Não temo as sombras
Elas contêm lampejos
Questão de honra
É o contente silêncio
De fazer bem as coisas

A paciência ensina
Que a alma se refina
Através do tempo
Só agora entendi e ainda entendo
Nada melhor do que uma crise

Para impor limites
E me importar comigo
Sozinho me conheci
Quando lutei pra ser meu amigo
Apenas soube de mim

Quando fui aguerrido
E virei o que sou
A melhor decisão
Da minha vida me estragou
O castelo de papelão

Não há necessidade
Nenhuma de conserto em mim
Mas de reconhecimento
Do que já está aqui
Entendi só nesta idade

Não se trata de perfeição
Mas de crescimento
O que exige rompimento
De antigos padrões
Apenas hoje compreendo

A distância de dentro
Mantém a elegância
E gera desapontamento
É um grande certame
Entre o céu e o tatame

A escolha da vereda
Que seja uma escola
De desejos com verdade verdadeira
Compartilho a dor com arrojo
O que fui já foi embora

Expressão leve de ânsia
Abertura a quem me revele o propósito
Afirmação com confiança
E ação intuitivamente criteriosa
O que fui já era: só ficou na foto

Uma nova forma de pensar
Pinta para riscar o fósforo
Ao rasgar o fantasma da tela
Eu resgato nenhum avatar
Reparo da aquarela

As ilusões se dissolvem no ar
Eis o convite à verdade espiritual
Tarefa com mais bravura
A ferida é a força, afinal
A dor é um portal de cura.






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O desenvolvimento se alastra
Na expansão da consciência
Progresso é aumento da casta
Antes grosseiras advertências
Do que maciças ressacas

Dos maços de cigarro
Para as latas e garrafas
Uns progenitores são pais
Outros, bancos letárgicos
Todos os dias, incomuns e banais

Fico pensando, profano e santo
Não foi perda de tempo
Mas um ensinamento, um espanto
O caos sabe ser sereno
Mediano filmaço

Há uma dezena de mandamentos
E uma dúzia de passos
Nunca é desperdício de novembro
O álcool deve ser o novo tabaco
Progresso nem sempre é avanço

Em algum momento do dia
Santo ou profano, fico pensando
Como fui, como serei, como seria
Cônscio do jurássico juízo
Civilizada selvageria

A ganância não quer os avisos
Dos malefícios do cigarro nas bebidas
O lobby prosseguirá forte
(Fico pensando sob um céu fechado)
Enquanto durarem os estoques

Sem fincar meus pés chatos
Agora sei como sou
Desprovido da energia vazia
Aluno e professor
Alucinação e valentia

Voltei a ser como era
Antes dos quinze anos
Mas não como adolescera
Eu me chamo, eu me desmancho
Focando a chama da vela

Achei a chave da cela
O sol não se descumpre
Por sombras e nuvens
Lá em cima, do pensamento
A chuva também ensina

Epifania, meu bem, é silêncio
Acorda, é bomba! A corda é fina
Fico enquanto tiver saúde
Filtro a onda, há oxigênio
Fico encantado, tem vida ainda

Fico pensando no que penso
O veneno me dava alegria
No entanto eu tinha depressão
Apocalipse nos trópicos
Bebo com moderação

Bebo nada alcoólico
Agora tenho ânimo
Fico pensando com o coração
Passado contemporâneo
A maturidade é lei

Consciência em expansão
Certezas, enganos
Voltei a ser como serei
Amnésias, descansos
Fico pensando como passei

Epifania, meu amor, é uma revelação
Voltei a ser pacato como sei
No sapato, com os pés no chão
Coerentemente insano
Fico pensando e nem pensei.

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Bora colher os sonhos e planos
Em caso de vitória ou tropeço
A onda bate, recolhe e levanta
Cada aurora é um recomeço
E a arte, uma senhora criança
Agora me acolho e me reconheço.

#vamosacolher
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Vamos acolher as oscilações
Na busca da praia e do equilíbrio
Os fracassos são bons
Capítulos do livro
Em todas as bruscas traduções
Vamos olhar para as sombras

Pela vidência do espírito
Vibrações, frequências, ondas
No frescor da rede e do equilíbrio
Realidade, redenção, afronta
Eu me lembro daquele menino
De cabelinho boi lambeu

Embora não exista mais
Continuo na pista ardente, sendo eu
Agora prudente, numa boa, em paz
Matemática da constelação do signo
Questões práticas esclarecidas
Desde ontem me desloco do abismo

Horizonte em foco, perto da vista
Meu nome completo é o título
A onda se levanta e vai me levando
Estou na varanda, mas não sou planta
Sou quem, como, onde, porque e quando
Através dos apoios, reparto os pesos

Bora colher os sonhos e planos
Em caso de vitória ou tropeço
A onda bate, recolhe e levanta
Cada aurora é um recomeço
E a arte, uma senhora criança
Agora me acolho e me reconheço.









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#vamosacolher
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Uma respiração lenta e profunda
Um restaurador mergulho
Barulho silencioso da cuca
Fagulha do novo mundo
Antes alarde do que nunca.

Os meus versos importam
Mesmo que não se entendam
Tão logo se anotam
Numa noite de veneta sairão as vendas
E vão se abrir veredas e portas.

Uma revelação, um riso, um clique
Uma imersão nada rasa, verdadeira,
Na piscina, na pessoa, na psique
Enquanto se aproxima a outra beira
Do mar, do rio, da lagoa, do filme.

