Um bando de demônios maliciosos
Assisti a um filme no qual tropecei no começo do século: Melhor é Impossível. O que me fez assistir, na época, foi a presença de Jack Nicholson no elenco. Ele interpreta um escritor que vive em seu mundo particular, totalmente permeado por neuroses. Seu único contato com o mundo real é uma garçonete, interpretada pela maravilhosa Helen Hunt.
Udall vivia preso em si mesmo até que um cãozinho atravessou seu caminho, após o vizinho sofrer um assalto. O bicho, minúsculo, virou um gigante. Faz o escritor ser alguém melhor, libertando-o de algumas de suas amarras e permitindo que a garçonete finalmente o veja como uma pessoa de verdade.
O escritor não é totalmente indiferente às suas limitações. Ele sabe de suas feridas e aceita que, talvez, “melhor é impossível” — o que dá nome ao filme. Existem razões para aquele homem ser como é, mas o filme não as revela. Não sei quais são as causas de seus tormentos, mas torci muito para que ele as superasse. Não para que fosse perfeito. Apenas para que fosse capaz de andar pelas calçadas sem precisar desviar das linhas no chão. E é o que ele faz ao abrir a porta para a mulher que ama. Ela não precisava que ele fosse melhor. Ela sabia que contos de fadas não existem e que a vida real, no fundo, é apenas aquilo que é possível.
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