Review de Série: FOR ALL MANKIND – 5ª Temporada
For All Mankind – Season 5 (2026)
Elenco: Joel Kinnaman, Cynthy Wu, Meirelle Enos, Coral Peña, Edi Gathegi, Toby Kebbell, Sean Kaufman, Ruby Cruz, Edi Gathegi, Wrenn Schmidt, Costa Ronin, Krys Marshall, Svetlana Efremova, Daniel Stern, Ines Asserson
Criação: Ronald D. Moore, Ben Nedivi, Matt Wolpert
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5,0
ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a 5ª temporada de For All Mankind, o texto a seguir contém alguns SPOILERS.
SINOPSE
Em 2012, nove anos após o roubo do asteroide Cachinhos Dourados, a colônia Vale Feliz, em Marte, prosperou substancialmente. No entanto uma rebelião armada no local, provocada por interesses corporativos, colocará em risco a histórica missão tripulada em busca de vida na maior lua de Saturno, Titã.
COMENTÁRIOS
Com a confirmação de que a vindoura 6ª temporada de For All Mankind será a última, não tem como deixar de pensar de que os eventos deste 5º ano preparam o terreno para algo que, no contexto desta realidade alternativa onde a União Soviética colocou o primeiro homem na Lua e a exploração espacial deu um salto exponencial, será no mínimo gigantesco. O que cria um grande problema para os realizadores, em termos de atender às expectativas que eles mesmo criaram.
Como já se antevia na temporada anterior, a colônia marciana Vale Feliz ocupou o centro da trama, sendo palco de momentos de tensão e violência graças à descoberta, pelos habitantes locais, de que as nações e corporações que administram a operação pretendem automatizar os trabalhos e levar os trabalhadores de volta à Terra. Isso dá origem a uma nova, e aparentemente definitiva, revolta em busca de autonomia. No meio disso tudo o veterano ex-astronauta Ed Baldwin (Joel Kinnaman), com câncer terminal, enfrenta o peso de suas decisões enquanto a nova geração de sua família, representada pelo jovem Alex Baldwin (Sean Kaufman), o substitui como elemento propulsor da narrativa.
Aliás, além de Baldwin, a atenção dispensada a outros jovens personagens como Lily (Ruby Cruz) e a marine Jarrett (Ines Asserson) demonstra o esforço da produção em focar em uma nova geração, que deverá conduzir as ações na temporada final. Isto, no entanto, é feito boa parte do tempo em episódios arrastados no seu terço intermediário (uma maldição que aparentemente afeta 90% das atuais narrativas serializadas). Muito, mas muito tempo mesmo, é gasto no desenvolvimento desses personagens e principalmente na preparação da guerra aberta pelo controle de Vale Feliz, que acontecerá apenas nos episódios finais.
Alex (Sean Kaufman), Lily (Ruby Cruz) e Jarrett (Ines Asserson): a nova geração de For All MankindEste foco muitas vezes excessivo no conflito marciano (ou em seu prelúdio) sacrifica outras coisas que gostaria de ver mais na tela, como o complexo de mineração no Cachinhos Dourados ou mesmo algo substancial das Nações Espaciais Independentes (ISN), organização da qual faz parte o Brasil e que, para a exploração espacial e a colonização de Marte, equivale aos BRICs da nossa linha de tempo. A ênfase nos dramas e disputas geopolíticas acaba suplantando um dos aspectos que mais me agradam na série (além da elevadíssima competência técnica para a criação realista de seu mundo) e que até justifica seu título – a exploração espacial, o mergulho no desconhecido e a possibilidade de não estarmos sozinhos no cosmos.
Felizmente, além de ser o palco da rebelião em Vale Feliz, Marte serve como ponto de partida para a missão tripulada mais ambiciosa mostrada na série até aqui, a expedição rumo a Titã, que tem como piloto Kelly Baldwin, a filha de Ed e mãe de Alex. A chegada da nave Sojourner à lua de Saturno, que acontece apenas no final do episódio sete, é um dos pontos altos da temporada, que para mim só é suplantado pela conclusão do season finale. Enquanto as comunicações estão interrompidas devido à guerra, os astronautas fazem a descoberta científica mais importante de todos os tempos: células microbianas baseadas em metano, e não em carbono, o que prova que nem toda a vida se desenvolveu no universo da forma como concebemos.
Após a cessação das hostilidades, as transmissões da Sojourner chegam a Marte e à Terra, revelando não apenas a histórica descoberta, mas também a trágica morte de Kelly, que devido à escassez de oxigênio para que todos os três astronautas retornassem à nave, decidiu se sacrificar e ficar no local da descoberta. Em sua última e tocante imagem vemos a piloto entrar em um lago de metano, sendo lentamente cercada por micróbios bioluminescentes.
Como de hábito, na cena final do episódio há um salto temporal, agora para 2020, revelando uma nave espacial abandonada, a Mars-94, originalmente enviada a Marte durante a corrida espacial da 3ª temporada, voltando repentinamente a funcionar. O computador da nave inicializa com um texto em russo fazendo referência a “Nikulov” – provavelmente se referindo a Sergei Nikulov, o falecido contato e amante de Margo Madison (Wrenn Schmidt), ou pelo menos a algum projeto relacionado a ele.
Sem dúvida um gancho intrigante para a fase final do programa que, caso os realizadores atendam pelo menos às minhas expectativas, poderá se concentrar na possibilidade de que o universo esteja coalhado de formas de vida distintas, inclusive inteligentes. As cinco temporadas de For All Mankind estão disponíveis no streaming Apple TV, com imagem 4K HDR/Dolby Vision e áudio Dolby Atmos sem custo adicional para o assinante – algo que sempre gosto de destacar.
Jorge Saldanha
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