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Para autora de ‘Bug nos Millennials’, a solução para atual crise está na mobilização polÃtica
Processos por metodologias controversas colocam em xeque credibilidade das pesquisas do Instituto Veritá
Magistrado suspendeu a divulgação do levantamento por incompatibilidade metodológica, após constatar perguntas não declaradas sobre a corrida presidencial, evitando prejuízos irremediáveis à transparência do processo democrático na pré-campanha
2 de junho de 2026 Emanoel Reis, Macapá – AP Editor – Contato: 96.98106.1147 – E-mail: [email protected]O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) suspendeu em caráter liminar, no dia 26 de maio, a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto do Instituto Veritá, sediado em Uberlândia (MG), após o Partido Socialista Brasileiro (PSB) denunciar graves incompatibilidades metodológicas que comprometem a transparência e a confiabilidade do levantamento técnico no atual período de pré-campanha. A decisão judicial foi proferida pelo desembargador eleitoral André Puppin Macedo com o objetivo de evitar danos de difícil reversão à lisura do pleito de 2026, uma vez que o instituto mineiro registrou a pesquisa oficial sob o número DF-01208/2026 para avaliar apenas a disputa aos cargos de governador e senador do Distrito Federal, mas aplicou aos eleitores questionários contendo perguntas ocultas sobre a corrida para a Presidência da República. O veto impede a publicação dos dados que estava programada para o dia seguinte e impõe uma multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, jogando luz sobre um debate nacional sobre a qualidade técnica dos levantamentos.
A determinação atende aos argumentos da representação jurídica apresentada pelo PSB, partido do pré-candidato ao governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli, que identificou o descompasso entre as informações inseridas no sistema PesqEle da Justiça Eleitoral e as abordagens feitas nas ruas e por telefone. Ao analisar o caso, o desembargador André Puppin Macedo constatou o que classificou como uma “aparente incompatibilidade” capaz de ludibriar os mecanismos de fiscalização obrigatórios coordenados pelo Tribunal Superior Eleitoral. “A inclusão de perguntas sobre cargos não registrados ultrapassa a mera irregularidade formal e pode afetar de forma direta a confiabilidade de toda a pesquisa”, destacou o magistrado em seu despacho, lembrando que sondagens eleitorais possuem força real para moldar e influenciar a opinião pública, além de direcionar o processo de formação de voto do cidadão comum.
A crise de reputação do Instituto Veritá ganhou contornos ainda mais complexos na mesma semana com o avanço de outra contestação jurídica no Sudeste do país, que reforça o coro sobre a falta de credibilidade de seus métodos estatísticos. No Espírito Santo, o procurador Regional Eleitoral Paulo Augusto Guaresqui emitiu um parecer contundente e favorável a uma representação movida pela Executiva Estadual do MDB, que acusa a empresa de produzir um levantamento manipulado com o intuito de beneficiar o atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, pré-candidato ao Executivo capixaba pelo Republicanos. A peça acusatória questiona a legalidade da pesquisa registrada sob o número ES-06002/2026, que apontava Pazolini em uma liderança folgada com 38,3% dos votos válidos na modalidade espontânea.
De acordo com a análise detalhada da Procuradoria Regional da República, os números favoráveis ao prefeito da capital capixaba configuram uma engrenagem artificial de inflar candidaturas. “O que vemos é uma superexposição artificial de competitividade, moldada por uma amostragem maculada, com clara capacidade de enganar e influenciar ilegitimamente o eleitor capixaba”, declarou o procurador Paulo Augusto Guaresqui no texto de seu parecer. O Ministério Público Federal aponta ainda que os dados distorcidos passaram a ser replicados sistematicamente por páginas e redes de apoio político ligadas à prefeitura local. A ação é encabeçada pelo MDB, legenda do atual governador do Espírito Santo e pré-candidato à reeleição, Ricardo Ferraço, que acusa o instituto de fraude metodológica por alegar o uso do Método PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho) sem de fato aplicá-lo nos bairros.
