@Auster !tecnologia

Sou @dsilverz e estou comentando por um perfil alternativo (Friendica) porque sua instância (brainbin) está retornando um erro na hora de eu puxar pelo Sharkey. Não sei nem se essa resposta vai entrar como resposta porque faz mó tempo que não uso o Friendica.

Com relação ao fio e à pergunta: eu tava querendo algo similar, antes da Lei 15.211. Pra mim, aparelhos como o Librem da Purism, para quem usa Linux no dia-a-dia, é perfeito: se no Android eu já sou acostumado a usar Termux e até programar e compilar programas em C++, um smartphone Linux seria uma plataforma para extrair ainda mais funcionalidades do aparelho.

Existem, porém, dois problemas com esses aparelhos.

Primeiro, preço: cotado em dólar ou euro, pra nós que cotamos em reais, o que acaba talvez inviabilizando o custo-benefício, a considerar que um dispositivo móvel tem uma vida útil de poucos anos e pouca margem de upgrade, em comparação, por exemplo, a um computador desktop ou um laptop, que pode durar décadas e permite upgrades. Com essa crise global dos chips provocada pelas empresas de IA e que aumentou o preço de tudo que envolve memória RAM (incluindo smartphones), a tendência é que acabe saindo ainda mais caro pra gente aqui no Brasil.

Há também o problema "burocracia": é bem improvável que esses aparelhos tenham uma homologação da ANATEL, e se não me falha memória (me corrijam se eu estiver errado), só CNPJ de importadoras podem solicitar homologação de modelos, e essa solicitação tem um custo, e esse custo monta-se sobre o custo de adquirir o aparelho em si, e do frete, e das tarifas de importação, e etc. Isso se a homologação for aprovada, porque a ANATEL pode muito bem indeferir e o aparelho acabaria não sendo permitido operar no Brasil.

Daí o pessoal fala de instalar custom ROM em aparelhos. Isso, também, abarca vários dilemas.

Primeiro deles são os shenanigans referentes a desbloqueio de bootloader. Motorola, por exemplo, exige que a pessoa usuária solicite permissão (como se o celular não fosse dela comprado com o dinheiro dela) para desbloquear o bootloader e há um chá de cadeira de uma semana. Samsung tem literalmente um fusível na CPU que queima no momento que o bootloader é desbloqueado ("Ah, mas isso só desativa o Samsung Knox para Sua Segurança™", os fanboys da Samsung alegam). Realme, que se não me engano era referência para smartphones customizados, passou a queimar fusível também.

Então há também o fator "internet banking" e "Gov.br". O último, inclusive, se recusa a abrir até mesmo com um simples "Modo desenvolvedor" ativo. Esses apps dificilmente rodam (se rodam) em um sistema operacional "não sancionado" pelas corporações e governos; obviamente, justificam, é Para Sua Segurança™! Exigem Play Integrity, Google Play Services (microG nem sempre funciona para contornar isso), além de telemetria, permissões invasivas ("Ativar proteção de chamadas, sim ou agora não?", escanear dispositivos próximos, permitir acesso à fotos na galeria potencialmente íntimas, permitir acesso à câmera pra reconhecimento facial que nem sempre funciona, etc).

Dado que muitas vezes usamos um smartphone porque somos obrigados por regras sociais absurdas (alguns exemplos: a empresa onde a pessoa trabalha exige conta em um banco específico, que por sua vez exige um token que por sua vez exige o app, que por sua vez exige o Android ou iOS; ter um carro e/ou CNH exige o app Carteira Digital de Trânsito que exige Android ou iOS; assinar carteira de trabalho exige o app Carteira de Trabalho Digital que por sua vez exige Android ou iOS; determinadas coisas de atendimento médico exigem o cartão SUS que por sua vez exige o app MeuSUS que por sua vez exige o Gov.br que por sua vez exige o Android ou iOS), já que, não fosse isso, um computador daria totalmente conta do recado (afinal, como fazíamos coisas digitalmente entre meados dos anos 90 e 2005, quando do lançamento do primeiro "smartphone"?), acabamos soterrados pela exigência social de usar um "smartphone socialmente sancionado", ou enfrentamos ostracismo social e desemprego.

Com essa nova lei (que é uma fotocópia de lei estadunidense, como muita coisa que o Brasil copia dos EUA) que explicitamente requer todos os sistemas operacionais (incluindo Linux e até mesmo sistemas operacionais nichados como illumos ou sistemas operacionais embarcados RTOSes) validar idade da pessoa usuária "vedada a autodeclaração" (portanto, Brasília implicitamente está exigindo absurdos como reconhecimento facial via CLI de um container no Docker ou upload de foto de CPF por RS232 na instalação de um RTOS; algumas distros Linux já estão debatendo sobre como implementar um mecanismo de age bracket), a tendência é que até mesmo os sistemas mais abertos possíveis (tipo um GNU Hurd) vão se fechar ou se tornar crimes. E isso afeta GrapheneOS, /e/OS, LibremOS, OpenHarmony (Huawei), entre outros.