Quem produz conhecimento sobre discriminação? A partir de que corpo? Com que instrumentos?

Não existe olhar de lugar nenhum. A pretensão de objetividade universal é sempre o privilégio de quem pode esconder a sua posição. E quem sabe o que dói, sabe-o porque o seu corpo foi produzido como o lugar onde a dor se inscreve.

Caderno 2 Quem sabe o que dói?

#cuir #intersecionalidade #haraway #barad #desdeasmargens

https://kuircuir.pt/que-corpos-contam-texto-5-quem-sabe-o-que-doi

Que corpos contam? – Texto 3: Portugal, país de direitos (para alguns)

Quem fica de fora quando o Estado celebra a igualdade?

Entretanto — Nota política

Este texto foi escrito quando Portugal ainda se podia gabar — com alguma razão, embora não sem reservas — de estar na vanguarda europeia dos direitos LGBT+. Entretanto, o parlamento tornou-se palco de uma ofensiva da direita reacionária que veio mostrar o que este texto já argumentava: que a igualdade formal é frágil, que os consensos podem ser desfeitos, e que os direitos conquistados não estão garantidos enquanto o poder que os concedeu continuar a ser o mesmo poder que decide quando os retira.

A lei de autodeterminação de género foi atacada por forças políticas que preferem legislar sobre corpos alheios a garantir a dignidade de quem os habita. Bandeiras cuir foram proibidas em edifícios públicos — como se a visibilidade das pessoas cuir fosse uma ameaça à ordem, e não a ordem uma ameaça às pessoas cuir. O Estado que este texto analisa como produtor de exclusão material mostrou agora que também produz exclusão legislativa — que a retórica dos direitos pode coexistir, sem contradição aparente, com a erosão ativa desses mesmos direitos.

O paralelismo é brutal e não é acidental. Este texto argumenta que a discriminação de facto persiste mesmo onde a lei promete igualdade — que entre a norma jurídica e a vida vivida há uma distância que as instituições produzem e perpetuam. O que aconteceu entretanto veio acrescentar uma camada que o texto não antecipava mas que o confirma: em Portugal, nem a lei está garantida. A direita reacionária não inventou a exclusão — encontrou-a já instalada nas práticas institucionais, nos formulários, nos protocolos médicos, nas práticas policiais. Limitou-se a torná-la explícita, a elevá-la à dignidade de política de Estado.

Portugal era, dizíamos, um país de direitos. Entretanto, ficou mais claro para quem — e ficou mais claro o que custa existir fora da norma quando a norma decide que já chega de ser generosa.

Fotografia de Antor Roy Dravi (2024) — Uso gratuito sob Licença Unsplash.

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Que corpos contam? - Texto 2: Os monstros da masculinidade

Que corpos abjetos precisa a hegemonia de criar?

Em 1818, Mary Shelley imaginou uma criatura fabricada por mãos humanas que, no momento em que ganha vida, se torna insuportável para o seu criador. O monstro de Frankenstein não nasce monstruoso — é produzido como tal pelo olhar de quem o fez e pela recusa de quem o deveria reconhecer. Há algo nesta ficção que ilumina com precisão cirúrgica o funcionamento da masculinidade hegemónica: ela não se limita a excluir certas formas de ser homem. Precisa de as fabricar. Precisa de produzir os corpos que depois rejeita, porque sem eles não consegue definir-se. Os monstros da masculinidade não são acidentes da fábrica — são a sua condição de funcionamento.

Fotografia de Nick Andréka (2024) — Uso gratuito sob Licença Unsplash.

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Que corpos contam? - Texto 1: A fábrica da masculinidade

Como a masculinidade hegemónica produz os corpos que contam

A masculinidade hegemónica não descreve um tipo de homem. Descreve uma máquina. Um regime de produção que decide, em cada contexto, que corpos são reconhecidos como legítimos, que vidas merecem protecção e que existências podem aparecer no espaço público sem risco de violência. Compreender isto — que a masculinidade dominante não é uma identidade mas um aparelho — é o ponto de partida deste caderno.

Este texto abre o segundo caderno do Kuir Cuir. O primeiro percorreu a repressão e a resistência cuir do pós-guerra a Stonewall. Este segundo caderno, Que corpos contam?, propõe uma cuirografia de masculinidade e poder — uma escrita situada, politicamente comprometida, que interroga como a hegemonia masculina fabrica hierarquias entre corpos, entre vidas, entre formas de existir. Os textos que se seguem nasceram de um trabalho académico no âmbito de um mestrado em Estudos Interdisciplinares de Género e Sexualidade, mas precisavam de outra língua e de outra casa. A armadura institucional protegia o argumento e sufocava-o ao mesmo tempo. Este caderno é o gesto de o libertar — não para o simplificar, mas para o devolver ao lugar onde o pensamento respira melhor: nas margens.