Para embasar o veto à pesquisa no Distrito Federal e unificar o entendimento jurídico, o desembargador do TRE-DF citou uma série de precedentes recentes acumulados nos tribunais regionais de Goiás e do Rio Grande do Norte, além de jurisprudências do próprio Tribunal Superior Eleitoral, que vêm endurecendo as punições contra a omissão de dados em registros públicos de amostragem. Especialistas em direito eleitoral alertam que a discrepância de dados impede que os partidos adversários verifiquem se as cotas de gênero, renda e escolaridade dos entrevistados foram respeitadas para todos os cargos em avaliação, abrindo margem para a indução de resultados favoráveis a determinados grupos políticos.
Seguindo o rito processual padrão fixado pelas resoluções do tribunal, a decisão que suspendeu o levantamento no Distrito Federal possui caráter provisório. A Justiça Eleitoral determinou a abertura de prazo para que o corpo jurídico do Instituto Veritá apresente sua defesa formal e suas justificativas técnicas sobre a composição dos questionários aplicados. Na sequência, o processo receberá um parecer final do Ministério Público Eleitoral antes de ser submetido ao julgamento do colegiado de juízes do tribunal, que decidirá se a pesquisa será cancelada em definitivo ou liberada para publicação. Até o momento, a direção da empresa de Uberlândia e os coordenadores das pré-campanhas citadas nos estados não emitiram novos pronunciamentos públicos a respeito dos desdobramentos das decisões.
Liderança de Furlan em pesquisa eleitoral acende alerta
O debate sobre a credibilidade das sondagens eleitorais ganhou um capítulo tenso no Amapá no fim de maio de 2026, após o Instituto Veritá registrar levantamentos sob os números AP-02323/2026 e BR-06360/2026 que apontam o ex-prefeito Antônio Furlan (PSD) na liderança isolada na corrida pelo governo do estado com 70,5% dos votos válidos contra 29,5% do atual governador Clécio Luís (União Brasil). O resultado provocou forte reação de opositores e acendeu um alerta no Congresso Nacional devido ao fato de Furlan liderar com folga mesmo após ter sido afastado do cargo em março pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de corrupção. A disparidade entre o favoritismo nas ruas e a gravidade das investigações criminais reacendeu o debate sobre a influência e a fiscalização técnica dos institutos de amostragem no processo democrático.
A desconfiança em relação aos números do Veritá reflete um cenário de intensa polarização local decorrente da Operação Paroxismo, da Polícia Federal. No dia 4 de março deste ano, o ministro do STF Flávio Dino determinou o afastamento imediato de Antônio Furlan de suas funções sob a acusação de fraudes em licitações e desvio de verbas nas obras do Hospital Geral Municipal de Macapá, estimadas em R$ 70 milhões. Para tentar garantir sua sobrevivência política e viabilizar legalmente sua candidatura ao Palácio do Setentrião, Furlan renunciou formalmente ao cargo no dia seguinte, entregando o comando da prefeitura ao presidente da Câmara de Vereadores. O clima de tensão piorou recentemente após novos relatórios da PF apontarem que o grupo do ex-prefeito monitorava ilegalmente autoridades federais e senadores locais.
“É inadmissível que o eleitor seja bombardeado por prognósticos que ignoram a realidade dos fatos e criam uma superexposição artificial de competitividade para quem responde por peculato”, critica um interlocutor da oposição local, alinhado ao Palácio do Setentrião. Por outro lado, o grupo político do ex-prefeito reage e denuncia o uso do aparato estatal para tentar conter seu avanço popular. “O que estamos vendo é uma clara tentativa de tapar o sol com a peneira. As operações policiais ocorrem justamente no momento em que as pesquisas internas e públicas registram o favoritismo consolidado de Furlan”, defende um aliado do candidato do PSD.
Essa desconexão entre escândalos éticos e a consagração estatística nas pesquisas impulsiona uma forte ofensiva legislativa em Brasília. No Congresso, parlamentares articulam regimes de urgência para Projetos de Lei que visam criminalizar e impor penas de detenção a diretores de institutos cujos resultados divirjam de forma desproporcional da apuração oficial das urnas. Em paralelo, a coleta de assinaturas para a criação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) avança na Câmara para passar um pente fino nas metodologias de amostragem. Enquanto o Centrão dita o ritmo da tramitação das propostas, analistas alertam que o uso estratégico ou manipulado de números na pré-campanha possui uma capacidade nociva de confundir o eleitorado e afetar de forma direta a higidez do processo eleitoral que se avizinha.
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