Patricia Leandra

@patricialeandra
25 Followers
34 Following
15 Posts
Artista, pesquisadore
🧠⚡ Neurodissidente
Ainda bem

6
Neuropunk pra mim, é isso:
parar de performar NORMALIDADE.

Não como ruptura dramática, mas como um cansaço que virou escolha. Virou posicionamento. E é isso, eu existo assim.

#neuropunk #neurodissidência #neurodivergente #autismo #TDAH #diagnósticotardio

5
Eu sou artista cênica, então passei a maior parte da minha vida pensando em performance.

E tem uma ironia muito densa no fato de que o maior esforço performático da minha vida não foi no palco, foi fingir que eu funcionava do jeito que as pessoas esperavam. (Olha eu aqui usando a palavra ironia, mesmo tendo muita dificuldade em identificar ironias na vida)

4
Neuropunk e Neurodissidência são termos que encontrei há um tempo atrás e que nomeiam algo que já vivo há muito tempo, mas não sabia definir.

A ideia de que a divergência não precisa ser apresentada de forma palatável, agradável. Que ela pode simplesmente ser exercida.

3
A neuronormatividade não quer que o autista seja funcional. Ela quer que o autista seja invisível.

Funcionar para a "neuronorma" significa: não dar trabalho, não ocupar espaço, não precisar de ajuste nenhum. Não aparecer como diferente.

2
Existe uma pressão enorme, especialmente pra quem recebe diagnóstico já adulto, de provar que o diagnóstico é "REAL", verdadeiro.

Como se uma vida inteira de esforço exaustivo pra parecer típico fosse evidência contra , e não a favor.

Bora lá mais um fio 🪡🧵

1
Fui diagnosticada tarde com 46 anos.
Não porque os sinais não estavam lá (estavam) mas porque eu sabia performar normalidade (eu achava que fazia isso MUITO bem)
E performance, descobri depois, não é o mesmo que funcionar bem.

Não há praticamente nenhuma política voltada para o envelhecimento de pessoas autistas (especialmente as diagnosticadas tardiamente) que passaram décadas sem suporte nenhum e chegam na terceira idade com um acúmulo de trauma mascarado.
Eu sei disso por mim mesma. Tenho família que me apoia, tenho psicóloga. E mesmo assim: crises, mutismo, isolamento, dificuldade de emprego.
A lei que visa condicionar direito a quem "parece funcional" está confundindo resultado com condição. O suporte é o motivo de eu parecer funcional.
Isso interessa aos planos de saúde.
Não a nós.
Sobre algo que está tramitando no Congresso e que me preocupa muito como pessoa autista.
A PL 3080/20 cria uma política nacional para TEA, mas com uma lógica problemática: condicionar suporte a quem "comprovar necessidade de acompanhamento contínuo".
O problema? Autismo nível 1 não significa independência. Significa que, com suporte, a pessoa consegue se virar. Sem suporte, ela pode "fluir" no espectro.
5
a gente fala muito em acessibilidade para autistas ( linguagem, questão sensorial, comunicação), mas a imprevisibilidade de um serviço que não aparece também é uma barreira, só que invisível.
E ninguém fala sobre isso.