Meu pensamento, ao acaso, vagando
Certa vez me disseram que conhecer uma pessoa leva tempo… uma vida inteira. Talvez duas ou três! Na época, eu me diverti com a frase, sem pensar muito a respeito. Passaram-se os dias, os meses, os anos — todos os movimentos de rotação e translação ao redor de si e dos outros. Giramos tanto que o cérebro nem consegue processar tudo.
E nesse giro, encontramos pessoas. Algumas são como pássaro. Migram para a minha vida por um instante e foram embora no outro. Outras ficaram um pouco mais. Sei apenas que ficaram e depois se foram, levando tudo de si. São essas as que me causam desconforto. Preciso que deixem qualquosa de si. Nem que seja uma migalha…
E há pessoas que chegam, se espalham e vão ficando. Só vão embora quando são arrastadas para longe. Não queriam ir, mas não tiveram a opção de ficar. É difícil vê-las partir, mas ao menos elas deixaram suas marcas.
E tem essa menina-mulher-poeta que eu chamo de encantadora de pássaros. Ela tem um beija-flor de estimação e sabê-la é um presente. Adoro as notícias que chegam de seu quintal. Nossos mundos estão longe em quilómetros, mas perto na alma.
Eu não atraio pássaros para as minhas mãos. Sou apenas uma observadora. Olho o voo entre os galhos, a folha que cai no chão em seu último suspiro e a semente que vinga no solo. Aprendo com os ciclos. Com a vida, com a morte e com tudo o que fica pelo caminho.
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