Weslley Dodds

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De Superman a Slam Dunk, de Oppenheimer a doramas: vivo de boas histórias.
Se quiser alguém que fale de Balduíno V e Chainsaw Man na mesma conversa, sou eu.
Quando não estou no cinema, tô lendo alguma coisa ou perdido por aí — em sorveterias, bares ou só jogando conversa fora.
Pronomesele/dele

Projeto gráfico interessantíssimo e inspirado, em sintonia com o que vemos ao longo de todo o filme. É nítida a influência de Alan Moore e de uma ou outra de suas obras — lembrou-me, particularmente, Watchmen e A Liga Extraordinária.

Mas, diferentemente do barbudão, aqui não há nada verdadeiramente substancioso, nem algo que expanda, mesmo que minimamente, o universo apresentado no filme. Uma pena.

Também não ajuda o fato de a narrativa ser excessivamente fragmentada (Cavaleiro das Trevas, perdoe-os, eles não sabem o que fazem!) nem a colorização anacronicamente moderna — especialmente quando contrastada com o traço propositadamente datado de Mark Buckingham.

Apesar de não ser grande fã da arte de Jahnoy Lindsay — cuja estética me soa simplória e derivativa —, a cadência do roteiro de Al Ewing acerta bem ao sustentar um tom paciente e misterioso. O suspense construído aqui contrasta bastante com a exposição quase "alfrediana" de Absolute Batman #1, o que se torna até irônico se considerarmos que, por lá, a arte dá um banho nas duas edições reunidas aqui.
Sei lá, ver gibis de super-herói emulando idiossincrasias orientais ainda me parece um tanto estranho. Até as onomatopeias de Nick Dragotta — aparentemente mais artesanais — estimulam mais o olhar do que os burocráticos "ting ting" e "blam blam" da narrativa de Lindsay.
Ainda assim, o fiapo de suspense apresentado me fisgou. Admito: terminei a leitura bastante curioso e ansioso pelo que vem a seguir.

Feliz aniversário para mim!

Apenas um complemento ao post anterior.
Não sou fã do primeiro Duna. Mas admito que adorei o segundo. Não obstante, tinham coisas relacionadas ao figurino desde o primeiro filme que me fascinaram bastante.

Para seu parceiro, um sobrevivente do Holocausto, o esporte foi aquilo que lhe permitiu permanecer vivo. Já para Endo, que viveu num Japão ocupado e se tornou deficiente auditivo em decorrência dos bombardeios da Guerra, tratava-se de um gesto de resistência — física, simbólica e histórica.

Surpreende-me que tantos não consigam captar o básico. Não há nada de revolucionário em Marty — e esse é justamente o ponto. Ele não é apenas um trambiqueiro, mas um manipulador narcisista e ególatra. Talvez seja por isso que a Netflix esteja fazendo o que está fazendo: orientando seus criadores a desenvolver roteiros e diálogos que expliquem as tramas reiteradamente, para que o espectador saia da experiência plenamente ciente do que viu, sem que reste qualquer sombra de dúvida. Sabem com quem estão lidando: um público desatento, de repertório mínimo e pouco — ou nada — questionador.

Meus textos sobre Marty Supreme são, deliberadamente, óbvios. Foram escritos assim para escancarar uma leitura que considero equivocada de uma trama cuja crítica é tudo, menos sutil.

Há duas cenas, em especial, que gritam aos olhos do espectador quem é o protagonista que temos diante de nós. Para além de qualquer adjetivação possível, Marty é um boboca, soberbamente fútil e ególatra. A primeira dessas cenas ocorre quando ele insiste para que seu sócio relate uma experiência horrível, vivida de forma brutal, como se aquilo não passasse de um causo texano. A segunda se dá quando o próprio Marty admite ter sido vaidoso, soberbo e imaturo ao recusar não uma, mas duas propostas sólidas de emprego.

Sinceramente, se os detratores desse filme não são capazes de absorver o óbvio, pouco me convence a ideia de que tenham captado algo mais potente e sofisticado, como Agente Secreto.

O filme deixa claro que, para Marty, o esporte é algo essencialmente supérfluo. Sua motivação primeva é a vitória — uma sagração que só existe enquanto instrumento de autopromoção. Ao fim do confronto com Endo, torna-se evidente que ele apenas desejava vencer o adversário. Algo banal, quase pueril. Marty não percebe que, para os americanos presentes e, sobretudo, para os nativos do país onde o embate se dá, sua vitória representa mais uma humilhação imposta a um povo ainda fraturado, que encontrava naquele esporte em ascensão na Ásia uma forma pacífica de subversão.

<<continua>>

Ok, você tem minha atenção, Duna!

Amanhã terei a honra de participar dessa live repleta de gente maravilhosa! Quem quiser e puder colar, o link é esse daqui: https://www.youtube.com/live/tcO7XmC2TaY?si=vwfst04AjHH0nWM8

Vejo vocês lá! E, enquanto isso, leiam gibis! 🤗

Secret Panel HERE 🌸 https://tapas.io/episode/3807531

Surpreende-me quem assiste ao filme e acredita estar diante de uma elegia, endosso ou apologia aos ditames e posturas de Marty. Há uma condenação clara, muito mais do que evidente, de sua personalidade e de seu modus operandi. Aliás, essa é a tônica da filmografia dos irmãos Safdie, seus desatentos. Todo o caos e infortúnio que emerge da obra não é coincidência nem fruto do acaso.

Se o protagonista seduz e encanta, isso não significa nada além do óbvio: pessoas ruins podem, sim, fascinar. Podem atrair para sua órbita até aqueles que sabem, no fundo, que gente assim é cilada, Bino.

O que resta saber é se, diante delas, seremos capazes de agir de modo a desincentivá-las — ou, ao menos, afastá-las de nosso entorno.