Uma floresta flutuante?

Em frascos de laboratório crescem colônias de cianobactérias, microrganismos cuja riqueza química pode dar origem a moléculas com potencial farmacológico. Durante seu treinamento na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Andrei Godinho andava com frascos no bolso para coletar água de poças esverdeadas, depois da chuva, e cuidava dos organismos até poder extrair suas substâncias e testar sua potencial ação anticancerígena em células tumorais. “No Brasil, ainda não pusemos no mercado um fármaco oriundo de moléculas da nossa biodiversidade de cianobactérias”, afirma. Imagem enviada por Andrei Celestino Godinho, estudante de graduação em biotecnologia na Escola de…

Cores do tempo

Em fatias de arbustos do Cerrado, o engenheiro florestal Tiago Gomes-Pinto experimentou maneiras de enxergar anéis de crescimento durante a graduação na Universidade de São Paulo (USP). Nessa parte subterrânea da planta Jacaranda decurrens – as partes aéreas são periodicamente eliminadas pelo fogo –, o método de coloração de Mäule permite enxergar ao microscópio de fluorescência, em verde, a lignina-S, que forma a parede celular das fibras. Em laranja aparece a lignina do tipo G, mais resistente e abundante no final de cada anel de crescimento. Partindo do princípio de que a cada ano se forma um anel, os pesquisadores…

Uma rede tóxica

Quem já se deparou com amendoim ou milho mofado talvez possa culpar o fungo Aspergillus flavus. Ele reveste a semente com um biofilme e produz uma substância cancerígena, a aflatoxina. Com uma nova técnica de microscopia desenvolvida por João Paulo Marques, o grupo coordenado pelo biólogo Gilberto Úbida Leite Braga, da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, consegue fazer a reconstituição tridimensional da matriz extracelular (verde) e das hifas fúngicas entremeadas (vermelho), que pode ser examinada ao longo do tempo. Com isso, busca formas de intervir nesse processo, investigando como o biofilme se desenvolve. O trabalho faz…

Borboleteando na Mata Atlântica

Em um intervalo do trabalho de campo na serra fluminense, em uma reserva privada onde funciona o Projeto Araçá, a bióloga Junia Yasmin Carreira saiu com a câmera fotográfica. Por uma manhã inteira, ficou de tocaia e perseguiu as poucas borboletas que encontrou da espécie Euptychia boulleti. Conseguiu fotografar e, ao enviar ao biólogo André Freitas, coordenador do Laboratório de Ecologia e Sistemática de Borboletas da Universidade Estadual de Campinas (Labbor-Unicamp), teve uma surpresa: ele afirmou não existirem registros fotográficos oficiais do animal vivo, embora a espécie tenha sido descrita há pouco mais de um século. O registro e o…