Dito pela enésima vez, a ver se é desta que entra na cabeça do eleitor português típico...
"O que falha, portanto, não é o capital humano português, bem formado e resiliente, mas competência na gestão. As lideranças portuguesas, continuam reféns de um modelo nepotista, obcecado com o controlo hierárquico e surpreendentemente tolerante com a ineficiência administrativa. Quantas horas de trabalho se perdem por dia em filas para obter uma assinatura, em reuniões infrutíferas, em processos burocráticos e absurdos, dentro das próprias organizações? Essas horas são imputadas ao trabalhador, mas a responsabilidade é dos líderes. Na autoridade tributária poderia escrever um livro só sobre processos internos inúteis.
É neste contexto que surge “reforma laboral” que promete “combater a precariedade”, mas insiste em medidas que aumentam a flexibilidade para o empregador. A narrativa é sempre a mesma: é preciso tornar o trabalho mais produtivo, e como os trabalhadores não colaboram, temos de os disciplinar com contratos mais frágeis e horários mais elásticos.
Trabalhamos muitas horas, mas essas horas são mal geridas. O que o “pacote laboral” faz, na prática, é agravar a precariedade — especialmente entre os jovens (quase 40% com contratos temporários, o quarto valor mais alto da UE) e entre os imigrantes (34% de trabalho temporário, contra 14% de nacionais). Em vez de se exigir qualidade de gestão, exige-se resignação dos trabalhadores.
Se o problema é a baixa produtividade medida, por que razão não se aposta numa investigação aprofundada à economia paralela e à fraude fiscal? Por que razão o combate à fraude e à criminalidade económica não aparece no topo das prioridades de nenhum governo? A resposta é incómoda: porque a economia paralela não é apenas tolerada; em muitos sectores, é estruturante. E porque as lideranças políticas e administrativas têm, elas próprias, uma produtividade lastimável."
https://expresso.pt/opiniao/2026-05-11-portugal-necessita-e-de-um-pacote-patronal-dcb73d43
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