Logo vai embranquecer diante da janela
Passava das cinco, quando despertei. Abri a porta e fui lá para fora espiar o quintal. Chovia forte… Senti a baixa temperatura na pele e me lembrei do tempo em que eu me enrolava na manta vermelha para andar pela casa. Pensei em uma xícara de chocolate quente, mas a preguiça não me permitiu os movimentos necessários, até a cozinha.
Fiquei em pé, a vigiar o quintal, com uma xícara imaginária entre as mãos. Se não estivesse tão frio, andaria pelo quintal, tomaria chuva, beberia gotas das folhas.
Lembrei-me das vidraças molhadas — uma das minhas paixões. Na minha meninice, cheguei a usar a mangueira para molha-las. Ao fazê-lo, percebi que não era a mesma coisa. A maneira como a chuva molha o vidro é única e um esguicho não é capaz de imitar. É qualquosa de lágrima, como se a vidraça estivesse emocionada.
Eu passava horas e horas acompanhando o efeito da chuva no vidro. A maneira como escorriam e como alteravam a paisagem.
Na outra casa… havia janelas de vidro na parte frente e quando chovia, corria para lá. Era interessante enxergar o bairro umedecido. Percebi, no entanto, que tinha preferência por venezianas com suas folhas de madeira e a vidraça dividida em pequenos quadrados de madeira e vidro. A maneira como correm pelas laterais ao serem erguidas e se apoiam em “borboletas” metálicas. No outro dia, ao caminhar por aqui, “fotografei”
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