, Sergio Miceli investigou sobretudo a história dos intelectuais, mas ao longo de seu percurso acadêmico voltou também o seu olhar para temas que vão dos programas de auditório televisivos à elite eclesiástica. Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), o sociólogo morreu no dia 12 de dezembro, aos 80 anos, em decorrência de um câncer no fígado. Segundo a socióloga Maria Arminda do Nascimento Arruda, docente da FFLCH-USP e vice-reitora daquela universidade, Miceli “dessacralizou a vida intelectual brasileira”…

Aníbal Fonseca deu vida para experimentos de museus de ciência interativos pelo país
Um artesão científico. Foi assim que o físico e divulgador de ciência Aníbal Fonseca de Figueiredo Neto se definiu quando foi convidado a contar sobre sua trajetória em uma palestra on-line durante a pandemia de Covid-19. Seu trabalho juntava ciência, arte e diversão, dando vida a experimentos interativos criados para museus de ciência espalhados pelo país. Se você frequenta esses espaços, é provável que tenha interagido com alguma instalação ou equipamento construído por ele, como o gerador de Van de Graaff do Museu Catavento, um dos itens mais disputados da instituição paulistana – ao ser tocado, deixa os visitantes de…

Carlos Sandroni defendeu a tradição musical brasileira
Ao criar no Recife, em 2000, a Associação Respeita Januário, com seus colegas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e outros pesquisadores, o etnomusicólogo carioca Carlos Sandroni sugeriu batizá-la com o título da canção de Luiz Gonzaga (1912-1989) e Humberto Teixeira (1915-1979). Para ele, o clássico do forró que celebra Januário, pai de Gonzaga, conhecido mestre sanfoneiro que nunca abandonou seu instrumento de oito baixos, nem o sertão onde nasceu, era uma metáfora do respeito à tradição musical brasileira. A letra pede que Gonzaga, mesmo famoso e com um acordeom de 120 baixos, não menospreze os oito baixos do instrumento…

Cientista polivalente, Henrique Lins de Barros estudou de bactérias magnéticas a Santos-Dumont
Quando desistiu de estudar engenharia e iniciou a carreira acadêmica cursando a graduação em física e, posteriormente, o mestrado e o doutorado em física atômica, o carioca Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros não imaginava que suas pesquisas o levariam a revirar as águas barrentas das lagoas do Rio de Janeiro atrás de bactérias que pudessem dar pistas sobre o início da vida. Muito menos que comporia músicas e roteiros para filmes ou que seria considerado um dos grandes especialistas no aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont (1873-1932). Reconhecido pelas realizações em todos esses campos e em alguns mais, como a…

Amílcar Tanuri esteve sempre na linha de frente das epidemias virais
De chapéu, óculos e máscara, o virologista Amílcar Tanuri olhou para a câmera e ergueu os dedos em V, de vitória e de vacina, ao receber, em 21 de janeiro de 2021, a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. Foi o primeiro servidor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a ser vacinado. Desde o início da pandemia, a equipe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia da UFRJ, liderada por Tanuri, havia realizado mais de 300 mil diagnósticos do Sars-CoV-2, o agente causador da doença, contribuindo para aliviar a sobrecarga do Sistema Único de Saúde…