Onde estão as minhas músicas?
Com um clique… liguei o som para ouvir Mercedes Sosa! Tudo tão rápido… digital. Som perfeito e ao alcance de um pequeno gesto. Sou envolvida pela melodia e pela força dos versos: Y el sol siempre saldrá | Mientras que a alguien le queden ganas de amar…
Eu sou do tempo em que precisava escolher um disco e removê-lo da capa de papelão. Passar uma flanela nas linhas invisíveis aos olhos e posicioná-lo no velho Gradiente. Conduzir o braço com sua agulha-fina-de-cristal até a ponta do disco… para ouvir um chiado melancólico que antecipava as notas.
Os famosos long plays continham seis ou sete músicas de cada lado. Quando chegava ao fim… ficava rodando e rodando e rodando e rodando. Os aparelhos mais modernos desligavam ao final da última música. Não era o caso da minha pequena sonata, que se parecia com uma malinha, na cor azul.
Para ouvir o lado B do álbum… eu precisava pegar o disco com as duas mãos e girá-lo no ar — numa manobra malabarista, que eu aperfeiçoava a cada movimento (pausa para o riso) reposicionando-o no pick-up.
Eu tive algumas caixas cheias de discos. As capas estilizadas contavam a história da banda ou de uma das músicas. Eu organizava os meus discos por ordem alfabética… A escolha era feita acordo com o dia ou com o momento. Sabia a sequência das faixas e, mesmo não gostando de todas as músicas, ouvia uma a uma…
Acho que naquele tempo eu não ouvia músicas no repeat, como hoje, que com um simples toque, deixo a música ressoando incontáveis vezes pelos ares.
Hoje, as músicas estão nas nuvens e se ouve tudo e nada. Mas, uma coisa permanece inalterada: a minha realidade continua pautada por trilhas sonoras…
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