Morre Carlos Mendes, o corajoso jornalista paraense que desvendou os mistérios da Operação Prato

Maior autoridade no jornalismo ufológico da Amazônia e editor do Ver-o-Fato, o escritor e imortal da Academia Paraense de Jornalismo faleceu em Belém após enfrentar um câncer. Mendes marcou a história ao desvendar os mistérios da Operação Prato

31 de maio de 2026 Emanoel Reis, Macapá – AP Editor – Contato: 96.98106.1147 – E-mail: [email protected]

O jornalismo paraense e a ufologia brasileira perderam, na manhã de domingo, 31 de maio, uma de suas mentes mais brilhantes e corajosas. O jornalista, escritor e ufólogo Carlos Mendes, editor do Portal Ver-o-Fato e imortal da Academia Paraense de Jornalismo, faleceu por volta das 9h, em Belém, após travar uma longa batalha contra o câncer e passar semanas internado na Unidade de Terapia Intensiva em decorrência de uma complexa cirurgia cerebral. Reconhecido nacionalmente como a maior autoridade jornalística sobre os fenômenos ufológicos na Amazônia, Mendes deixa um legado imensurável de reportagens investigativas de alto impacto, ética inabalável na apuração e uma profunda devoção à busca pela verdade, características que ditaram o ritmo de sua icônica trajetória profissional.

O ponto alto de sua carreira confunde-se com a própria história dos mistérios que rondam os céus da Amazônia. Mendes foi o pioneiro na investigação dos estranhos fenômenos que assombraram o norte do país entre 1977 e 1978, antes mesmo de as Forças Armadas deflagrarem a célebre Operação Prato. Suas andanças começaram no Maranhão e seguiram a trilha das misteriosas manifestações luminosas até o Pará, concentrando-se de forma dramática no município de Colares — localidade que ocultistas apontam como um suposto portal interdimensional. Com um gravador em punho e uma coragem rara, o repórter percorreu comunidades isoladas em Vigia, Santo Antônio do Tauá, Viseu e na ilha do Mosqueiro, em Belém, coletando relatos pavorosos de moradores que apresentavam marcas de furos na pele e severa perda de sangue, episódios que alimentavam o pânico coletivo.

A busca obstinada por respostas colocou Carlos Mendes no centro de tensões históricas. Sua presença incômoda nas áreas afetadas quase lhe custou a vida quando o padre norte-americano Alfredo de La Ó, que enxergava os discos voadores como manifestações satânicas, apontou-lhe uma espingarda. Pouco depois, com a chegada da Aeronáutica, o jornalista enfrentou o temperamento ríspido e o cerco informativo do capitão Uyrangê Holanda, líder da Operação Prato no 1º Comando Aéreo Regional. Mesmo sob forte vigilância e diante da censura governamental, que chegou a apreender mais de 250 fotografias de objetos voadores não identificados na redação do extinto jornal Estado do Pará — registros do fotógrafo José Ribamar dos Prazeres (ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo de 1984) —, Mendes nunca recuou.

Essas memórias de bastidores foram eternizadas em sua principal obra literária, o livro-reportagem “Luzes do Medo – Relato de um Repórter na Operação Prato”. Nas páginas da publicação, que se tornou fonte obrigatória de pesquisa científica, o escritor humanizou os personagens centrais daquela engrenagem militar e civil, destrinchando os dilemas do tenente-coronel Camillo Ferraz de Bastos e do Brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira. Ele também deu voz ao sofrimento silencioso de personagens como o psiquiatra Hernesto Póvoa e a médica Wellaide Cecim, que atendeu dezenas de feridos e foi duramente pressionada pelos militares para diagnosticar as vítimas com histeria coletiva, além de resgatar a trágica história de Luiz Hollanda, filho do capitão que se suicidou após revelar segredos do caso.

Contudo, a versatilidade de Mendes e seu olhar apurado para o comportamento humano iam muito além do universo ufológico. O repórter também foi a testemunha ocular de um dos episódios mais bizarros e teatrais da crônica urbana de Belém: o histórico embate entre o líder religioso Inri Cristo e o intelectual ateu Fernando Arara. Mendes documentou desde o tumulto na TV Guajará, que parou o trânsito no centro da cidade, até a fatídica manhã em que Inri subiu no monumento da Praça Dom Pedro II para atacar a Igreja Católica. O clímax do conflito, presenciado pelo jornalista, deu-se quando Arara desafiou o pregador aos gritos de farsante na porta da Catedral da Sé, culminando em uma invasão fanática ao templo, na depredação de imagens sacras e na consequente prisão de Inri Cristo por quinze dias. Anos mais tarde, Mendes registraria o desfecho trágico de Arara, atropelado por uma Kombi no bairro do Umarizal.

A partida de Carlos Mendes empobrece o jornalismo praticado com rigor técnico, respeito às fontes e paixão pela notícia. Admirado por gerações de colegas de profissão e pranteado por amigos e confrades que sentiram de imediato o vazio de sua verve inteligente, o editor do Ver-o-Fato despede-se deixando uma lacuna irreparável, mas com a certeza de que sua assinatura ficou gravada na história definitiva da Amazônia.

NOTA DO EDITOR:Conheci o jornalista Carlos Mendes em 1987, na MM Lima Comunicação & Jornalismo, agência de publicidade e editora de Impressos do Marcos Moraes de Lima. Ele estava acompanhado de seu amigo inseparável, o também jornalista Paulo Jordão — dois nomes que fizeram história na imprensa paraense. Anos mais tarde, de 1991 a 1993, Mendes foi meu editor-chefe no jornal Folha do Norte (integrante do então Sistema Romulo Maiorana de Comunicação) e, após algum tempo, nossos caminhos se cruzaram novamente na redação de O Liberal.Guardo excelentes lembranças de nossa convivência. Uma das mais marcantes é, sem dúvida, a sua paixão pela Ufologia. Foi ele quem me introduziu nesse universo ao me escalar para cobrir pautas sobre o tema na Grande Belém, despertando em mim um interesse que carrego até hoje.Carlos Mendes, Marcos Moraes, Walmir Botelho, Eduardo Mendes, Raul Tadeu… Aprendi muito com esses grandes mestres do jornalismo.Siga em paz, meu amigo! #carlos #jornalista #mendes #ofologia #pará #portal
Nehm an, alle sind glücklich darüber, dass VAR da nicht eingreifen darf, weil eine komplette Irrsinnsentscheidung am Feld so unverändert bleibt? #mendes #baypsg
近所 #MENDES