Se tivesse que nomear um momento marcante da passagem de Plutão por Capricórnio eu escolheria o internamento em Psiquiatria no Hospital Egas Moniz na sequência de um surto psicótico e que permitiu o diagnóstico de uma psicose ou de Distúrbio Psicótico com Delírios e Condicionante Fisiológica Conhecida.

Obrigou-me a encarar de frente a minha saúde mental com a ajuda de um Psiquiatra e de medicação anti-psicótica. Tomo Risperidona e Rivotril ao deitar que também ajuda na minha epilepsia.

A Condicionante Fisiológica conhecida era a epilepsia e o VIH, ambos já conhecidos e em tratamento à data do surto psicótico.

O que se desconhecia era a sífilis latente ou sem sintomas até ter chegado à neurossífilis sintomática. Esse diagnóstico foi feito por um Neurologista na sequência de uma punção lombar e a sífilis foi tratada pela Infecciologia no internamento de Psiquiatria.

A Infecciologista também tratou o VIH e o Neurologista mandou fazer 1 ressonância magnética (que correu muito bem) e 2 eletroencefalogramas 1 de diagnóstico que mostrou claramente os epileptiformes. Eu continuava a ser epiléptico.

Tudo isto enquanto Psiquiatras e Neuropsiquiatras faziam o seu diagnóstico.

Como vêem, fui acompanhado por uma equipa multidisciplinar no Internamento de Psiquiatria porque era isso que o meu caso exigia.

Profissionalmente foi um desastre - perdi o emprego - mas em termos de saúde individual foi das melhores coisas que me aconteceu.
O tratamento à sífilis durou 2 semanas com penicilina de 4 em 4 horas (incluindo à noite) alternadamente sódica e potássica.

Estive internado 42 dias e o resto foi para controlar o surto psicótico e tratar a psicose até eu poder ter alta do internamento. Ela veio em Outubro de 2020. Além de Plutão, Júpiter e Saturno também estavam em Capricórnio.

Uma nota relativamente à neurossífilis sintomática:

Eu vivia com uma coinfeção sífilis VIH desde Outubro de 2019 que gera o comprometimento do sistema nervoso central gerando a neurossífilis que pode ser sintomática ou assintomática. Eu do VIH apercebi-me com os sintomas de infeção aguda e tomei providências mas a sífilis era latente e não gerou sintomas até à neurossífilis.

Em Janeiro de 2020, à data do diagnóstico de VIH, tinha um VDRL de 64 mas em Julho o VDRL era de 32.

Eu entrei em neurossífilis com um VDRL de 32.

Porquê um VDLR de 64 em Janeiro? Porque um homem mais tarde condenado por tentativa de infeção de VIH-2 confessou no Julgamento ter-me infetado com VIH-1 (subtipo A) e de ter espetado a seringa inteira. Isto gerou uma carga viral muito alta com consequente impacto nos CD4s (sistema imunitário). À medida que estes baixavam a sífilis subia. Depois, e ainda antes de ter sentido os sintomas de infeção aguda contraí o VIH-1 subtipo C através do sexo.

O homem que me infetou com o VIH-1 subtipo C confessou à Polícia ter-me infetado com VIH e sífilis.

Quanto ao VIH infetou-me com VIH-1 subtipo C pois o VIH-1 subtipo A já o tinha. Quanto à sífilis é possível que tenha sido ele. Resumindo, a coinfeção sífilis VIH de Outubro de 2019 e a neurossífilis em Agosto de 2020. Foram 10 meses. 1 semana depois de sentir os sintomas de infeção aguda apaguei as contas das Apps e adoptei uma política de zero sexo até ser testado na Farmácia (90 dias).

Em Janeiro de 2020 fui à Farmácia comprar o teste mas tive uma crise epiléptica a caminho e acabei nas urgências do São Francisco Xavier.

Eu sabia que o Neurologista ia tirar sangue para análises e pedi-lhe que adicionasse um teste ao VIH. Ele assim o fez e o teste veio positivo como eu esperava. De seguida fui visto pela que seria a minha Infecciologista e deixou-me 2 papéis: 1 para uma consulta e outro para tirar sangue para análises (carga viral, CD4s, etc.).

Isto foi a uma quinta-feira. Na segunda-feira fui à consulta e saí de lá com a guia de tratamento. Fui ter com o enfermeiro para ele fazer a colheita de sangue para análises e fui à Farmácia do Hospital levantar a medicação. Iniciei o tratamento no dia seguinte pois decidi tomar os antirretrovirais ao pequeno-almoço.

A 6 de Março faço novas análises e revelam que já estou indetetável. Em Maio repetimos as análises e confirma-se que estou indetetável.

Recrio uma conta numa App, escolho as opções sou HIV+, não sou detetável (como prevenção juntamente com preservativos) e no campo da saúde sexual seropositivo indetetável.

Não tenho grandes respostas ao meu perfil pelo que continuo sem sexo até à neurossífilis o que acabou por ser bom pois nesse período não espalhei sífilis. No período anterior também não pois estava a aguardar o teste ao VIH.