[💥 NOVO! 💥] | "Paris, utilizada como exemplo com bastante licença poética, está muito mais próxima da suposta dicotomia brasileira em prédios e casas, ainda que sem a disseminação de grandes condomínios-clube. A diferença sublime, no caso de Paris, é que ninguém se presta à defesa ultrajante de bairros centrais de mansões, simplesmente porque não parece existir nenhum. Existem edifícios de baixo gabarito, vários deles com apartamentos insalubres e minúsculos, bem como imensos subúrbios de casas. O dilema envolvendo espaço e localização é ditado pela estética, salvo algumas exceções, como a região de La Défense, uma espécie de centralidade de negócios, já fora dos limites de Paris, mas dentro da região metropolitana." | 🏷️ #cidades #adensamento #planodiretor | 🔗 Link: https://www.commu.site/blog/2025/01/22/bob_mauro_contorcionismo_urbanistico/
O contorcionismo urbanístico de Bob Fernandes e Mauro Calliari

Num cansativo zigue-zague, âncora e entrevistado vão de Paris a Balneário Camboriú, mas exageram no senso comum e se perdem nas próprias opiniões, nem sempre bem embasadas. Mais uma vez, é possível testemunhar a defesa de cidades contraditoriamente densas, mas pouco verticais

COMMU - Coletivo Metropolitano de Mobilidade Urbana
O que tem ficado nítido na nossa caminhada de quase 10 anos, é que a #esquerda paulista é alérgica a qualquer perspectiva mais radical. Mesmo alguns grãos de radicalismo, ainda que numa atuação completamente reformista e conciliadora, esbarram nas contradições internas de classe e renda do campo progressista. Com mandatos de esquerda sendo financiados por classes médias e altas reacionárias (proletários aburguesados, no máximo), há flagrante cooptação, levando ao esvaziamento por excesso de conciliação. É assim que a esquerda, no lugar de defender um plano diretor que ampliasse drasticamente a oferta de moradia, se aliou a associações de bairros com alguns dos m² mais caros do continente, interditando o debate para favorecer uma crítica rasa e exagerada à #verticalização e ao #adensamento.
É muito cômodo esperar alinhamento automático entre organizações quando: (i) não há discordância entre posturas problemáticas ligadas ao marco regulatório (caso de organizações de bairros "nobres" ou que aglutinam pessoas/associações de bairros "nobres"), com histórico de defesa de bairros-jardins e/ou rejeição a #adensamento; (ii) não há histórico de discussão qualificada em torno de #transporte público, principalmente de sistemas que atendem e moldam periferias; (iii) não há desconforto com discursos que privilegiam lutar contra pedágio em detrimento de reivindicações menos vagas em torno de #ônibus e/ou #trilhos; e (iv) não há solidariedade com outras lutas em torno de transporte público (como movimentos que imploram por uma estação no Jardim Ângela há cerca de duas décadas).