Com os olhos fechados e o coração aberto
Gostava que me vissem como sou.
Mas ninguém vê o que sou.
Veem o que projetam. O que esperam. O que precisam. O que temem.
Vêem-me com os olhos deles, e os olhos deles não são os meus.
Gostava que me vissem sem moldes.
É estranho…
Todos me dizem “és especial” — mas nunca me perguntam porquê eu me acho tão comum.
Todos elogiam partes, recortam fragmentos, dizem que amam isto ou aquilo em mim — mas eu não sou partes.
Sou o todo que as une.
Todos me veem com os olhos de cada um.
E é sempre uma versão editada de mim.
Como se me vestissem com roupas que não escolhi,
e depois esperassem que eu agradecesse o gesto.
Queria, sim.
Queria que me vissem como sou:
com as minhas falhas sem poesia,
com os meus dias sem encanto,
com a minha lentidão para acreditar outra vez.
Talvez não exista o ver exato,
mas exista o sentir certo.
Mas, quiçá um dia alguém me veja com os olhos fechados — e me sinta de coração aberto.
@lorentz.pa
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