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Blogue sobre o património natural e cultural da região de Sicó

O chá foi introduzido no Japão no Período Kamakura por monges budistas como uma bebida medicinal. A cerimônia do chá que desenvolveu-se ao seu redor, todavia, é algo singular ao Japão.
Foi imaginada por Murata Jukò que serviu ao shogun Ashikaga Yoshimasa (falecido em 1490). Juko acreditava numa vida de clausura em harmonia com a natureza e os fenomenos naturais.
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História cultural do Japão, uma perspectiva
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Para ser símbolo do poder de um chefe, o castelo não devia estar equipado apenas com um torreão de vigia mas devia tornar-se, também, um verdadeiro centro de artes plásticas como a arquitetura, a escultura, as artes industriais, pintura e jardinagem, todas contribuindo esteticamente para o todo. O castelo perdia, assim, freqüentemente, seu caráter militar em favor de um cunho mais político e espiritual.
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História cultural do Japão, uma perspectiva
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O budismo de Zen diferiu de outras seitas budistas na sua ênfase em treinamento e disciplina individuais. A arte das Dinastias Sung e Yüan, que os monges Zen haviam trazido ao Japão junto com a religião, era orientada mais no sentido da apreciação do que no do culto. Estes novos aspectos associados ao Zen foram facilmente adotados pela cultura guerreira.
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Fronteira

Bateu a porta com força a mais. A respiração curta, entalada na garganta.

— Duarte. Duarte?

Eu estava na sala. Levantei os olhos.

— Guida. O que foi?

Ela andava de um lado para o outro. Com o casaco ainda vestido e os ruídos da rua engarrafados nela.

— O João. Lá do escritório. Cansa-me. Cansa-me a paciência toda. Acha que o mundo inteiro lhe pertence. Acha que tudo tem de ceder.

Acompanhei o movimento dela, focado nas suas mãos inquietas.

— E isso irrita-te. Porquê? — suspirei. — Está a provocar-te? Devo ter ciúmes?

Ela parou. Não fosse a gata a ronronar, só haveria silêncio naquele instante.

— Não.

Depois.

— Sim.

E logo a seguir, num sopro.

— Não. Chiça, Duarte! Ele não tem limites. Não tem modos nenhuns.

— Então. Se não estás irritada. Se ele só provoca. E se eu não devo ter ciúmes… — confesso que tive que me conter, porque eu não via nenhum problema e considerei que o problema dela era achar que eu assumiria a situação como um problema. — A liberdade não usa trela. Está tudo bem, Guida. Ignora.

A Guida olhou para o chão. Para a gata. Para a geometria da luz no chão e a sombra da gata.

— Devias ter ciúmes.

Afinal estava errado. O problema, a irritação dela, era de saber que eu não iria rotular esse acontecimento como um problema.

— Não. Ter ciúmes seria não confiar em ti.

Dizem do ciúme. Que é a sombra do amor. Mas o ciúme não é amar. É fechar a mão sobre a coisa. Ter, possuir. Ciúme é o contrário de confiar.

— E se eu não confiar em mim?

Ficou dito. O ar fechou-se, denso. A revelação de uma falha. Uma fissura. Andamos cheios de areia. Um deserto inteiro do lado de dentro da boca. Secura.

O hábito antigo de não ter água. E quando a água finalmente aparece. Quando há, de repente, uma nascente. A sombra onde repousar. Hesitamos.

— Se não confiares em ti? Nunca te vi insegura. Nunca te vi hesitar. Onde está a dúvida, Guida? Ela recuou um passo. Um passo mínimo, impercetível.

— Não sei. Não sei. A maneira como ele fala com as outras. Hoje, comigo… transbordei. Saltou-me a tampa. Só isso.

— Fronteira. Estabelece uma fronteira. Uma fronteira nunca é uma meta. É outra coisa.

Margarida conformou-se. Devagar. O corpo começou a perder a tensão.

— Sim. Não é para chegar. É para saber até onde se pode ir.

Aproximei-me e senti o ar menos denso.

— E eu, Guida. Até onde posso ir eu?

Ela levantou o rosto. A olhar-me nos olhos com facies atrevida.

— Até onde te levares.

Não. Não vou dizer para onde fomos.

@almacaeira

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Apenas isso

A entrevista com a Patrícia, levou-me a tecer uma conclusão: é apenas exercício. O sexo sem o resto é só exercício físico, disse a Guida. Um treinador no tapete da sala. O corpo contra o corpo.

Estás com ideias, Guida. Perguntei.

A Guida olhou a poeira suspensa no ar. O sol que espreita pela janela. Não. Nada disso, disse ela. Faltava a outra parte. A linha que prende. Ficaria sempre uma coisa a meio. Incompleta.

Mas há sempre um envolvimento, disse eu. Fica sempre qualquer coisa na pele. Pode não ser o amor. Não será o amor. Mas tem de existir a vontade. A fome. O interesse de ali estar.

A Guida respirou devagar. Os ombros baixaram uma fração. Sim. A natureza crua e carnal. É natural, disse ela. Mas com o amor. Com o amor a coisa levanta-se do chão. Torna-se arte.

A minha mente ficou a divagar entre imagens de ficção e outras recuperadas de memórias. Foste muito ao fundo agora, Guida. Foste ao fundo.

Ela voltou a cara para mim. Os olhos parados. Não tenhas medo, disse. Não temas. Vais ser sempre o meu treinador. O meu.

@almacaeira

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Embora seja um produto da herança cultural do Oriente, a cultura japonesa é notada, não obstante, por sua singularidade. Se alguem tentasse caracterizá-la em poucas palavras, poderia dizer que ela revela uma preferência pela graça interna em oposição ao esplendor externo.
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História cultural do Japão, uma perspectiva
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A ordem do tempo
Carlo Rovelli
3ª republicação, Fevereiro 2022
Penguin Random House
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A visão da realidade é o delírio colectivo que organizamos, evoluiu e mostrou-se bastante eficaz para nos trazer pelo menos até aqui. Os instrumentos que encontramos para o gerir e para tomar conta dele foram muitos, e a razão mostrou-se um dos melhores. É preciosa.
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A ordem do tempo
Carlo Rovelli
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A hipertrofia dos lobos frontais é grande, permitiu-nos chegar à Lua, descobrir os buracos negros e reconhecermo-nos primos das joaninhas; mas ainda não chega para esclarecermos o que somos.
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A ordem do tempo
Carlo Rovelli
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