Eliane Brum: Tuve un encuentro diferente de todos los encuentros!
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Tuve un encuentro diferente de todos los encuentros. Sucedió en Londres, el 4 de junho. Llegué a un lugar increíble llamado @kairoscounterclub, un espacio de ideas radicales donde bebemos, hablamos y compartimos sopa. Llegué por primera vez invitado por Zoë Blackler, la periodista creadora de Kairos, para hablar de mis ideas sobre la reorientación de los mundos. Estaba tensa, muy cansada, un poco triste, porque había pasado por momentos difíciles tanto en el mundo exterior como en el interior, y hablaría en inglés.
Cuando llegué, un chico, un adolescente, ya estaba allí. Tenía los ojos brillantes, eso fue lo primero que noté. Los ojos de una persona vivaz, muy vivaz, algo cada vez menos común. Al cabo de un rato, se me acercó y se presentó. Era Louie Williams, de 16 años. Me dijo que había venido de Bristol para escucharme. Me sorprendió mucho.
Louie me contó entonces que había leído mi libro sobre la Amazonía y la reforestación, Banzeiro òkòtó, y que le había impactado profundamente. Me conmovió profundamente que un adolescente del otro lado del mundo hubiera leído mi libro y se hubiera conmovido lo suficiente como para tomar un tren para escucharme. Louie me contó que había nacido con un defecto cardíaco y que, durante su vida hospitalaria, imaginaba vivir en la selva amazónica. Creo que hablé bien ese día también por Louie. Por sus ojos enormes, sus ojos inquisitivos, los ojos de alguien que quería comprender. Pensé que, cuando todo se calmara, encontraría la manera de llevar a Louie a pasar unos días conmigo.
Doce días después, Louie murió. De repente. Lo supe cuando su padre me escribió contándome lo que nuestro encuentro había significado para Louie. Había nacido con medio corazón. Y de esa mitad, ese niño construyó una vida plena. Y la dedicó a hacer su parte para proteger la selva.
Solo ahora puedo escribir este mensaje. La noticia de su muerte me causó un dolor intenso en el corazón. Nuestro encuentro fue fugaz, pero intenso. Louie me dejó huella. Sé que Louie quedó encantado y aún intento comprender los caminos invisibles que nos unieron justo antes de que su corazón dejara de latir. Acepto el misterio, me quedo con él y espero.
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Eliane Brum on Instagram: "Tive um encontro diferente de todos os encontros. Aconteceu em Londres, em 4 de junho. Eu cheguei nesse lugar incrível chamado @kairoscounterclub , um espaço para “ideias radicais” onde bebemos, conversamos e compartilhamos uma sopa. Cheguei lá pela primeira vez convidada por Zoë Blackler, a jornalista que criou o Kairos, para falar de minhas ideias sobre o recentramento dos mundos. Eu estava tensa, muito cansada, um tanto triste, porque vinha de dias difíceis no mundo de fora e no mundo de dentro e falaria em inglês. Quando cheguei, um menino, adolescente, já estava lá. Tinha olhos brilhantes, foi o que primeiro percebi. Olhos de gente viva, muito viva, algo cada vez menos frequente. Depois de algum tempo ele se aproximou de mim e se apresentou. Era Louie Williams, 16 anos. Me contou que veio de Bristol para me escutar. Fiquei muito surpresa. Louie então me contou que tinha lido meu livro sobre Amazônias e reflorestamentos de gente, Banzeiro òkòtó, e que a leitura teve um grande impacto nele. Fiquei profundamente tocada que um adolescente no outro lado do mundo tivesse lido meu livro e se sentido movido o suficiente para pegar um trem para me escutar. Louie me contou que tinha nascido com um problema no coração e que, na vida de hospital, ele imaginava que vivia na floresta amazônica. Acho que falei bem naquele dia também por causa de Louie. Por seus olhos imensos, olhos de busca, olhos de quem queria entender. Pensei que depois que tudo amainasse encontraria uma forma de levar Louie para passar uns dias comigo. Doze dias depois, Louie morreu. De repente. Soube quando seu pai me escreveu contando o que tinha significado nosso encontro para Louie. Ele tinha nascido com metade do coração. E desta metade aquele menino fez uma vida plena. E a dedicou a fazer sua parte para proteger a floresta. Só agora consigo escrever esta mensagem. A notícia de sua morte produziu dor física no meu coração. Nosso encontro tinha sido fugaz, mas intenso. Louie fez marca em mim. Sei que Louie se encantou e ainda tento entender os caminhos invisíveis que nos aproximaram pouco antes de seu meio coração cessar de bater. Aceito o mistério, permaneço com ele e espero."
9,767 likes, 839 comments - brumelianebrum on July 5, 2025: "Tive um encontro diferente de todos os encontros. Aconteceu em Londres, em 4 de junho. Eu cheguei nesse lugar incrível chamado @kairoscounterclub , um espaço para “ideias radicais” onde bebemos, conversamos e compartilhamos uma sopa. Cheguei lá pela primeira vez convidada por Zoë Blackler, a jornalista que criou o Kairos, para falar de minhas ideias sobre o recentramento dos mundos. Eu estava tensa, muito cansada, um tanto triste, porque vinha de dias difíceis no mundo de fora e no mundo de dentro e falaria em inglês. Quando cheguei, um menino, adolescente, já estava lá. Tinha olhos brilhantes, foi o que primeiro percebi. Olhos de gente viva, muito viva, algo cada vez menos frequente. Depois de algum tempo ele se aproximou de mim e se apresentou. Era Louie Williams, 16 anos. Me contou que veio de Bristol para me escutar. Fiquei muito surpresa. Louie então me contou que tinha lido meu livro sobre Amazônias e reflorestamentos de gente, Banzeiro òkòtó, e que a leitura teve um grande impacto nele. Fiquei profundamente tocada que um adolescente no outro lado do mundo tivesse lido meu livro e se sentido movido o suficiente para pegar um trem para me escutar. Louie me contou que tinha nascido com um problema no coração e que, na vida de hospital, ele imaginava que vivia na floresta amazônica. Acho que falei bem naquele dia também por causa de Louie. Por seus olhos imensos, olhos de busca, olhos de quem queria entender. Pensei que depois que tudo amainasse encontraria uma forma de levar Louie para passar uns dias comigo. Doze dias depois, Louie morreu. De repente. Soube quando seu pai me escreveu contando o que tinha significado nosso encontro para Louie. Ele tinha nascido com metade do coração. E desta metade aquele menino fez uma vida plena. E a dedicou a fazer sua parte para proteger a floresta. Só agora consigo escrever esta mensagem. A notícia de sua morte produziu dor física no meu coração. Nosso encontro tinha sido fugaz, mas intenso. Louie fez marca em mim. Sei que Louie se encantou e ainda tento entender os caminhos invisíveis que nos aproximaram pouco antes de seu meio coração cessar de bater. Aceito o mistério, permaneço com ele e espero.".