Cada texto é acompanhado de uma secção de leituras que situa as referências mobilizadas; no final do caderno, uma bibliografia comentada reúne o conjunto das filiações intelectuais que sustentam esta cuirografia.

Fotografia de Julee Juu (2026) – Uso gratuito sob a Licença Unsplash

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Un peuple toujours déjà institué : intra‑actions, institutions disruptives et ontologie sans fondement

Un peuple toujours déjà institué (Castoriadis) : tissu d’intra‑actions (Barad, Haraway), jamais achevé, ouvert à l’instituant disruptif (Giddens, Lefort, Abensour). Pour une ontologie politique vivante (Descola, Viveiros de Castro, Harding), sans fondement ultime (Reiner Schürmann). #OntologiePolitique #Castoriadis #Barad #Lefort #Schürmann Penser un peuple « toujours…

https://homohortus31.wordpress.com/2026/02/26/un-peuple-toujours-deja-institue-intra-actions-institutions-disruptives-et-ontologie-sans-fondement/

Un peuple toujours déjà institué : intra‑actions, institutions disruptives et ontologie sans fondement

Un peuple toujours déjà institué (Castoriadis) : tissu d’intra‑actions (Barad, Haraway), jamais achevé, ouvert à l’instituant disruptif (Giddens, Lefort, Abensour). Pour une ontologie politique viv…

Homo Hortus

Intra‑action et auto‑institution : penser un monde sans entités préalables

🧶 Et si les entités n’existaient pas avant leurs relations ? Avec l’« intra‑action » de Barad, la dualité de la structure et l’auto‑institution, pensons le monde comme tissu vivant plutôt que comme somme d’objets!!... #Barad #Giddens #Castoriadis #OntologieRelationnelle Intra‑action : plus de « choses », seulement des enchevêtrementsChez Karen Barad, l’« intra‑action » remplace l’« interaction…

https://homohortus31.wordpress.com/2026/01/28/intra-action-et-auto-institution-penser-un-monde-sans-entites-prealables/

Intra‑action et auto‑institution : penser un monde sans entités préalables

🧶 Et si les entités n’existaient pas avant leurs relations ? Avec l’« intra‑action » de Barad, la dualité de la structure et l’auto‑institution, pensons le monde comme tissu vivant plutôt que comme…

Homo Hortus

#Haraway and #Barad, sure, they motivate #stshub2025. But I hear a lot of #LeGuin, the accessible carrier bag. It carries quite far,

"this vast sack, this belly of the universe, this womb of things to be and tomb of things that were."

Not trumping “diffraction”—but it’s less freighting?

Presenting today from 3pm @ #stshub2025 Panel 8 – In (the) light of shadows, room 1.404

Do numbers cast shadows? Diffracting numbers’ patterns in (in)visibilising the numbered.

I shall try to think with #Barad's take on the dynamic entangled effects of lights and shadows within #datapractices and #number work in mudane capitalist-adminstrative forms of #EnvironmentalGovernance.

So, what is Karan #Barad up to these days? Considering that their theories are gaining traction again, I wonder if there is any recent work?

Barad doesn’t appear to be retired, but I can hardly find any publication traces from the past five to ten years. I would love to read more reflections. Quantum stuff. Updates. #sts #newmaterialism

Maybe this is also a question addressing the awkward timespace of (North-American? senior?) academia.

My almanac essay from 2016 on ethico-onto-epistem-ology (and the links between #Barad, #Derrida & #Levinas) has been translated into Turkish by Nalan Kurunç & published in Terrabayt: https://terrabayt.com/dusunce/etiko-onto-epistemoloji/ The original version can be found here: https://newmaterialism.eu/almanac/e/ethico-onto-epistem-ology.html #newmaterialisms #agentialrealism #ethicopolitics @philosophy
Etiko-onto-epistemo-loji

"Etiko-onto-epistemoloji" mefhumu ilk olarak fizikçi-filozof Karen Barad tarafından etiğin, ontolojinin ve epistemolojinin ayrılmazlığına işaret etmek için ortaya atıldı; (bilimsel) bilgi üretimiyle, bilimsel pratiklerle ve dünyanın kendisi ve sakinleriyle (ilişkiselliğe içkin edimleriyle (intra-actively) dünyayı meydana getiren insan ve insan-olmayan varlıklar) ilgilenirken böyle bir mefhuma ihtiyaç duydu (Barad, 2007, s. 90).

Terrabayt