Hoje passei por uma publicação de uma organização militante anarquista revolucionária na qual havia uma tirinha em que Nestor Makhno voltaria à vida magicamente no Brasil e sentiria raiva do anarquista "pequeno-burguês".
A caricatura desse pequeno-burguês era usar um boné da USP, usar gênero neutro e falar em veganismo. Depois defendia Lula.
A moral da história é que o verdadeiro militantismo deve estar com o povo e não se deixar levar pelas ideologias burguesas...
Entendo essa tirinha como um desserviço inacreditável. Serve para que as poucas pessoas que já consomem esse conteúdo possam acariciar seus egos na sua certeza de estarem entre os "bons" militantes. É um ato de identitarismo, ironicamente.
E, também, para afastar as pessoas que poderiam se interessar em somar com essa organização mas que não vão abrir mão das outras lutas.
Eu sinto dizer, mas o povão não é anarquista, não é revolucionário e é muito mais "normal" (ou "popular") ir para universidade do que militar em organização revolucionária.
Por outro lado, as pautas que não a classe - o antipatriarcado, anti-heteronormatividade e também o antiespecismo - não são menos importantes do que a questão de classe e há muita gente de classes populares que entendem isso e lutam contra essas opressões também. Insinuando que essas lutas são elitistas se silencia a luta dessas pessoas - veganas de classe trabalhadora, LGBTQIA+ de classe trabalhadora. E se desestimula que essas pessoas se interessem em articular suas lutas com as lutas classistas.
E também mostra que esse entendimento de que "classe é tudo" também não consegue entender que os animais são parte da classe trabalhadora, também são explorados. Pelo que parece, também não entendem a gravidade da questão ambiental - e por consequência também não entendem a questão indígena.
Não é por aí. Popularizar a luta significa articular as diferentes pautas.
Melhorem.
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