Quem produz conhecimento sobre discriminação? A partir de que corpo? Com que instrumentos?

Não existe olhar de lugar nenhum. A pretensão de objetividade universal é sempre o privilégio de quem pode esconder a sua posição. E quem sabe o que dói, sabe-o porque o seu corpo foi produzido como o lugar onde a dor se inscreve.

Caderno 2 Quem sabe o que dói?

#cuir #intersecionalidade #haraway #barad #desdeasmargens

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Que corpos contam? - Texto 4: A pele negra e a máscara arco-íris

O que um corpo negro e cuir sabe sobre hegemonia e dissidência

Nota: O título deste texto retoma o título do testemunho de Anthony Vincent, Peau noire, masque arc-en-ciel, publicado em Pédés, organizado por Florent Manelli (2023).

Anthony Vincent está na rua. A polícia aproxima-se. Num momento que não se mede em segundos, mas em instintos. Ele faz uma escolha — ou melhor, o seu corpo faz uma escolha, porque há decisões que se tomam antes de pensar. Intensifica a sua performatividade cuir. Torna mais visível aquilo que o pode identificar como gay, como diferente, como não-ameaça. Usa a máscara arco-íris para cobrir a pele negra. Não como libertação — como escudo.

Este gesto é o coração do testemunho de Vincent. E é também, como veremos, uma aula de teoria política encarnada.

Fotografia de Fray Navarro (2020) – Uso gratuito sob Licença Unsplash.

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Que corpos contam? – Texto 3: Portugal, país de direitos (para alguns)

Quem fica de fora quando o Estado celebra a igualdade?

Entretanto — Nota política

Este texto foi escrito quando Portugal ainda se podia gabar — com alguma razão, embora não sem reservas — de estar na vanguarda europeia dos direitos LGBT+. Entretanto, o parlamento tornou-se palco de uma ofensiva da direita reacionária que veio mostrar o que este texto já argumentava: que a igualdade formal é frágil, que os consensos podem ser desfeitos, e que os direitos conquistados não estão garantidos enquanto o poder que os concedeu continuar a ser o mesmo poder que decide quando os retira.

A lei de autodeterminação de género foi atacada por forças políticas que preferem legislar sobre corpos alheios a garantir a dignidade de quem os habita. Bandeiras cuir foram proibidas em edifícios públicos — como se a visibilidade das pessoas cuir fosse uma ameaça à ordem, e não a ordem uma ameaça às pessoas cuir. O Estado que este texto analisa como produtor de exclusão material mostrou agora que também produz exclusão legislativa — que a retórica dos direitos pode coexistir, sem contradição aparente, com a erosão ativa desses mesmos direitos.

O paralelismo é brutal e não é acidental. Este texto argumenta que a discriminação de facto persiste mesmo onde a lei promete igualdade — que entre a norma jurídica e a vida vivida há uma distância que as instituições produzem e perpetuam. O que aconteceu entretanto veio acrescentar uma camada que o texto não antecipava mas que o confirma: em Portugal, nem a lei está garantida. A direita reacionária não inventou a exclusão — encontrou-a já instalada nas práticas institucionais, nos formulários, nos protocolos médicos, nas práticas policiais. Limitou-se a torná-la explícita, a elevá-la à dignidade de política de Estado.

Portugal era, dizíamos, um país de direitos. Entretanto, ficou mais claro para quem — e ficou mais claro o que custa existir fora da norma quando a norma decide que já chega de ser generosa.

Fotografia de Antor Roy Dravi (2024) — Uso gratuito sob Licença Unsplash.

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Que corpos contam? - Texto 1: A fábrica da masculinidade

Como a masculinidade hegemónica produz os corpos que contam

A masculinidade hegemónica não descreve um tipo de homem. Descreve uma máquina. Um regime de produção que decide, em cada contexto, que corpos são reconhecidos como legítimos, que vidas merecem protecção e que existências podem aparecer no espaço público sem risco de violência. Compreender isto — que a masculinidade dominante não é uma identidade mas um aparelho — é o ponto de partida deste caderno.