Ao longo da crise e da ameaça
Alongamento anímico e físico
Só há borboleta fora da crisálida
No calor borbulhante e tranquilo
Na fumaça do aquecimento da água

Para o chá, mate ou café
Acolhimento, aconchego
Chão, âncora, chocolate, pés
Com os quais vou e chego
Pés que me deixam de pé

Na estrada de versos e ideias
A estrela mora no fim do túnel
Tudo o que expresso interessa
Embora pareça inútil
A poesia é uma peça, uma prece, uma tela.

As minhas palavras são importantes
Ainda que não sejam entendidas
No mesmíssimo instante
Que se pronunciam
Tranquilas e borbulhantes.

#borbulhanteetranquilo
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Minha vida cabia
Numa fita VHS
Nos dias correntes é fluida
Ainda que não quisesse

A tolerância à intolerância é uma tolice
Minha vida já sabia
O que seria quando cumprisse
Qualquer meta descabida

A esperança lenta me pertence
É o que me cabe ter
Antes que me prense
Vil no vinil do elepê

É minha vida, eu sinto muito
Minhas pelejas participavam
Num cassete de sessenta minutos
Numa fita VHS poeirenta, quase mofada
 
Atualmente, nada rebobina
Nem serve caneta daquela marca antiga para rolar o som na caixa
Em compasso de espera, quase parado
Com o passo ajustado à perna

Vou cozinhando o galo
Alugo a vista sem cisco da janela
Minha vida cabia num disco, num álbum
Conto cada uma das quarenta gotas

Para adoçar a jarra de mate
Conto com cada segundo que não volta, se é que foi
Segundo meu espírito de combate
Raja minha casa, capital guerra interior.

#fitaVHS
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Meu poema é um relatório
Um jornal que realmente informa
No blog, pelas paredes e poros
Um blefe simplório que não importa
Já bastam os próprios olhos

Meu leitor, minha leitora,
Eu abri mata nas noites sem lua, no breu,
Até notar a criança que um dia fora
Minha poesia é um traje, sou eu,
É outra pessoa, é uma longa trajetória.

#intuicaoeintelecto
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Meu arquivo é um blog
A vida é de quem sonha
Estou vivo, virei forte
A simetria das ondas
É medida quando se medita

Eu estive em vários lugares
Querida, cavalguei nas sombras
Como se fossem cavalos, acredita?
Surfei desequilibrado nos vales
Pensando que eram cristas

E eu, fatalmente eterno
Meu amor, forcei a barra
Dancei no inferno
Amadureci na marra
Intuição e intelecto

Compulsões e males
São diabos internos
O diálogo mora nos detalhes
Ó, simetria das nuvens no olhar, e agora?
A proporção do verso é furada

Como quando atravesso as marolas
Azuladas do sétimo mar
Minha amada, eu passei pelas sombras
E percebi que não sou aquele avatar
Imbecil e feliz, tirando onda

Meu bem, eu nadei na lama
E saquei quem sou na outra margem
Do rio da região oceânica
E me sequei sob o sol da coragem Lembranças da infância jocosa

Meu poema é um relatório
Um jornal que realmente informa
No blog, pelas paredes e poros
Um blefe simplório que não importa
Já bastam os próprios olhos

Meu leitor, minha leitora,
Eu abri mata nas noites sem lua, no breu,
Até notar a criança que um dia fora
Minha poesia é um traje, sou eu,
É outra pessoa, é uma longa trajetória.

#intuicaoeintelecto
#tchellomelopoeta
#poesia
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#poema
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#literatura
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Eternidade meteórica
Para já, para ontem
Justamente agora
Desde que se sonhe
Tão veloz que demora

Não há nós que domem
O desvio também é da rota
Desperdício desde o início
Estreita porta benta
Vigente fome besta

À espreita, espíritos
Quando a gente volta
Eu compro o presente
Coisas que não explico
Coisas que não se vendem

Você me utiliza
Eternidade meteórica
Você me hostiliza
Por rumores de um rumo
Dureza lisa da retórica

Amores de um amor
Perdido no prumo
Rumos de um rumor
A vida é um fumo
Um verdadeiro torpor

Um vespeiro de dados
Profundidade mínima
Uma profusão de fatos
Um flato vira notícia
Tanto faz o palco ou estúdio

A cena é bem ensaiada
Você sabe de tudo
Mas não conhece nada
Você me rodeia e está por fora
Você me olha e me espelha

Através da minha ideia
Velha senhora, sem hora
Não dura pouco a vela eterna
Que nem o copo apaga
Eternidade meteórica

Você sabe de tudo
Mas não conhece nada
A vida é um fumo
Um sopro, uma fumaça
Um sonho com o futuro.


#eternidademeteorica
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A aspereza do apego
A inconsistência do apelo
A distância do aperto
Consciência de graça
Convicção adquirida

Ressurjo também nesta vida
Em cada alvorada
Junto com o sol justo
Até nas manhãs nubladas
Olho da janela para tudo

Como se fosse a primeira vez
Com a vista lavada de pureza
Aprendo a desaprender
A comunicação supera
Pluvialmente a expressão

Eu apenas espero ler
O poema sem interpretá-lo
É um impropério, uma confissão
É uma oração, um estalo
Não penso como pensava

Porém sonho do mesmo jeito
Parece a primeira tomada
O passado traz trejeitos
Renasço em cada alvorada
Escrevo só porque leio

Estou no mesmo corpo
Mas não sou como era
O planeta no papel de esgoto
Analfabetos na biblioteca
Somente se rasga o casulo

Com as asas corretas
Para não sair da panela
E cair no fundo do fogo
Eu nunca sei, é sério, eu juro
Que ignoro o que vou pôr

É igual a tentar ser diretor
Do próprio sonho no minuto
Na hora de adormecer
Embora seja quem for
Será sempre a primeira vez.


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