O Devir

@odevir
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Ler trechos ou apenas excertos é contraproducente. Valide o contexto.
Reconhecer o erro é o mesmo que atestar a inutilidade da formação acadêmica. Para escrever as bobagens que eles publicam diariamente, basta ser semialfabetizado, nem precisa de diploma. Mas, mesmo limitadíssimos, fazem questão de colocar nos créditos: formado em jornalismo pela Faculdade X, com especialização Y. Que vergonha alheia!
Até o presente momento, nenhum dos portais de notícias ou emissoras de Belo Horizonte emitiu uma errata formal ou um pedido de desculpas à família de Leonardo Vieira de Lima.A postura dos veículos de comunicação frente aos erros apontados segue o exato padrão corporativo criticado ao longo do texto publicado: o silêncio institucional e a manutenção das matérias incorretas no ar.
No ecossistema de comunicação de Belo Horizonte, os erros de perfilamento social, geográfico e econômico sobre o caso de Leonardo Vieira de Lima foram publicados e compartilhados principalmente por emissoras de rádio de grande alcance, portais de notícias de coberturas locais e páginas de redes sociais focadas em plantões policiais diários.
Por isso, as pressões mais eficazes têm ocorrido fora dos tribunais, via movimentos de Brand Safety (Segurança de Marca) e boicotes digitais organizados, que forçam os anunciantes a retirar as verbas antes mesmo de uma sentença judicial transitar em julgado.
A resistência dos tribunais em punir os anunciantes diretamente ainda é um obstáculo. Muitas decisões judiciais tendem a isolar a responsabilidade apenas no veículo de comunicação, sob a justificativa de que a marca comprou espaço publicitário "às cegas" ou que não tem controle editorial sobre o conteúdo do programa.
As grandes marcas multinacionais, bancos de primeira linha e montadoras de veículos evitam esses programas devido a políticas rígidas de Brand Safety (segurança da marca). Elas não desejam ver seus logotipos associados a poças de sangue, corpos ou discursos de linchamento público. Isso faz com que os programas dependam de patrocinadores com menor escrúpulo institucional, que aceitam financiar o ecossistema do pânico em troca de vendas imediatas.
Os anunciantes que sustentam financeiramente os programas policiais de apelo sensacionalista seguem uma lógica de mercado baseada na monetização do medo e da vulnerabilidade urbana. As marcas que compram cotas de patrocínio nessas atrações buscam um público consumidor de massa e se aproveitam do estado de alerta gerado pela própria programação.
Essas atrações geram faturamento milionário por meio de patrocinadores que vendem segurança privada, seguros e produtos populares. Além disso, criam um ecossistema de medo que serve de palanque para a eleição de parlamentares com discursos punitivos simplistas. Quando o erro é desmascarado meses depois e a inocência é provada, o programa já mudou de pauta e nunca dedica o mesmo tempo de tela para limpar o nome do injustiçado.
A chegada de suspeitos à delegacia é coreografada para as câmeras. Pessoas algemadas são expostas de forma vexatória, sendo forçadas a responder a interrogatórios agressivos feitos por repórteres que agem como promotores de justiça.
O contraditório é visto como um obstáculo à velocidade da notícia. O programa assume o Boletim de Ocorrência ou a fala preliminar do policial militar no local como verdade absoluta, sem espaço para a defesa ou para perícias técnicas posteriores.