Este texto abre o segundo caderno do Kuir Cuir. O primeiro percorreu a repressão e a resistência cuir do pós-guerra a Stonewall. Este segundo caderno, Que corpos contam?, propõe uma cuirografia de masculinidade e poder — uma escrita situada, politicamente comprometida, que interroga como a hegemonia masculina fabrica hierarquias entre corpos, entre vidas, entre formas de existir. Os textos que se seguem nasceram de um trabalho académico no âmbito de um mestrado em Estudos Interdisciplinares de Género e Sexualidade, mas precisavam de outra língua e de outra casa. A armadura institucional protegia o argumento e sufocava-o ao mesmo tempo. Este caderno é o gesto de o libertar — não para o simplificar, mas para o devolver ao lugar onde o pensamento respira melhor: nas margens.

Cada texto é acompanhado de uma secção de leituras que situa as referências mobilizadas; no final do caderno, uma bibliografia comentada reúne o conjunto das filiações intelectuais que sustentam esta cuirografia.

Fotografia de Julee Juu (2026) – Uso gratuito sob a Licença Unsplash

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Revenir au cyborg, quarante ans après la publication de Donna Haraway

par Alice Breton et Jaércio da Silva

https://la-rem.eu/2025/09/revenir-au-cyborg-quarante-ans-apres-la-publication-de-donna-haraway/

En 1985, Donna Haraway publiait « A Manifesto for cyborgs: science, technology and socialist feminism in the 1980’s », un texte désormais emblématique des Science and Technology Studies (STS). Quarante ans plus tard, l’hybridité qu’elle décrivait – entre l’humain, l’animal et la machine – ne nous semble plus si étrange. Après une pandémie mondiale qui a révélé à quel point un virus pouvait mettre à l’arrêt des pays entiers et faire converger géopolitique, innovation technologique, santé et économie autour d’un vaccin, il ne reste plus aucun doute que nous vivons au cœur d’un tissu dense de relations entre organismes vivants et dispositifs technologiques. Cependant, réduire ce manifeste à une simple réflexion sur l’humain augmenté ou sur nos interactions avec les modes d’existence de la modernité1 serait profondément réducteur. Le cyborg, tel que le conçoit Haraway, n’est pas un gadget de science-fiction, ni une figure post-humaine. Il est surtout un geste épistémologique radical, une provocation qui vise à réinventer nos façons de penser le monde. En ce sens, comment le texte de Donna Haraway pourrait-il constituer une clé de lecture de la contemporanéité ? Le cyborg serait-il toujours d’actualité ? Le second mandat de Donald Trump nous le montrera.

#cyborg #trump #haraway #racisme

Revenir au cyborg, quarante ans après la publication de Donna Haraway - La revue européenne des médias et du numérique

Alice Breton et Jaércio da Silva. En 1985, Donna Haraway publiait « A Manifesto for cyborgs: science, technology and socialist feminism in the 1980’s », un texte désormais emblématique des Science and Technology Studies (STS). Quarante ans plus tard, l’hybridité qu’elle décrivait – entre l’humain, l’animal et la machine – ne nous semble plus si étrange. Après une pandémie mondiale qui […]

La revue européenne des médias et du numérique
Technoviolence = when tech is used to control, surveil, and harm- especially the marginalized.
It’s not the future. It’s happening now.
#Technoviolence #DigitalSurveillance #AlgorithmicBias #Haraway #Eubanks #dnbl36

#fromthearchive Came across this piece on #Haraway, #newmaterialisms, #historicalmaterialisms & #hope when cleaning up my archive today, published in Methods and Genealogies of New Materialisms. See https://shorturl.at/73Zpy

@philosophy

Buen #lunes !!
Una de las razones por las q nos encantan los #pajaros es pq nos enseñan a cuidarnos sin sentir propiedad 🤩

Recordad si estais en territorio de calor, ponerles aguita!
Podeis poner un cuenco en jardines, balcones, alfeizars de ventanas y o ponerlos cerca de árboles pa q los seres alados se puedan dar un chapuzón refrescante tambien!

#Haraway #ecofeminismo #cuidados

chaque fois qu’une histoire m’aide à me souvenir de ce que je croyais connaître, ou m’initie à quelque nouveau savoir, il y a ce muscle, fondamental pour que l’épanouissement devienne une préoccupation, qui fait une petite séance d’aérobic. Ce genre d’exercice est bon pour la pensée collective. Il permet aussi de mieux se mouvoir dans la complexité.

Donna #Haraway, vivre avec le trouble, p.254
#lecture #durabilite