Antes de começar a responder as perguntas que foram feitas, preciso fazer algumas considerações:
Diferente de outras áreas da saúde, a psicologia não tem um consenso interno absoluto. Pensa o seguinte: quando você consulta, digamos, um ortopedista por conta de uma dor no joelho, ele vai encontrar uma explicação pra essa dor (um diagnóstico) e um plano de tratamento. Um outro ortopedista, munido das mesmas informações, provavelmente chegaria ao mesmo diagnóstico. O plano de tratamento pode mudar, claro, mas (se tudo der certo) ambos os médicos estarão seguindo a mesma estrutura de saberes pra descrever a origem da sua dor ("seu joelho dói porque a estrutura x está lesionada").
A psicologia tem arcabouços teóricos muito distintos entre si - é o que o pessoal da área chama por aí de "abordagens". Um psicanalista vai explicar seu sofrimento de uma maneira totalmente distinta de um terapeuta cognitivo-comportamental, usando estruturas explicativas muito diferentes. Isso acontece porque a psicologia ocupa um lugar meio que ali entre a filosofia e a ciência.
Por isso inclusive que é bem complicado falar em nome DA psicologia. Todo discurso que começa com "»A« psicologia diz que" merece ser levado com cautela, principalmente em redes sociais. O nosso campo tem poucas "leis universais", não funciona tipo a medicina em que a gripe é objetivamente causada por uma infecção viral. Depressão é multifatorial, assim como praticamente todos os outros diagnósticos de saúde mental (a própria noção de diagnóstico na psicologia é arbitrária, em algum nível).
Dito isso, é importante pontuar de onde eu falo: sou psicólogo e me especializei na Terapia Analítico-Comportamental, abordagem que conheço mais a fundo. A faculdade de psicologia é bastante generalista, no sentido de que tenta colocar o graduando em contato com várias abordagens. Ainda assim, vou ter dificuldade pra responder perguntas sobre psicanálise por exemplo, porque meu contato com essa teoria parou nessa perspectiva generalista e não muito aprofundada da faculdade, há pelo menos 5 anos.
Então quero combinar com vocês que eu não tô nem de longe falando em nome »DA« psicologia. Como diria Ora Thiago, sou apenas um gay (no caso apenas um psicólogo respondendo perguntas dos meus web amigos).
Considerações feitas, inauguro a #CuriosaMente hihihi