https://www.cnnbrasil.com.br/politica/lula-sanciona-lei-que-proibe-uso-de-linguagem-neutra-pelos-governos/

Ou seja: em "textos de órgãos e entidades da administração pública de todos os entes federativos", fica proibido o tratamento correto para se dirigir a pessoas como eu; o único jeito de não nos maldenominar seria pelo meio de contornos, os quais muitas vezes geram linguagem que parece mais forçada do que a marcação correta.

Não só isso, como também incentiva a linguagem mascunormativa como correta, porque "é mais simples" usar linguagem associada a ser homem para se dirigir a todes em comparação com alternativas que questionam tal hegemonia.

#neolinguagem

Lula sanciona lei que proíbe uso de linguagem neutra pelos governos

Medida se aplica à administração pública de todos os entes federativos; dispositivo faz parte da Política Nacional de Linguagem Simples

CNN Brasil
e pra quem quiser ver um comentário um pouco maior: https://www.reddit.com/r/transbr/comments/1p0an6o/comment/npi707o/

O que mais me deixa apavorade é o monte de gente cisdissidente que acha que tá tudo bem. "Ah, mas não faz parte das normas gramaticais mesmo", "bom, é importante deixar a linguagem simples para todo mundo entender"...

Nunca existiu nenhuma norma ditando o uso da neolinguagem em tais documentos. Ainda é algo muito pontual (e, quando redigido por pessoas que não usam neolinguagem no dia-a-dia, mal feito).

O uso da neolinguagem em documentos oficiais sempre foi uma iniciativa individual que muitas vezes era editada fora do documento final.

Mas o governo validou *nacionalmente* um argumento que justifica a maldenominação de uma população vulnerável.

O governo está passando a mensagem: é mais importante proteger a língua de variações gramaticais do que questionar o exorsexismo e o machismo embutidos em tal língua.

O governo está passando a mensagem: é mais importante proteger populações que não são familiarizadas com ou que não estão confortáveis com uma forma de escrever e falar que advém de comunidades cisdissidentes e feministas do que validar os pontos levantados por essas lutas problematizando a língua padrão.

Além disso, vários dos termos usados para orientações, identidades de gênero e conceitos relacionados com justiça social não estão oficialmente inclusos na língua padrão. A lei em questão só fala de flexões gramaticais, mas ela abre um precedente para evitar (ou quem sabe, eventualmente, proibir) engajar em ações que valorizem várias formas de diversidade, porque a linguagem "precisamos manter uma linguagem simples para facilitar a comunicação e alcançar pessoas normais" não é só usada para silenciar usuáries de neolinguagem.