Dissolve a inquietação no azul

Fui até a prateleira buscar um poeta e voltei com Baudelaire. Fazia tempo. Preparei uma xícara de chá, sentei no canto da mesa e comecei a ler, saboreando as palavras entre os goles.

Lembrei que seus versos já foram condenados. As Flores do Mal chocou a todos ao retratar a decadência urbana e humana. A sociedade da época não era incapaz de entender; o problema é que, assim como hoje, existiam fiscais da moral. Gente que preferia proibir o livro a enxergar as próprias misérias no espelho.

A obra-prima levou vinte e sete anos para ficar pronta. Baudelaire começou aos vinte e terminou aos trinta e seis. Não havia pressa em seus passos, apenas um cuidado extremo.

Cartas antigas revelam o longo processo de correções rigorosas, reescritas e rascunhos destruídos. O “poeta maldito” buscava a perfeição e a alta consciência poética. Deixou o tempo trabalhar a favor da sua arte.

Será que os poetas desse nosso tempo, seriam capazes de tal feito?

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