Review de Série: THE BOROUGHS
The Boroughs (2026)
Elenco: Alfred Molina, Alfre Woodard, Denis O’Hare, Geena Davis, Clarke Peters, Carlos Miranda, Jena Malone, Seth Numrich, Alice Kremelberg, Bill Pullman, Dee Wallace, Ed Begley Jr., Jane Kaczmarek
Criação: Jeffrey Addiss, Will Matthews
Direção: Vários
Cotação: 4,0/5,0
SINOPSE
O viúvo Sam Cooper se muda para Boroughs, uma comunidade para idosos no deserto do Novo México. Após um encontro com uma criatura monstruosa, possivelmente alienígena, ele se junta a um grupo de vizinhos para desvendar o segredo sombrio que ameaça os residentes do local.
COMENTÁRIOS
Que bom que The Boroughs não terá uma 2ª temporada (o que é diferente de ter sido cancelada, como os papagaios estão replicando internet afora). E digo isso não porque a série seja ruim – muito pelo pelo contrário, ela é ótima. Quantas vezes vimos filmes e séries memoráveis serem pulverizados por continuações que merecem ser esquecidas? Incontáveis vezes, esta é a verdade. Felizmente esta recente produção dos irmãos Duffer, os criadores de Stranger Things (série que também começou muito bem e teve um final abaixo das expectativas) e que estão de mudança para a Paramount, não correrá tal risco.
Mas antes de continuar, devo ressaltar que, apesar de produzida pelos Duffer, The Boroughs é uma criação original dos showrunners Jeffrey Addiss e Will Matthews, que apesar de também buscarem inspirações na cultura pop da década de 1980, souberam desenvolver, com identidade própria, uma trama interessante com início, meio e fim que dispensa qualquer tipo de sequência. Certamente quem gostou de Stranger Things terá muito o que apreciar nesta série de mistério e ficção científica, ainda que a ambientação seja contemporânea e os adolescentes tenham sido substituídos por adoráveis personagens na terceira idade.
Mesmo com a trama se passando nos dias atuais ela é repleta de nostalgia, com a inspiração mais óbvia sendo o cativante filme Cocoon, de 1985. Nele, os idosos de um asilo na Flórida descobrem uma “fonte da juventude” alienígena – algo que de certa forma também ocorre na comunidade de aposentados que dá título à série, porém de forma inversa já que os idosos não são os beneficiados (muito antes pelo contrário). Outras referências clássicas são os créditos iniciais, que remetem a antologias televisivas como Além da Imaginação e Quinta Dimensão, e a trilha incidental de John Paesano, que presta homenagem a trabalhos de colegas como Alan Silvestri e James Newton Howard.
Além da ótima escrita dos roteiristas, outro grande trunfo da série são seus personagens e o elenco que os interpreta. O grande Alfred Molina vive Sam Cooper, um ex-engenheiro que está de luto pela recente perda de sua esposa. Recém-chegado na comunidade, ele é recebido calorosamente pelos vizinhos, mas não se mostra nada receptivo. Tudo muda após testemunhar um deles ser morto, durante o sono, por uma espécie de monstro, e ele se junta ao grupo de idosos que, cada um a seu modo, provarão ser sábios e corajosos em busca da verdade.
Temos a espirituosa ex-jornalista Judy Daniels (Alfre Woodard) e seu marido, o místico Art Daniels (Clarke Peters), o brilhante médico Wally Baker, que sofre de câncer terminal (Denis O’Hare), e a empresária musical Renee Joyce (Geena Davis), que ainda conquista corações. Ao grupo também se juntará Claire (Jena Malone), a filha de Sam, e o segurança Paz (Carlos Miranda), o jovem namorado de Renee. Outros atores veteranos que merecem destaque, ainda que em participações mais limitadas, são Dee Wallace, Bill Pullman, Ed Begley Jr. e Jane Kaczmarek.
Ao longo dos seus oito episódios a série aborda temas densos e com os quais o público se identifica, como envelhecimento, mortalidade, solidão e a obsolescência perante a sociedade, tudo sob uma ótica empática, renovadora e muitas vezes emotiva. E claro, com uma boa mistura de aventura de ficção científica com monstros, humor e uma dinâmica que lembra uma versão com idosos de Os Goonies ou It – A Coisa. Por outro lado, a fórmula empregada cobra seu preço, com mistério e vilões ficando bem previsíveis, uma vez que a série aposta fortemente em elementos carregados de nostalgia que já foram bem explorados.
Mas esse pequeno senão não estraga o prazer de assistir The Buroughs que, reitero, felizmente não terá uma 2ª temporada. Alguém aí se lembra de Cocoon – O Regresso? Não? Lembra mas quer esquecer? Pois é… Todos os oito episódios de The Boroughs estão disponíveis na Netflix em 4K/HDR/Dolby Atmos, para os assinantes do plano Premium.
Jorge Saldanha
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