Meus textos sobre Marty Supreme são, deliberadamente, óbvios. Foram escritos assim para escancarar uma leitura que considero equivocada de uma trama cuja crítica é tudo, menos sutil.
Há duas cenas, em especial, que gritam aos olhos do espectador quem é o protagonista que temos diante de nós. Para além de qualquer adjetivação possível, Marty é um boboca, soberbamente fútil e ególatra. A primeira dessas cenas ocorre quando ele insiste para que seu sócio relate uma experiência horrível, vivida de forma brutal, como se aquilo não passasse de um causo texano. A segunda se dá quando o próprio Marty admite ter sido vaidoso, soberbo e imaturo ao recusar não uma, mas duas propostas sólidas de emprego.
Sinceramente, se os detratores desse filme não são capazes de absorver o óbvio, pouco me convence a ideia de que tenham captado algo mais potente e sofisticado, como Agente Secreto.
O filme deixa claro que, para Marty, o esporte é algo essencialmente supérfluo. Sua motivação primeva é a vitória — uma sagração que só existe enquanto instrumento de autopromoção. Ao fim do confronto com Endo, torna-se evidente que ele apenas desejava vencer o adversário. Algo banal, quase pueril. Marty não percebe que, para os americanos presentes e, sobretudo, para os nativos do país onde o embate se dá, sua vitória representa mais uma humilhação imposta a um povo ainda fraturado, que encontrava naquele esporte em ascensão na Ásia uma forma pacífica de subversão.
<<continua>>