ENQUETE PARA AUTISTAS

Se não for autista, não responda

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Temple Grandin, acadêmica na área de zootecnia, é pessoa autista e também se dedicou a estudar de forma independente, mas apaixonada, as particularidades do espectro.

Grandin é particularmente fã da abordagem cerebralista, apresentando seus argumentos em alguns livros, um deles notavelmente "O cérebro autista: pensando através do espectro". Para ela, o cérebro é a casa do autismo e os avanços na neurociência irão, inevitavelmente, contribuir para a definição de um diagnóstico com marcadores biológicos via tomografia.

Uma particularidade da sua proposição é que o cérebro autista seria hiperespecializado em algum tipo de conexão, dando origem a três formas prioritárias de pensar pensamentos: verbal-lógica, visual e em padrões.

  • Verbal: Os autistas que pensam prioritariamente em lógica verbal não costumam ter atraso de fala, têm excelente conhecimento de palavras, facilidade em aprender idiomas estrangeiros (especialmente as modalidades escrita e lida), guardam uma extensa lista de fatos, e têm uma voz interna forte, categorizando coisas por palavras. Frequentemente, têm dificuldade de pensar visualmente e costumam ter dificuldades com desenhos e pinturas - mas não é uma regra.

  • Visual: pessoas autistas que pensam primariamente visualmente, como a própria Grandin, não pensam em palavras, mas em imagens vívidas em sequência. Muitos têm memória fotográfica, costumam categorizar coisas com base nas imagens de objetos concretos, mas podem também encontrar padrões em imagens. Têm especial dificuldade com linguagem abstrata que não possam associar a objetos.

  • Em padrão: típico de autistas com boa capacidade matemática, campeões de xadrez e programadores, têm prioridade de pensar em esquemas não-verbais e não necessariamente visuais, enxergando padrões e agrupando coisas em categorias matemáticas ou musicais. Costumam ter gosto por linguagem não-verbal e podem ter ainda mais dificuldade com a linguagem escrita que os visuais.

Obviamente, são classificações genéricas, que não definem as pessoas, nem são capazes de estabelecer um destino, já que a educação é um processo insistente e paciente que pode lançar mão de diversas táticas auxiliares.

Dito tudo isso, qual sua forma prioritária de pensar?

Verbalmente: minha cabeça é um rádio
64.1%
Visualmente: minha cabeça é exposição de quadros
12.8%
Em padrões: procuro esquematizar em grafos tudo
23.1%
Poll ended at .
@marte poxa, eu sinto que tenho é deficit visual e verbal D:
@marte mas ouço repetições tocando e voz interna o tempo todo, comum também serem trechos de livros com a voz interna da minha cabeça narrando. Porém, mais recorrente são falas vistas em mídias da mesma forma que ela aparece na mídia.

@marte então, votei em padrões pois é o que os outros parecem mais enxergar em mim, a família diz que sou muito observador e atento em detalhes, acho que se encaixa apesar dos detalhes serem visuais (mas, com agnosia de cor, reconhecendo poucos rostos e outros, acho que há deficit visual).
Conseguia, quando trabalhei em design, replicar estilos muito facilmente, apesar das cores eu precisar copiar os códigos delas para ficar igual.

A infância foi em muitas fonos para eu falar "direito" e repetir mais palavras, apesar de já ler e ter bom repertório escrito... Porém, escrevendo garrancho devido a incapacidade motora de movimentos finos.

Mas acho que o que fica mais destacado, e o que a psicóloga acha também, é rigidez aplicada em situações de injustiça, ou em regras de segurança. Sou muito a pessoa que cobra e ajeita tudo de acordo com normas de segurança, além de desde a infância já ter até aparecido no jornal da cidade, por ter cobrado primeiro asfalto na minha rua, depois pela colheta seletiva.
Me metia em muita encrenca social na infância, incluindo brigas com outras crianças por motivos de ver elas prejudicando terceiros, incluindo o filho de um prefeito em itaguai RJ, que meti 3 socos nele :v.

Não tenho facilidade com matemática, sou mediano, mas aprendo jogos muito rapidamente, apesar de também ser mediano em todos. Eu não me destaco nesse aspecto, mas observo muito e imito muito.